Jornal GGN – O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) enfatizou sua preocupação com o impacto da desvalorização cambial sobre a inflação em sua última ata, divulgada nesta quinta-feira (23). Na ocasião, o colegiado decidiu, de maneira unânime, aumentar a taxa básica de juros em 0,50%, para 10,50% ao ano, sem viés.
“Assim como nas atas das últimas reuniões, o BC observou mais uma vez que “a depreciação e a volatilidade da taxa de câmbio (…) ensejam uma natural e esperada correção de preços relativos (…). Para o Comitê, a citada depreciação cambial constitui fonte de pressão inflacionária em prazos mais curtos.”
O movimento de desvalorização do Real frente ao dólar foi justificado como uma consequência das “perspectivas de transição dos mercados financeiros internacionais na direção da normalidade, entre outras dimensões, em termos de liquidez e de taxas de juros”, em referência à inflexão da política monetária nos Estados Unidos (com a reversão gradual da injeção mensal de liquidez)”, pontuam os analistas da Concórdia Corretora, em relatório.
Quanto à trajetória cambial, os analistas afirmam que o recente aumento da pressão de desvalorização do Real em relação ao dólar “é decorrente tanto da deterioração das condições econômicas domésticas (diante do quadro de baixo crescimento e piora da situação fiscal brasileira) quanto da consolidação de uma trajetória de recuperação da atividade e do emprego nos Estados Unidos (que ensejou o início do processo de retirada dos estímulos monetários mantidos pelo Fed)”.
Segundo o documento, a expectativa dos agentes é que o ritmo de expansão da atividade no país fique em um ritmo relativamente estável no ano ante o visto em 2013. O colegiado considera que o consumo tende a continuar em crescimento, porém, em ritmo mais moderado do que o observado em anos recentes. Além disso, os investimentos devem ganhar impulso.
O Copom também destaca que deve haver maior crescimento da economia global, combinado com a alta do dólar, um quadro que se torna favorável para o crescimento da economia brasileira. O comitê também avalia que “emergem perspectivas mais favoráveis à competitividade da indústria e da agropecuária”.
O setor de serviços tende a crescer em taxas menores do que as registradas em anos recentes. “É plausível afirmar que esses desenvolvimentos – somados a avanços em termos de qualificação da mão de obra – vão se traduzir em ganhos de produtividade”, acrescenta o Copom. Entretanto, o comitê ressalta que “a velocidade de materialização das mudanças citadas e dos ganhos delas decorrentes depende do fortalecimento da confiança de firmas e famílias”.
Já os preços da gasolina, do botijão de gás e da telefonia fixa devem ficar estáveis, este ano, enquanto a tarifa residencial de eletricidade deve subir 7,5%. A projeção do BC para o conjunto dos preços administrados por contrato e monitorados, em 2014, foi mantida em 4,5%, mesmo valor estimado em novembro. Para 2015, a estimativa é a mesma: 4,5%.
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