4 de junho de 2026

Os causos de pescaria do Dito Mota

Por saci
 
Um causo da região de Pouso Alegre:
 
Dizem que tinha um senhor que mentia muito, cujo nome era Dito Mota. O Dito ficou tão famoso por suas invenções que seu nome virou sinônimo de mentiroso na cidade. Toda vez que alguém era pego na mentira, era advertido por um : ô, Dito Mota! 
 
Como todo mentiroso, Dito gostava de pescar. Um dia, estava um grupo de pessoas na beira do rio e alguém achou um tatu morto. Tão logo o Dito apareceu pra pescar, o pessoal combinou de pregar uma peça nele. O combinado era que um grupo o distrairia enquanto outro colocaria o tatu no anzol da vara dele. O pessoal puxou prosa com o Dito que até esqueceu da vara . Quando ele olhou, viu que tinha fisgado alguma coisa. Correu para a vara e, sem nenhuma surpresa, se deu conta de que era um tatu. Tão logo percebeu, comentou com o pessoal: 
 
– Depois o povo fala que eu sou mentiroso, já é o terceiro tatu que eu pesco neste rio. 

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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6 Comentários
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  1. Stanilaw Calandreli

    3 de janeiro de 2014 1:34 pm

    Essa é boa!!!

    kkkkkkkk

  2. geanmavi

    3 de janeiro de 2014 2:36 pm

    Kkkkkkkkkkk também!

    Kkkkkkkkkkk também!

  3. JAIRO FONSECA

    3 de janeiro de 2014 2:38 pm

    CAUSO DE PESCADOR MINEIRO

    Três amigos da pequena cidade de Conselheiro Pena foram pescar e levaram bastante pinga. Chegaram no barranco do rio e lá começaram a lançar as varas no rio. Pinga daqui, pinga de lá, um pedacinho de angu duro para o belisco e um torresminho de tira gosto. Um ficou muito bêbado e sabe cumé qui é as coisa. Noutro dia, ele estava com um dor muito forte na rabo. Cidade pequena, todo mundo pudia saber né! Foi pro médico locar e explicÔ pro dotor o que havia acontecido e disse que ficou o tempo todo da pescaria sentado num TOCO. Talvez fosse este o motivo de tanta dor no rabicó. Dotor examinou, examinou o butãozinho do mineirim e tascou: ocê num sentô no TOCO não, rapaz!  Ocê sentou foi na PIROCA.

    – tá doido moço? Ocê acha que eu sentá numa piroca? Bradou o mineirim.

    Tá bão, piraca, toco, toco, piroca.

    Não vamos discutir não! Falou o doutô.

    Eu vou colocar aqui na mesa, dois remédios:

    – um para quem sentou no toco.

    – outro para quem sentou na piroca.

    Cê escolhe bem, se tomar errado a situação vai piorar e muito pro seu lado.

    Doutô eu vou levá o remédio pra quem sentô na piroca, MAS QUE EU SENTEI NO TOCO, ISTO EU SENTEI! 

    1. Gilson Raslan

      3 de janeiro de 2014 3:18 pm

      kkkkkkkkk

      Muito boa.

      Mas que existe muito paulista, carioca (principalmente), gaúcho (com certeza) que diz ter sentado no toco e leva remédio para quem sentou em piroca, isto tem.

  4. Cafezá

    3 de janeiro de 2014 2:46 pm

    Tuta Curvo

    Eu sei de uma boa história de assombração que me foi contada por meu avô. Eu era criança e alguns detalhes me escaparam da memória. Por esse motivo, remonto o conto  com alguns adendos de minha imaginação. Como não podia deixar de ser, o acontecido se deu em uma cidade do interior de Minas. Havia um moinho encrustado na encosta de uma montanha bem próxima da cidade. Era muito antigo e tinha sido desativado, e todo o maquinário retirado, há vários anos. E foi justamente numa noite de lua cheia, que o povo da cidade foi acordado pelo ruído do moinho em funcionamento. Passava das dez horas quando o estranho e intermitente “plá… plá… plá… plá…plá..plá.plá.plá.plápápá…” foi ouvido por todos. O alvoroço estava criado e começado, todos saíram de suas casas desconfiados, a ver se aqueles sons de fato partiam de onde imaginavam, do véio muím.

    Um grosso do povo se aproximou do grupo em que estavam o prefeito, o delegado, o padre e o juiz, tendo este o apelido de demonho, por jamais condenar os ricos, apenas os pobres. Olhavam-nos com olhares interrogativos, aguardando que tomassem alguma decisão. O prefeito foi o primeiro a falar:

    – Ieu achu qui o sior délegadu i seus sórdadus dévil di subí inté u muím pá isclarecê essa istranheza.

    O delegado arreganhou os olhos e respondeu sério:

    – U sior préfeitu mi adiscurpi, maisi ieu num achu qui deva di sê ieu a subi lá, isso é coisa da arçada du padri, purque só pódi  sê assombrassão qui tá lá trabaianu, num sei purquê. U padri tem di benzê u locar, pá mandá di vórta as almas apénadas.

    Quando o juiz ouviu o delegado dizer “almas apénadas”, começou a dar uns passinhos para trás, para tentar se separar do grupo. Algo nele, um medo difuso, dizia que devia escapar de qualquer responsabilidade.

    O padre, por sua vez, procurou ponderar:

    – U délegadu está ciértu, ieu vô lá benzê u muím, maisi ieu vô ficá a meio quilómetru lonji, purque isso basta preu fazê us meus trabaios de sacerdóti i pô fim nissu.

    O povo aplaudiu, concordando com a decisão do padre, que demonstrava coragem e decerto iria resolver o problema.

    O padre saiu e rapidamente retornou vestido com sua batina especial e uma dúzia de beatas arregaladas e sorridentes:

    – Lá mi vô, qui nuósso sior Jésuis Cristu nus ajudi.

    E foi mesmo! Acompanhado pelas beatas, que portavam vários crucifixos e velas, começou a subir a trilha que levava ao moinho na montanha.

    Todos ficaram com os ouvidos atentos, esperando que o benzimento fizesse com que o moinho parasse e que as almas fossem reenviadas para descanso eterno.

    Ao cabo de uma hora, o moinho ainda batia. O povo ficava cada vez mais angustiado, já imaginando que o padre não conseguira sucesso. Até que o padre e sua comitiva retornaram desconsolados. E o prefeito foi logo dizendo:

    – U sior num cunsiguiu nada, será qui chegô a vê arguma coisa?

    – Não sior, a genti só iscuitava maisi di pérto os barui du muím, maisi num vimu nada. Ieu benzi i fiz tudos os trabai, mais num adiantô.

    O prefeito, então, exortou a que todos retornassem para suas casas e que tivessem fé que na noite seguinte os ruídos acabassem. Alguns ficaram na praça e notaram que o moinho parou assim que o sol nasceu.

    Mas não, para espanto geral, nas noites seguintes tudo se repetira, o moinho continuava firme nas suas batidas e ninguém tinha coragem de subir a montanha para ver com os próprios olhos as almas trabalhando. O medo do povo crescia e ninguém conseguia dormir tranquilo, pensado naquele estranho acontecimento. Foi quando algumas pessoas do povo se lembraram de Tuta Curvo, um homem muito corajoso que morava na cidade vizinha. Quem sabe ele não ia abrir o moinho e terminar com tudo aquilo? Ao menos, eles saberiam o que acontecia no interior daquele local. Porém, havia um problema, Tuta Curvo tinha sido um bandido jagunço muito temido e metia medo em qualquer um, embora estivesse regenerado. Tendo cumprido pena de dez anos no presídio de Belo Horizonte, havia encontrado a Mirtes, uma moça muito bonita que por ele se apaixonara. Então se lembraram que Tuta Curvo tinha um amigo na cidade. Sim! Era isso mesmo! Zeferino era compadre e grande amigo de Tuta Curvo. Foram ter com ele, que imediatamente partiu para trazer o amigo. Logo que chegou a casa de Tuta Curvo, Zeferino foi contando o motivo de sua visita. Tuta passou a mão na barba, bateu três vezes no peito, e disse:

    – Ieu resorvo eisse póbrema. Aminhã, ieu chego lá na praça um poco in antis da meia-noite, qui ié a óra ciérta di cuidá deisse tipo di cousa. Vô levá minhas armas i vô entrá nu muím pá passá fogo in tutas as cousa qui ieu vê, maisi avisa qui ieu vo querê pagamientu, um bão dinero. Ieu agarantu qui ispantu tuta éissa coisera.

    Zeferino voltou alegre e contou a novidade para toda a cidade, Tuta Curvo iria entrar no moinho e prometia resolver a questão. O prefeito, preocupado com as próximas eleições, se dispôs a fazer o pagamento do trabalho, mas desde que Tuta conseguisse sucesso.

    Na noite seguinte, faltando vinte minutos para meia-noite, Tuta Curvo chegou num cavalão, todo armado com duas espingarda, dois revolveres e um facão na cintura.

    Não quis conversa com ninguém, atravessou por entre o povo, pegou a trilha e foi subindo a montanha.

    O padre e povo se puseram a rezar e muitos se ajoelharam:

    – “Pão nuósso qui estais nu céu… Sarve rainha mãe di misericórda…

    De repente, começaram a ouvir muitos tiros e gritos. Todos olhavam para cima, tentando enxergar o moinho. E começaram a ver fogo, o moinho todo ficou iluminado por muito tempo, até que o ruído passou. Não demorou, Tuta Curvo reapareceu:

     

    – Jenti médrósa! Ucêis cagá nas carças pur nada. Ieu dei um jeitu. Tinha milhares di murcegos, ieu acendi um monti di tóchas i espantei tutas eiles. U barui das asas dus murcegos, batendo uns nos otros, paréci memo cum barui di muim, éira isso u qui tava acunteceno.             

  5. Sobrinho netto

    3 de janeiro de 2014 6:24 pm

    Dinheiro emprestado

    Em um bar e restaurante carioca (pode ser paulista também), no horário de almoço, entra um sujeito esbaforido e diz que sua mulher teve criança e que precisa de R$100,00 emprestados para levá-la de taxi até em casa; pede um, pede outro e a resposta é sempre parecida: se vire, você sabia a muito tempo que sua mulher iria parir e na hora que acontece você pede dinheiro emprestado? Nem se eu te conhecesse! Isso é golpe do João sem Braço.

    Um mineirinho estava presente prestando atenção no desenrolar, o sujeito se aproxima dele e pede o dinheiro, ele empresta e recebe a promessa de que até as oito horas da noite ele paga.

    A gozação foi geral: mineiro bobo; seu dinheiro bateu asas; vai ser trouxa assim lá em Minas; panaca, me empreste mil!

    Ele diz que viu sinceridade no moço e que acredita que ele cumprirá o trato, pagando o dinheiro emprestado e que se alguém quiser apostar que ele receberá, estão abertas as apostas.

    Apostou uma enorme importância e ficou aguardando e recebendo novas gozações.

    Faltando poucos minutos para as oito horas, o “pai” entra no bar e paga a importância, agradecendo muito a confiança nele depositada. O mineirim recolheu todas as apostas e saiu bem satisfeito.

    Qual não foi a surpresa de um desconfiado ao ver que os dois malandros estavam dividindo o dinheiro das apostas em uma esquina próxima!

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