Jornal GGN – Luiz Marcos Suplicy Hafers se auto intitula um “conservador moderno, da mudança, do avanço, da educação”. Aos 78 anos de idade, o ex-presidente e conselheiro da SRB (Sociedade Rural Brasileira), ainda versa sobre diferentes momentos da nossa história, especialmente no período republicano.
Nascido em uma família de cafeicultores, para ele, o estado de São Paulo não teria se industrializado sem a crise do café, no final dos anos 1920, que foi a responsável por tirar “o poder de uma elite proprietária, mas não gerencial”. Além disso, disse considerar o ex-presidente Getúlio Vargas “um grande homem”, que “quebrou um poder obsoleto e deu chance à modernidade”.
No entanto, engana-se quem pensa que ele está mais preocupado com o passado, do que com o presente e, principalmente, com o futuro. “Eu tenho uma grande esperança no Brasil. Eu sou um otimista prudente. Acho que nada vai acontecer sem muito esforço”. Convidado especial do programa “Brasilianas.org”, exibido pela TV Brasil na última segunda-feira (13), ele não deixa de questionar quem considera ultrapassado.
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Hafers criticou, sem citar nomes, os formuladores da atual política econômica brasileira – os quais, para ele, estão querendo enfrentar um novo cenário buscando soluções já esgotadas. “É a famosa história do general que se prepara para ganhar a guerra passada”, diz. “Quem manda hoje, ou tenta mandar, aprendeu nos livros passados, com os professores passados, e não conseguem ver na frente. Eu não os critico no passado. Tenho horror a eles no futuro”.
Indo mais além, o ex-líder da SRB disparou: “Precisamos de líderes carismáticos”. Quando perguntado sobre um nome da política que considera referencial, recorreu à memória para citar um governador paulista dos anos 1960: Carvalho Pinto. Não citou nenhum nome da era pós-redemocratização, durante a gravação da entrevista conduzida pelo apresentador Luis Nassif. “Há muitos anos eu voto contra. Eu não voto a favor de alguém. Votei contra o Lula, votei contra o Paulo Maluf”.
Lula
Mesmo votando contra, Hafers diz que o ex-presidente deu “esperança” aos pobres. “Eu nunca votei no PT [Partido dos Trabalhadores]”, frisou, “mas o Lula foi um grande líder. Porque nós, ortodoxos, conservadores, dizemos para o pobre: ‘você precisa trabalhar, ganhar mais, estudar.’ O Lula diz para o pobre: ‘você precisa comprar’”.
Os elogios param por aí. Ele não enxerga apernas bons aspectos da gestão petista dos últimos dez anos –pelo contrário. “Essa roubalheira que o PT ajudou a fazer, é inadmissível. Não falta dinheiro, falta seriedade”, criticou.
Marina Silva
As críticas não ficaram restritas ao PT. “A Marina Silva diz tudo de bom que a gente quer ouvir, só que é inviável”, afirmou, falando em “utopia”. “Ela quer impor um padrão de moralidade desejável, porém não possível. E ela encanta com isso”. Para Hafers, “além de virtuosa, que eu quero acreditar que ela seja”, a ex-senadora é “teocrática” e “absolutamente dogmática”.
“Eu propus pessoalmente à ela: ‘nós, da agricultura, concordamos com você em 80%, na responsabilidade com o meio ambiente’. Ela se recusou a falar comigo”, afirmou, antes de enaltecer o agronegócio como “o maior sucesso do Brasil nos últimos 30 anos”.
Reforma agrária
Ainda durante a época em que presidia a SRB, momento que considera como “o mais crucial” para a reforma agrária, o atual conselheiro diz que já alertava para “uma população esquecida no campo, pobre, que precisa ser resolvida”. “Eu sou contra a solução do MST [Movimento Sem Terra, mas concordo com o problema”, afirmou.
Perguntado sobre o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), política do Ministério do Desenvolvimento Agrário que financia projetos de assentados da reforma agrária, ele diz que o programa “adia o problema, porque é uma bolsa disfarçada. A agricultura familiar é brutalmente ineficiente, mas é uma agricultura social”.
Roque
14 de janeiro de 2014 10:53 amConversa pra boi dormir no
Conversa pra boi dormir no campo…dele. Agronegociante. Só.
Djalma Santos
14 de janeiro de 2014 11:41 amQuase mudei de canal quando
Quase mudei de canal quando ele disse que ou o nordestino muda para S. Paulo para vencer ou vive de bolsa familia, referindo ao motorista dele que é nordestino e virou classe média. Mas na frente disse que o neto dele prefere ficar em S. Paulo a morar em Pernambuco, independente do emprego que houver lá.
Fiquei me perguntando para quem ele votou nos últimos 20 anos,
marcelooliveira
14 de janeiro de 2014 11:49 am“A agricultura familiar é
“A agricultura familiar é brutalmente ineficiente, mas é uma agricultura social”.
Não é o agronegócio que alimenta a população.
Motta Araujo
14 de janeiro de 2014 1:00 pmMas é o agronegocio que gera
Mas é o agronegocio que gera os dolares com os quais o Pais compra petroleo e materias primas essenciais ao pais.
Em nenhum lugar do mundo agronegocio planta tomate, cheiro verde, ceblinha e abobrinha.
A agricultura familiar é formada por cinturões verdes proximas as grandes cidades, trabalhada sol a sol por agricultores profissionais muito antes de existir a ideia de reforma agraria, na maioria japoneses, o cinturão de São Paulo (Mogi das Cruzes e adjacencias) abastece não só a Grande São paulo mas tambem parte do Rio, Manaus, Porto Velho, etc.
O agronegocio NUNCA foi adversario da agricultura familiar VERDADEIRA, o que não é a mesma coisa da gricultura familiar demagogica, que produz dircusos e não mandioquinha.
Heart
14 de janeiro de 2014 4:06 pmCom tanto agrotóxico e
Com tanto agrotóxico e modificação genética é muito fácil ser um grande produtor.
Bebemos 5 litros de veneno por ano. Se bebêssemos em um dia morreríamos. Não vejo do que se orgulhar.
Bob Jr.
14 de janeiro de 2014 5:31 pmDepende…
A maior parte do meio-oeste dos EUA discorda de você quanto a essa diferenciação entre agricultura familiar e agronegócio, talvez por eles serem fruto de uma reforma agrária que aconteceu há 150 anos atrás… Agricultura familiar altamente mecanizada domina os Grandes Planos há décadas, e somente no ano passado foram ultrapassados pelos produtores brasileiros.
Ah, os agricultores do MT também discordam de você, principalmente os de Lucas do Rio Verde (também fruto de uma “mini-reforma agrária” nos anos 70). A maioria deles começou com propriedades familiares e foi expandindo o negócio.