4 de junho de 2026

E ninguém vai falar sobre o risco de faltar água em SP

E ninguém vai falar sobre o risco de faltar água em São Paulo? 

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Há um ano, os jornalões anunciavam a idade das trevas no Brasil: as chuvas insistiam em não cair e um apagão geral e irrestrito era inevitável, graças à irresponsabilidade, à incompetência, ao desastre do governo petista.
Teve gente que acreditou e, como nos tempos de de FHC, comprou velas para se precaver do desastre.
Como se viu depois, não faltou energia. 
Ao contrário, a conta de luz caiu, novas usinas foram inauguradas, o sistema energético brasileiro se mostrou muito seguro.
Mas os jornalões fizeram a sua parte na guerra empreendida pela oligarquia para derrubar os trabalhistas, como bons e disciplinados soldados.

Hoje, com a estiagem prolongada, o abastecimento de água da região metropolitana de São Paulo está perto do colapso.
Ninguém da chamada “grande imprensa” parece se preocupar com isso.
A exceção talvez tenha sido o moribundo Estadão, que deu uma matéria, a respeito. 
Sem muito destaque, é bom que se diga.
Mas estava escrito lá:
“Com o mais baixo volume de chuva da história para o mês de dezembro, os reservatórios do Sistema Cantareira – principal fonte de abastecimento de água das regiões metropolitanas de São Paulo e Campinas – atingiram seu pior nível de armazenamento dos últimos 10 anos. Em uma época que eles deveriam ser recarregados, as represas estão com 25% de sua capacidade e liberando água para garantir o abastecimento nesse atípico período de seca no verão.
O cenário colocou em estado de atenção a Companhia de Abastecimento do Estado de São Paulo (Sabesp) – que opera o Cantareira -, companhias de água do interior e órgãos gestores das bacias hidrográficas, que emitiram alertas essa semana sobre o risco de desabastecimento nos próximos meses, caso não comece a chover em maior volume.
“É um cenário bastante preocupante. De dezembro a fevereiro são os meses que chove muito. É quando é feito o armazenamento de água nos sistemas para garantir o abastecimento durante o inverno, que chove muito pouco”, explica José Cezar Saad, do Consórcio das Bacias do Piracicaba, Capivari e Jundiaí.”
A situação de hoje, domingo, dia 12 de janeiro, segundo a própria Sabesp, é a seguinte: Cantareira está com 25,3% de sua capacidade. Há três meses, tinha 39%; há um ano, 49,2%.
Não se vê, na televisão, nenhum apelo veemente das autoridades paulistas para que a população economize água.
Não se vê, na imprensa, nenhuma manchete alertando para a gravidade do problema.
Como se sabe, São Paulo é um feudo tucano há duas décadas.
Há 20 anos, portanto, a mídia paulista blinda as administrações estaduais.
Elas não fazem nada de errado, nunca mereceram e nunca vão merecer manchetes negativas.
A Sabesp é uma estatal que investe muito em publicidade – até mesmo em outros Estados, coincidentemente em época de eleição.
Mas vai ser difícil convencer a população da qualidade de serviços prestados pela
empresa se em alguns meses for anunciado, por exemplo, um rodízio no abastecimento de água.
Seria um vexame e tanto para
o Estado mais rico da federação.
E para essa notável administração tucana,
que tira de letra qualquer denúncia
sobre a lisura de suas ações, que são, é claro, sempre em favor do contribuinte, sempre a favor do interesse público.

 

http://is.gd/Bwd2hC

Redação

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