4 de junho de 2026

Sobre o anonimato, por Fábio de Oliveira Ribeiro

Foi só o ano eleitoral começar que uma velha praga voltou a infestar a internet: os comentaristas anônimos que reduzem o debate racional à ataques pessoais virulentos, ofensas morais criminosas, ameaças de todos os tipos e, é claro, a velha e boa tortura psicológica. Por isto, resolvi republicar aqui um texto que escrevi sobre o assunto com base em minhas experiências pessoais com os mesmos no CMI. No princípio eu ficava irritado com a conduta dos tais, mas com o tempo aprendi a provocá-los de maneira a levá-los a me fornecer material de análise. Ao perceber que foram transformados em ratos no meu laboratório virtual comportamental, os tais ficaram profundamente irritados (fato que meu deixou profundamente feliz). 

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Sobre o anonimato

Uma das coisas mais interessantes sobre o anonimato é como ele distingue as pessoas segundo a natureza de seus papéis sociais e ideologias políticas. 

O anônimo é aquele que não tem rosto, que não quer ou não pode ser reconhecido. Ele se esconde por necessidade ou por medo, mas  sobretudo o faz para paradoxalmente poder ter uma vida normal. Daí o anônimo ser condenado a uma vida dupla, e, em razão disto, a ficar patologicamente oscilando entre sua personalidade socialmente conhecida e aquela que desenvolveu para o anonimato.  

O anonimato tem raízes tão antigas quanto a história. Da antiguidade clássica ficaram os relatos sobre os deuses que desciam anônimos à terra para realizar prodígios ou ter filhos com pessoas normais. Príamo, rei de Tróia, entra no acampamento dos gregos e vai a tenda de Aquiles anônimo para reclamar o corpo de seu filho Heitor. Anônimo é o espião que se infiltra na cidade sitiada para espalhar o medo ou conseguir subornar aqueles que guardam as portas, que esgueira-se até o acampamento do inimigo para conseguir informações valiosas sobre seus planos de ataque e defesa. Anônimo o comandante que passeia entre seus próprios soldados para descobrir, sem ser identificado, como está o moral deles antes da batalha.   

Mas o protótipo do anônimo moderno é o carrasco medieval. Encarregado de torturar prisioneiros e de eventualmente executá-los, o carrasco cobria sua cabeça para não ser visto ou reconhecido. O temor de ser perseguido pelos espíritos ou fantasmas de suas vítimas certamente aterrorizou aqueles que espalharam o terror na Idade Média.  

No Novo Mundo o anonimato também era praticado. Os relatos dos séculos XVI e XVII provam que entre os tupinambás havia uma variação interessante do mesmo. O tupinambá encarregado de executar o prisioneiro para o ritual de canibalismo só se aproximava do mesmo por traz e depois que sua vítima estava totalmente imobilizada. Então ele anunciava os motivos da morte de sua vítima (geralmente vingança por causa de uma guerra passada em que os parentes da vítima mataram parentes do executor) e desferia um poderoso golpe de borduna na sua cabeça.  

Em razão do declínio da tradição e da religião, nas Ditaduras modernas, entretanto, o anonimato não tem sido praticado pelos carrascos. Protegidos pelo poder político, militar e administrativo os carrascos modernos nunca fizeram muita questão de se esconder e até registram burocraticamente o que fizeram. Não só por obrigação funcional (caso de nazistas como Eichmman, que detalhou metodicamente seu trabalho em seus depoimentos ao Tribunal em Jerusalém), mas por puro prazer sádico (como os soldados norte-americanos que fizeram fotos das torturas em Abu Graib e recentemente filmaram seus colegas mijando nas suas vítimas). 

 O delírio de poder e prazer acompanha os carrascos modernos, especialmente quando eles são instrumentos de regimes ou instituições que os protegem ou os fazem se sentir  protegidos. Todavia, quando estes regimes políticos caem ou enfraquecem os verdugos passam a se esconder como ratos por temor de responder por seus crimes. Só então eles recorrem ao anonimato.  

Um torturador que durante certo período, como no Brasil de 1964 a 1988, molestou suas vítimas sem se preocupar em esconder o rosto (ou mostrou-o de propósito para sentir-se ainda mais poderoso) tem horror de ser reconhecido e apontado na rua por suas vítimas. Sentar-se num Tribunal e responder por seus crimes é algo que eles não desejam e que certamente os faz sentir o cheiro e frio da morte. Se  usavam barbas eles as raspam, se tinham cabelos compridos eles raspam a cabeça. Mesmo não tendo problemas de vista, eles passam a usar óculos. Eles mudam de cidade ou de bairro, trocam de carro, fazem qualquer coisa para parecer  diferentes. Os mais espertos mudam de profissão e constroem para si um novo passado que lhes garanta o anonimato com novo reconhecimento.  

O anonimato do ex-carrasco é infame. Em tudo diferente do anonimato daquele que luta contra um regime político tirânico, contra uma religião castradora e brutal ou contra um exército invasor. A história registra o nome e a glória de muitos homens que foram obrigados a durante certo tempo a lutar no anonimato ou sob pseudônimo: Voltaire, que atacou sistematicamente o catolicismo; Jean Moulin que lutou contra a ocupação nazista na França; Marighella que organizou a resistência armada à Ditadura militar imposta pela CIA aos brasileiros com ajuda de militares traidores e subalternizados.  

Muitos destes anônimos do passado ajudaram a construir o nosso presente. E agora, meus caros, é a nossa vez de usufruir não do anonimato, mas de nossos direitos e garantias individuais. Que ninguém se sinta intimidado, que ninguém deixe de usar seu nome, que ninguém deixe de apontar os verdugos, que ninguém dê trégua ao anonimato daqueles que um dia torturaram sob o sol e agora se escondem no submundo virtual. O mundo é nosso não deles. A infâmia e o anonimato deles é o nosso trunfo, é a prova de nossa vitória.  

Como eles os perseguidores, os verdugos, os carrascos, os infames são obrigados a ficar anônimos, não devemos lhes dar trégua. No anonimato eles estão e devem ficar. No anonimato eles se sentem seguros, mas de fato eles se mostram ainda mais frágeis. Em razão do anonimato eles podem ser fustigados e ofendidos a vontade. Eles, que tiveram poder de vida e de morte, hoje não ousariam levar suas queixas e dores a um Tribunal.  

Quem é mesmo o senhor? Por que se escondia no anonimato? Como pode provar que você foi realmente a pessoa ofendida por aquele texto?  
 
 

 

Fábio de Oliveira Ribeiro

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

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8 Comentários
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  1. carlos batista

    16 de janeiro de 2014 5:58 pm

    anonimato

    O problema de hoje é a confiança.

    Quem garante que voce não pode ser perseguido por seus comentários?? Pode sim, pois muita coisa rola nos bastidores.

  2. Obelix

    16 de janeiro de 2014 6:37 pm

    Prezados e prezadas, apenas

    Prezados e prezadas, apenas para polemizar.

    Mas afinal quem é Fábio de Oliveira Ribeiro? Ou qualquer outro que assine ou utilize pseudônimos ou apelidos?

    Quem deu notoriedade aos heterônimos usado por Fernando Pessoa? Foi Fernando Pessoa ou a sua incrível obra, que poderia aceitar qualquer nome que ele pretendesse? Claro que foi a obra, escrita por um homem que poderia pretender ser quem ele quisesse.

    A ingenuidade do texto repousa em desconhecer que todos os tipos de anonimato denunciados pelo autor estiveram a serviço de um estamento, de uma ordem estabelecida, de uma visão de mundo que se sobrepunha sobre as outras.

    O chamado “mundo livre” não viveria sem os seus espiões, e suas ações condenáveis dentro de uma lógica universal de direitos humanos.

    Assim como não há como dissociar a Revolução Francesa e seu período de terror, e seus carrascos que, anonimamente, degolaram literalmente o regime antigo. Não há fraternidade, igualdade e liberdade sem as cabeças degoladas, e logo, sem os seus carrascos encapuzados.

    Não há anonimato do bem ou do mal, há anonimato com orientação política diferente.

    Para as famílias dos soldados alemães mortos pela ação dos anônimos franceses não havia nada de nobre na ação deles.

    Estavam em guerra os dois países, e atos clandestinos (por mais que concordemos ideologicamente com eles) são atos condenáveis dentro das convenções que regem os conflitos.

    Todos os sistemas, democráticos ou não, todas as instâncias políticas e arenas de debates, contêm seus subssistemas clandestinos para que se possa dar vazão a atos e pensamentos que são importantes (pelo viés de quem os reivindica), mas que não poderiam ser assumidos individualmente.

    O anonimato é a perspectiva da ação coletiva das sociedades que praticam os meios que julgam adequados para atingirem fins que consideram maiores.

    Questione-se a pena de morte, mas ela é legítima dentro da noção de valores das sociedades que as adotam (como alguns estados dos EEUU). Como “marcar” aqueles que se colocam como servidores desta demanda social por punição, personificando seu gesto coletivo (aplicação da pena) como homicídio individualizado?

    Por isto pergunto novamente: O que importa saber quem é o Senhor Fábio?

    Não será melhor conhecer o que ele escreve?

    E aifnal, como saber se o Senhor Fábio não usa um pseudônimo? 

    Saudações a todos.

    1. Maria Luisa

      17 de janeiro de 2014 8:29 am

      Sera ?

      “Estavam em guerra os dois países, e atos clandestinos (por mais que concordemos ideologicamente com eles) são atos condenáveis dentro das convenções que regem os conflitos.”

      Não entendi que convenções seriam essas, que regem conflitos em meio à guerra ? Entendo o que queira dizer, mas acho que a premissa é falsa. Assim como os alemães torturavam e matavam franceses, os atos cladestinos visavam minar ou pelo menos destabilizar o poder da armada germânica e também demonstrar que nem todos concordavam com o governo de Vichy. E em guerra, não ha mais convenção possivel. Ha o poder do mais forte. Guerra é guerra, ja que é quase sempre destituida de moral, ética e leis. 

      1. Obelix

        17 de janeiro de 2014 11:58 am

        Direito Penal do Inimigo?

        Prezada Maria Luisa,

        O fato de haver permanente transgressão de direitos humanos em conflitos armados, ou até no uso da força policial dos Estados, não implica em afirmar que não haja regras.

        Alguns críticos colocam o tema sob suspeição, e foi até cunhado um termo para estas tentativas de normatizar ou punir condutas de excessos praticados durante conflitos armados: direito penal do inimigo.

        Durante os conflitos que sucederam a Convenção de Genebra (1964 e 949), houve sempre a tentativa de evitar conceitos como a guerra total (empregados pela primeira vez na II Guerra), ou o uso de armas consideradas extremamente crueis (como armas químicas ou munição de fragmeentação, como os projetis dundun, usados pelos ingleses colonialistas na Índia), e ainda o trato com prisioneiros de guerra.

        Como eu mencionei, isto não quer dizer que tenha havido violações de todas as partes, mas é certo que os tribunais internacionais, como todos os parcialismos geopolíticos, têm buscado sancionar aqueles que violam tais preceitos, e o caso mamis recente é o conflito nos Balcãs.

        Saudações cordiais.

  3. aliancaliberal

    16 de janeiro de 2014 6:56 pm

    Qual a única reação adequada

    Qual a única reação adequada para a direita diante da notícia dizendo que empresário é condenado a pagar R$ 5.000 por dizer, em conversa privada, que filho de Lula é um idiota?

    Segundo a Folha de São Paulo, um empresário foi condenado a pagar R$ 5.000,00 de indenização por chamar o filho de Lula de “idiota”. Veja abaixo:

    O empresário Alexandre Paes dos Santos foi condenado a pagar R$ 5.000 a Fábio Luís Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula, por tê-lo chamado de “primário”, “idiota” e “uma decepção” em conversa com jornalista da revista “Veja” que não chegou a ser publicada. Cabe recurso.

    Lulinha, como Fábio é conhecido, soube das declarações ao processar a publicação por reportagens em que foi apontado como lobista.

    Santos, também apresentado como lobista nas reportagens, teria dito ao jornalista Alexandre Oltramari, da “Veja”, que Lulinha despachava em seu escritório em Brasília.

    O empresário negou as afirmações, mas tornou-se réu em processos que o filho de Lula moveu contra a Editora Abril, que publica “Veja”, e Oltramari. A revista entregou à Justiça a gravação das conversas de Santos com o repórter, incluindo o trecho em que ele criticava Lulinha.

    Ao saber do diálogo, Fábio abriu um novo processo, por dano moral. Perdeu em primeira instância, mas, no último dia 10, a 1ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo acolheu em parte seu recurso.

    A decisão foi divulgada pelo site Consultor Jurídico.

    O desembargador Alcides Leopoldo e Silva Júnior considerou que Santos teve intenção de ofender Lulinha, mesmo que sua frase não tenha sido publicada. Para o magistrado, a Abril e Oltramari não causaram danos.

    O advogado de Lulinha, Cristiano Martins, disse que recorrerá para que eles também sejam responsabilizados, porque teriam tornado as ofensas públicas ao anexar o áudio ao processo.

    Alexandre Fidalgo, advogado da Abril e de Oltramari, refuta o argumento. “Se Lulinha quisesse preservar sua honra, teria pedido segredo de Justiça”, disse. O advogado de Santos, Eduardo Ferrão, não foi localizado.

    Um amigo escreveu: “O cerco está se fechando…”. Respeito a opinião dele, mas não costumo me impressionar com essas coisas. Como Saul Alinsky disse, poder não é o que você tem, mas o que o seu inimigo pensa que você tem.

    A verdade é que a direita normalmente é conivente com as bizarrices praticadas pela esquerda. Com isso, ela incentiva que a esquerda perca cada vez mais o pudor em relação às baixarias que façam. Em qualquer nação civilizada, uma figura pública ficaria envergonhada em ser reconhecida como aquela que ganhou uma ação bizarra impedindo a liberdade de opinião em conversas privadas.

    Em uma nação civilizada, um diálogo seria assim:

    – Mano, é verdade que você lançou uma ação judicial contra alguém que emitiu uma opinião pejorativa sobre você em conversas privadas?

    – De jeito nenhum! Você está louco?! Eu jamais iria proibir a liberdade de opinião!

    Agora veja como é o diálogo nesta civilização tribal que estamos nos tornando:

    – Mano, é verdade que você lançou uma ação judicial contra alguém que emitiu uma opinião pejorativa sobre você em conversas privadas?

    – Claro! Fiz e faço de novo contra todo mundo que der uma opinião contra mim que eu considerar ofensiva!

    Dá para sentir a diferença? Com nossa tolerância e conivência de costume diante do totalitarismo , estamos incentivando os totalitários a serem mais totalitários. Nós não temos feito nosso trabalho de causar rejeição social suficiente a este comportamento. Hoje o principal discurso da extrema-esquerda tem sido a busca por diversas formas de censura. Nós, pelo contrário, damos um poder a eles que na verdade eles não tem.

    É por isso que eu digo que devemos aprender com os neo-ateus.

    Imagine que, em uma conversa privada, o Daniel Sottomaior, da ATEA, diga que o Silas Malafaia ou o Marco Feliciano são idiotas. Imagine que o tom usado seja exatamente o mesmo daquele usado em direção ao filho de Lula. Imagine agora que o ofendido lance uma ação judicial contra Sottomaior. O resultado não seria a lamúria nas redes sociais, mas o escárnio de toda uma situação, com os líderes religiosos sendo acusados de totalitários e inimigos da liberdade de expressão. A pressão seria tamanha que a ação contra os neo-ateus seria retirada quase que de imediato.

    Imagino até o diálogo entre líderes neo-ateus diante de um processo assim:

    – Cara, não acredito! Os religiosos foram muito burros! Lançaram uma ação pedindo indenização de R$ 5.000 reais por causa de uma opinião que demos em privado!

    – É sério isso?!

    – É sério… Veja aqui a notícia… (mostra a notícia)

    – Ah, que maravilha! Estamos feitos! Vamos ridicularizar tanto esses caras, mas tanto que eles vão ter que ficar se defendendo até a última geração. Agora serão acusados de inimigos da liberdade de expressão e “novos inquisidores”.

    – Eu te falei disso, pois eu sabia que eles deram uma oportunidade de ouro para a gente.

    – Cara, isso é um presente que eles deram para nós! Estávamos precisando que eles fizessem uma ação para ficarem conhecidos como censores da opinião alheia! Vamos aproveitar agora!

    É este o nível de diálogo que a direita deveria ter. A oportunidade é tremenda.

    http://lucianoayan.com/2013/12/24/qual-a-unica-reacao-adequada-para-a-direita-diante-da-noticia-dizendo-que-empresario-e-condenado-a-pagar-r-5-000-por-dizer-em-conversa-privada-que-filho-de-lula-e-um-idiota/

  4. Anarquista Lúcida

    16 de janeiro de 2014 10:46 pm

    Esse blablablá de sempre…

    Até parece que alguém tem segurança sobre a identidade de alguém na web. Quem assina Fábio de Oliveira Ribeiro pode muito bem se chamar Antonio da Silva. Pelo menos anônimos que usam nicks constantes deixam claro que nao se chamam daquele modo… 

    O que caracteriza uma identidade na web é o seu histórico de comentários. No caso deste blog em especial, o CADASTRO, que permite que outros comentaristas conheçam o histórico dos cadastrados. O resto é conversa para boi dormir. 

    Há mil motivos para alguém querer usar nick, e, desde que essa pessoa naos saia dos trilhos isso nao é da conta de ninguém. Se sai, tanto faz ser com nick ou sem nick… 

    1. Gunter Zibell - SP

      17 de janeiro de 2014 6:28 pm

      Concordo

      Anonimato na rede não é problema se o blog responsável tem acesso por cadastro ao IP e mantém a confidencialidade disso e o uso dessa informação restrito apenas a questões legais que um dia vierem a existir (no Brasil blogs e portais têm 24 horas para remover eventuais mensagens de ódio se denunciadas.)

      Vivemos em sociedade e como em toda ação de interação social cabe a recém participantes construírem seus “históricos”. É assim no facebook, por exemplo, onde todo mundo sabe que para ser aceito como amigo precisa montar antes um histórico de posts mostrando +/- como pensa.

      Eu só adiciono como amigos quem não faça postagens e compartilhamentos ‘toscos’. E só participo de grupos de discussão ‘moderados’. 

      O que importa é consistência e atitude, não o nome usado per si.

       

  5. Ed Döer

    17 de janeiro de 2014 2:47 am

    O texto é bom e dá uma

    O texto é bom e dá uma perspectiva histórica interessante pré-rede sobre o fenômeno anonimato, mas parece (posso ter interpretado errado) partir do princípio que sem o anonimato a rede seria um mar de rosas, o que está longe de ser verdade quando se observa o que rola no Facebook, por exemplo.

    O clima esquenta em período eleitoral independente das pessoas serem “identificáveis” ou não, e sim em função do envolvimento passional com a política, e aí entra o “não gosto de política”.

    E creio que faria pouca diferença alguém aqui se identificar como José e na verdade se chamar João. Ou saber o nome completo da pessoa. O que pode fazer diferença no dia-a-dia na minha humilde opinião segue abaixo, e já adianto que imagino que tal lista não seja exaustiva:

    a) O “conjunto da obra” associado ao nome/apelido, ou seja, tudo aquilo que a pessoa já postou, permitindo que outros tracem algum perfil psicológico e/ou ideológico, mesmo que limitado. Inclusive possibilitando a visualização de mudanças de opiniões e/ou inconsistências (e nos piores casos, hipocrisia).

    b) Títulos e/ou posições que identificariam algum grau de conhecimento formal e reconhecido sobre determinados temas. Mas também podem servir para exercer um algum tipo de autoridade, tentando intimidar “oponentes”.

    c) Tentar se apropriar da identidade de terceiros ou qualquer outra forma de fraude para ludibriar outros. Aí entram os textos de origem duvidosa que circulam na rede.

    d) Criar múltiplas contas para reforçar uma opinião ou para atacar alguém sem ônus para a “identididade original”.

    e) Perseguir ou desenvolver resistência ao que é postado por determinados usuários em função de posições divergentes em algum tema.

    f) Trocas de nick ou avatar. Apesar de possivelmente inocentes, ou relacionadas com alguma (mudança de) postura ou (marcação de) posição sobre um tema, as mesma podem também ser usadas para evitar ser vinculado com situações passadas que não podem ser reescritas.

    g) Status na comunidade ou meio em questão. Pode ser informal, como o respeito de parte do grupo por um determinado contribuidor ou mesmo formal, através de títulos, posições (ser parte da moderação), número de posts, etc.

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