4 de junho de 2026

Preocupação com câmbio e diferenças pontuais norteiam ata do Copom

Jornal GGN – O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) enfatizou sua preocupação com o impacto da desvalorização cambial sobre a inflação em sua última ata, divulgada nesta quinta-feira (23). Na ocasião, o colegiado decidiu, de maneira unânime, aumentar a taxa básica de juros em 0,50%, para 10,50% ao ano, sem viés.

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“Assim como nas atas das últimas reuniões, o BC observou mais uma vez que “a depreciação e a volatilidade da taxa de câmbio (…) ensejam uma natural e esperada correção de preços relativos (…). Para o Comitê, a citada depreciação cambial constitui fonte de pressão inflacionária em prazos mais curtos.” O movimento de desvalorização do Real frente ao dólar foi justificado como uma consequência das “perspectivas de transição dos mercados financeiros internacionais na direção da normalidade, entre outras dimensões, em termos de liquidez e de taxas de juros”, em referência à inflexão da política monetária nos Estados Unidos (com a reversão gradual da injeção mensal de liquidez)”, pontuam os analistas da Concórdia Corretora, em relatório.

Na visão do Itaú Unibanco, a avaliação do cenário trouxe diferenças pontuais. “No cenário externo, o Copom passou a avaliar a atividade global como “mais intensa”, e salientou o risco advindo de “mudanças na inclinação da curva de juros em importantes economias maduras””. Segundo relatório assinado pelo economista-chefe Ilan Goldfajn e pelo economista Caio Megale, o Copom deixou de mencionar que o “frágil cenário internacional” se apresentava como um fator de “contenção da demanda agregada”.

Quanto à trajetória cambial, os analistas da Concórdia afirmam que o recente aumento da pressão de desvalorização do Real em relação ao dólar “é decorrente tanto da deterioração das condições econômicas domésticas (diante do quadro de baixo crescimento e piora da situação fiscal brasileira) quanto da consolidação de uma trajetória de recuperação da atividade e do emprego nos Estados Unidos (que ensejou o início do processo de retirada dos estímulos monetários mantidos pelo Fed)”.

Outro fator que se tornou menos favorável são as projeções de inflação. Segundo o Itaú Unibanco, as projeções elaboradas para 2014, em relação à ata passada, se elevaram tanto no cenário de referência (juros e câmbio constantes) como no cenário de mercado (juros e câmbio esperados pela mediana dos analistas de mercado). Em ambos cenários, a projeção está acima do valor central da meta (4,5%). Para 2015, as projeções também estão acima da meta.

Também se discutiu a perspectiva de mudanças na composição do crescimento econômico, já mencionada no último relatório de inflação. Do lado da demanda, espera-se uma desaceleração do consumo e uma retomada do investimento e das exportações. Do lado da oferta, agropecuária e indústria devem ganhar espaço, enquanto serviços devem crescer a taxas menores.

Colegiado acredita que avanço global pode ajudar país

Além de comentar os prognósticos gerais para a economia brasileira, o Copom também destaca que deve haver maior crescimento da economia global, combinado com a alta do dólar, um quadro que se torna favorável para o crescimento da economia brasileira. O comitê também avalia que “emergem perspectivas mais favoráveis à competitividade da indústria e da agropecuária”.

De acordo com a ata divulgada pelo colegiado, o desempenho do setor de serviços tende a crescer em taxas menores do que as registradas em anos recentes. “É plausível afirmar que esses desenvolvimentos – somados a avanços em termos de qualificação da mão de obra – vão se traduzir em ganhos de produtividade”, acrescenta o Copom. Entretanto, o comitê ressalta que “a velocidade de materialização das mudanças citadas e dos ganhos delas decorrentes depende do fortalecimento da confiança de firmas e famílias”.

Já os preços da gasolina, do botijão de gás e da telefonia fixa devem apresentar um quadro de estabilidade ao longo deste ano, enquanto a tarifa residencial de eletricidade deve subir 7,5%. A projeção traçada pela autoridade monetária para o conjunto dos preços administrados por contrato e monitorados, durante o ano de 2014, foi mantida em 4,5%, mesmo valor estimado em novembro. Para 2015, a estimativa foi igualmente mantida em 4,5%.

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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