Sugerido por Gilberto Cruvinel
De Marília os sinais aqui ficaram,
Que tudo são sinais de ter passado:
Se de flores vejo o chão atapetado,
Foi que do chão seus pés as levantaram.
Do riso de Marília se formaram
Os cantos que escuto deleitado,
E as águas correntes neste prado
Dos olhos de Marília é que brotaram.
O seu rasto seguindo, vou andando,
Ora sentindo dor, ora alegria,
Entre uma e outra a vida partilhando:
Mas quando o sol se esconde, a noite fria
Sobre mim desce, e logo, miserando,
Após Marília corro, após o dia.
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José Saramago (1920 – 2010)
Nascido em Azinhaga, filho e neto de camponeses sem terra, não completou seus estudos por dificuldades financeiras. Publicou seu primeiro livro, o romance Terra do Pecado, em 1947. Em 1966, publica Os poemas possíveis, livro que marca sua volta à literatura.
A respeito deste, diz Jorge de Sena em suas Líricas portuguesas: “Lirismo ao mesmo tempo abstrato e concreto, na linha do melhor erotismo, perpassa-o uma lúcida agonia das circunstâncias vitais e da frustração atual, em que certa tradicionalidade da linguagem poética adquire pessoal e por vezes intenso tom.”
A este livro seguiu-se, em 1970, outra coletânea poética, Provavelmente alegria. Muitíssimo mais numerosa e conhecida é sua obra em prosa, consistindo em romances intrigantes que provocam no leitor uma surpresa inicial que se mantém até o fim. Em 1998 recebe o Prêmio Nobel de Literatura, o primeiro concedido a autor de língua portuguesa.
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Berardinelli, Cleonice, Cinco séculos de Sonetos Portugueses de Camões a Fernando Pessoa, p.215, 1ª ed., Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2013.
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