5 de junho de 2026

Cem anos atrás: por que os banqueiros criaram o Fed

Sugerido por Stanilaw Calandreli

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A charge é do livro U. S. Money vs. Corporation Currency de Crozier.-National Reserve Association foi o plano de Aldrich, a proposta republicana derrotada. O plano dos democratas, após a eleição de Wilson, se tornou o Federal Reserve System. A proposta eleita foi a que tinha mais controle do governo federal. 

Do Ludwig Von Mises Institute

Christopher Westley

O Partido Democrata ganhou destaque na primeira metade do século XIX como o partido de oposição ao Second Bank of the United States. Para isso, ele tirou proveito de um sentimento “anti estado” tão forte, que não veríamos outro igual até o próximo século.

Seus adversários foram os políticos do partido Whig, que defendiam o banco e sua capacidade de desenvolver, ao mesmo tempo, tanto as fortunas do governo como as suas próprias fortunas pessoais. De fato, eles foram muito claros sobre tais arranjos. Consideravam como procedimento padrão, que os representantes do Whig recebessem compensação monetária por seu suporte ao Banco quando saíssem do Congresso. O representante do Whig, Daniel Webster, até pretendeu receber pagamentos anuais, enquanto esteve no Congresso. Uma vez se queixou ao presidente do Banco, Nicholas Biddle: “Eu acredito que meus adiantamentos não foram renovados ou atualizados como de costume. Se desejarem que minha relação com o Banco seja continuada seria bom enviarem meus usuais adiantamentos”.

Não foi a toa que essas pessoas, frequentemente, eram agredidas por bengaladas no plenário da Câmara.

Não é, também, de admirar que os antigos Democratas recebessem tal apoio popular e demandassem que o presidente Andrew Jackson pusesse fim à experiência americana com o Banco Central. Andrew Jackson o chamou de “perigoso para a liberdade do povo americano porque representava uma fantástica centralização do poder econômico e político sob o controle privado”.

É difícil de acreditar que agora o cara que disse isso está na nota de US$ 20,00.

Andrew Jackson também advertiu que o Banco Central dos Estados Unidos era “um enorme motor de propaganda eleitoral”, que poderia “controlar o governo e mudar o seu caráter”. Tais sentimentos foram ecoados por Roger Taney, o Secretário do Tesouro de Jackson, que citou a “influência corruptora” do Banco e sua capacidade de “influenciar as eleições”. (Os Whigs se vingariam do futuro Chefe de Justiça (1833-1864), quando Abraham Lincoln, em resposta a um parecer com o qual discordou, emitiu o mandado de prisão de Taney).

Mas o namoro entre as classes políticas e seus favorecidos continuaria nas décadas seguintes ao assassinato de Lincoln. Esses grupos politicamente bem relacionados que se beneficiaram do antigo Banco Central continuaram a se beneficiar dos financiamentos do governo, especialmente fora das “melhorias internas”, que é o termo do século XIX para “pork” (política de clientelismo). O sistema de bancos nacionais começou a aparecer durante a guerra entre os estados, onde os bancos individuais receberiam a carta-patente do governo federal. O próprio governo se valeria dos regulamentos protegidos por uma nova força policial armada do Tesouro Nacional, para incentivar a inflação dos bancos e protegê-los contra as penalidades do mercado que a inflação, pelo outro lado, traria, tais como a perda de espécies e ocorrência de corridas aos depósitos.

Os ciclos fartura-falência (boom and bust), explicados pormenorizadamente pela Escola Austríaca, tornaram-se cada vez pior até 1913. Sendo que ao surgir a Era Progressista (1890’s-1920’s) os gastos com guerra, bem-estar e com a pressão sobre os bancos para inflarem, a fim de financiar esta atividade, os ciclos “boom and bust” pioraram ainda mais. Uma tentativa que salvaria esse período foi a obrigação de os bancos internalizarem suas perdas. Quando os bancos enfrentassem uma corrida às suas moedas, financiadores privados iriam socorrê-los. Mas este acordo não durou, portanto, quando as perdas cresceram, esses financiadores secretamente se organizaram para reintroduzir um banco central nos Estados Unidos, e engenharam uma necessidade urgente de um novo “emprestador de último recurso”. O resultado foi o Federal Reserve.

Esta foi a socialização implícita do setor bancário nos Estados Unidos. O povo chamou a Lei do Fed de a Lei da Moeda, porque criou uma burocracia para assumir as funções de geração de moeda dos bancos membros.

Isso foi como o Patriot Act, pois ambos foram projetos de leis centralizantes, escritas com anos de antecedência por pessoas que esperaram o ambiente político adequado para apresentá-las. Foi como a atual lei da saúde, onde as empresas cartelizadas do setor privado escreveram boa parte da legislação às portas fechadas, muito antes de serem introduzidas no Congresso. Foi desnecessário. Se os bancos simplesmente fossem tratados nos padrões semelhantes aos de outras indústrias mais eficientes – o Estado de Direito no mínimo – muito menos bancos fraudulentos teria existido. Havia instituições do mercado que penalizariam os bancos que emitissem mais moedas do que devia, causando corridas bancárias e crises financeiras. Como Mises escreveria mais tarde:

O que é necessário, para evitar uma maior expansão do crédito, é colocar o negócio bancário de acordo com as regras gerais das leis comerciais e civis, que obriga cada indivíduo ou empresa a cumprir todas as obrigações em plena conformidade com os termos do contrato.”

A lei foi aprovada com bastante facilidade, em parte porque os democratas, diferente do que acontece hoje, tinham larga maioria em ambos os Congressos. Havia diferenças significativas que foram resolvidas em conferência, como a exigência de apenas 40 por cento em reserva de ouro para bancar nova moeda. Então, ao invés de uma relação de 1 para 1 entre o ouro e moeda emitida – uma proporção que sempre definiu o saudável mercado bancário, desde a época da Renascença italiana – as novas notas do Federal Reserve estariam infladas, por lei, em uma proporção de 1 para 2,50.

O projeto de lei, que foi elaborado primeiramente em Jekyll Island, foi assinado por Woodrow Wilson no Escritório Oval da Casa Branca logo após a aprovação do Senado. Em um momento durante a cerimônia de assinatura, quando pegou a caneta de ouro para assinar o projeto de lei, ele declarou em tom de brincadeira “Estou sacando a reserva de ouro”.

Palavras mais verdadeiras nunca foram ditas.

Os bancos centrais sempre resultaram em alimentar as forças que centralizam e expandem o Estado-nação. As políticas do Fed nos anos 1920, tão bem documentadas por Rothbard, provocariam a Grande Depressão, o que, no final, levou o poder político das cidades e dos estados para o pântano de Washington. Hoje, as pessoas levam mais a sério o assunto, e desconfiam da afirmação que o dinheiro impresso pelo Fed solucionará todos os problemas, pois a cada década assistimos uma parte maior da população tornar-se dependente de sua inflação.

E ainda, as crenças de Andrew Jackson sobre a perniciosidade do Second Bank of the United States são totalmente aplicáveis ao Federal Reserve atual.

Tomara que no futuro não muito distante vejamos a face de Jackson, com seu nariz aquilino e cabelo despenteado, estampada em uma moeda lastreada em ouro emitida por iniciativa privada.

Christopher Westley é professor adjunto do Ludwig von Mises Institute. Leciona no College of Commerce and Business Administration da Jacksonville State University

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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  1. Antonio C.

    30 de dezembro de 2013 11:50 am

    Comentário.

    Cuidado com essa postagem, ela é contraditória. Ora fala de poder privado, ora fala de ter influência governamental (o que sugere a independência do Federal Reserve como alternativa, algo como independência do Banco Central, que o imprensalão vive declarando). Sugiro o documentário “The Money Masters”, em http://www.youtube.com/watch?v=EeIM-4hJO44. Eu sugeri em postagens anteriores, paciência…

  2. Jorge Nogueira Rebolla

    30 de dezembro de 2013 12:08 pm

    Só pode ser sacanagem…

    … “Tomara que no futuro não muito distante vejamos a face de Jackson, com seu nariz aquilino e cabelo despenteado, estampada em uma moeda lastreada em ouro emitida por iniciativa privada.”

    Thomas Jefferson não gostaria de ser homenageado numa moeda emitida por um banco privado!

    “Acredito que as instituições bancárias são mais perigosas para as nossas liberdades do que o levantamento de exércitos. Se o povo Americano alguma vez permitir que bancos privados controlem a emissão da moeda, primeiro pela inflação e depois pela deflação, os bancos e as empresas que crescerão à roda dos bancos despojarão o povo de toda a propriedade até os seus filhos acordarem, sem abrigo, no continente que os seus pais conquistaram.”

    Thomas Jefferson, 1802

    Acredito que esta é uma boa imagem para representar o sistema financeiro:

  3. DanielQuireza

    30 de dezembro de 2013 1:37 pm

     Criaram o FED porque todo

     Criaram o FED porque todo País com sistema financeiro minimanente organizado precisa de Banco Central.

    Simples assim.

  4. Centralino

    30 de dezembro de 2013 11:28 pm

    Quanta simplicidade!

    Assunto bem complexo para ser tão “simples assim”.

    Só não pode ser privado.

    Aí pode até ser mais simples assim….

  5. Stanilaw Calandreli

    30 de dezembro de 2013 11:35 pm

    Emprestador de último recurso

    Entre as funções do nosso Banco Central temos o depósito compulsório sobre depósito em conta corrente (40%), o compulsório sobre depósitos a prazo que vigorou apenas durante um determinado período da primeira fase do Plano Real (1996 a 1998).  Depois, foi abolido (ficando em seu lugar a necessidade de depositar títulos do Tesouro junto ao Banco Central).  Só voltou a vigorar em abril de 2010, e sua taxa é constantemente alterada, variando de 15% a 20%.  Ou seja, durante a maior parte da história recente não havia tal instrumento.  Mesmo assim os bancos driblam o controle e aumentam o crédito bancário. É o milagre da migração de contas que abre espaço para a expansão do crédito bancário, a partir do nada. Mas, e se houver uma corrida ao banco para sacar os depósitos à vista?

    É exatamente aí que entra o “emprestador de último recurso”, garantindo contínuas injeções de reservas bancárias e impressões de dinheiro (via Casa da Moeda) de modo a não abalar a continuidade do processo.

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