5 de junho de 2026

Demissões de cardeais servirão para Francisco implantar reformas

Do Estadão

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Pontífice ‘esvazia’ comitê de supervisão criado por antecessores e nomeia cardeais que não devem se opor a mudanças
 
Jamil Chade, correspondente em Genebra – O Estado de S. Paulo

GENEBRA – Religiosos e vaticanistas consultados pelo Estado garantem que a decisão do papa Francisco de demitir quatro dos cinco membros do comitê que supervisiona o Banco do Vaticano tem como objetivo esvaziar as estruturas de poder montadas pelos antigos pontífices e acabar com qualquer tipo de resistência que possa ainda haver para começar a implementar as reformas que julga necessárias.

Em meados de 2013, o papa criou um grupo de trabalho que apresentará suas propostas sobre o futuro do Instituto de Obras de Religião (IOR). As decisões terão de ser antes aprovadas pelo comitê que era formado por d. Odilo Scherer e Tarcisio Bertone.

Para fontes dentro da Santa Sé, ao retirar esses cardeais ligados ao pontificado de Bento XVI, Francisco estaria “abrindo caminho” para que suas reformas sejam aprovadas sem resistência. Alguns dos cardeais nomeados no lugar do brasileiro são considerados como “pesos leves” dentro da Igreja e não teriam o poder de enfrentar uma proposta de reforma do papa.

“Dentro do IOR, agora, apenas três pessoas mandam: o presidente e dois assessores”, afirmou um dos principais vaticanistas, John Allen, que sustenta a tese de que a “limpeza” foi um gesto para desfazer qualquer resistência a futuras reformas.

Mas o IOR não é o único lugar que está passando por reformas. A prioridade de Francisco é voltar a transformar a Igreja em um instrumento para evangelizar – e não em um centro de poder. Para isso, o pontífice já informou seus aliados que terá de reduzir ao máximo o poder de uma casta inteira de aristocratas: a Cúria. O próprio papa os chamou de “generais de exércitos derrotados”.

Para conseguir reduzir o poder desse grupo, o papa decidiu “profissionalizar” vários serviços prestados no Vaticano. Assim, ofereceu duas opções: ou passam a trabalhar com a meta de ajudar os fiéis pelo mundo ou darão lugar para um profissional. Pegando muitos de surpresa, o papa não tardou para demitir o cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado do Vaticano – considerado por muitos um “vice-papa” -, e deu um claro sinal de que o cargo pode ter seu papel reduzido.

Para o lugar de Bertone, escolheu Pietro Parolin, que em agosto ficou doente e não participou da posse do cargo – o que demonstraria que o posto não terá a mesma aura dos anos anteriores. De fato, Francisco já diluiu parte do poder do secretário de Estado.

A pedido do papa, um cardeal de sua confiança percorre os corredores do Vaticano e pergunta aos chefes locais quantos funcionários de seu departamento poderiam demitir.

 

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3 Comentários
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  1. vera lucia venturini

    16 de janeiro de 2014 11:50 am

    Ave, Francisco. Manda ver que

    Ave, Francisco. Manda ver que eu ainda sinto falta da tua igreja.

  2. Hélio Jorge Cordeiro

    16 de janeiro de 2014 1:36 pm

    Lá está os hermanos nos dando

    Lá está os hermanos nos dando lição outra vez! Ley demedios, cadeia para os torturadores da ditadura e por aí vai…

  3. Raí

    16 de janeiro de 2014 1:58 pm

    Demissões não, apenas remanejamento de pessoas.

    As citadas demissões no comando do IOR(Banco do Vaticano)feitas pelo Santo Padre, não devem ser interpretadas como demissões e esvaziamento das funções daqueles cardeais ora substituídos, e sim, como um remanejamento natural, de pessoas com vícios e inadaptados, para fazer certas reformas, que contradizem suas atuais funções , que mesmo sendo eclesiásticas, envolvem a administração voltada não somente para o lucro, e mais para a servidão aos pobres e fieis da igreja.

    Não seria possível, o Papa reformar como pretende, neste e noutros setores da Cúria Romana, mantendo nestes cargos, estes conservadores cardeais, que embora tenham respeito e obediencia total ao Pontífice, não conseguiriam acompanhar a tendencia reformadora do Papa Francisco, que “rompe” corajosamente um costume antigo e tradicional do Vaticano, de não mexer na rotina secular da instituição.

    Nada disto no entanto, muda os rumos da evangelização que o Santo Padre, quer que a igreja católica faça, ou seja, acompanhar o dinamismo dos novos tempos, e sem sair da linha recomendada por Cristo ao seu comandante da barca de Pedro, aceitar que somente reformando as rotinas antigas e obsoletas, a igreja atigirá seu objetivo cristão.

    O rebanho cristão, apoia e aceita as reformas iniciadas pelo Papa Francisco, e acredita que ele esteja no caminho certo.

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