Por Andre Borges Lopes
Comentário ao post “Para entender a compra dos Gripen“
“Quando o Brasil adquiriu os Tucanos, coube à Embraer a assimilação da tecnologia, que lhe foi de plena valia no desenvolvimento posterior dos seus aviões comerciais. Tornou-se um player internacional e um fabricante de aviões de treinamento militar”
Nassif, creio que há uma confusão aqui: os Embraer EMB-312 (Tucanos) são pequenos turboélices de treinamento militar que foram desenvolvidos pela Embraer com projeto próprio e tiveram sucesso comercial na exportação para diversos países – entre eles a França e, numa versão aperfeiçoada (Short Tucano), a RAF britânica. Desse Tucano original derivou o Embraer EMB-314 (Super Tucano), avião turboélice de ataque leve, maior sucesso do fabricante até o momento no setor de aviação militar.
O projeto caro e controverso foi o do AMX – parceria com os italianos como o Ulisses já explicou em seu comentário – um pequeno jato subsônico de ataque que, embora equipe ainda hoje as forças aéreas do Brasil e da Itália, nunca ganhou um contrato de exportação. Mas foi o AMX primeiro avião a jato em que a Embraer participou do desenvolvimento, já que os treinadores Xavante (EMB-326) comprados pela FAB nos anos 1970 eram um projeto pronto da Aermacchi, inteiramente italiano, que foi apenas montado no Brasil sob licença.
O AMX foi fundamental para dar à Embraer a tecnologia de desenvolvimento de aviões a jato com desempenho na faixa do alto subsônico. Aliado à experiência com os turboélices de passageiros Bandeirantes (EMB-110), Xingu (EMB-121) e Brasília (EMB-120) permitiu à empresa desenvolver a família de jatos regionais ERJ-145/140/135, primeiro grande sucesso comercial do fabricante brasileiro no mercado da aviação regional, com mais de 900 aeronaves comercializadas.
A parceria com os suecos no Gripen NG é uma oportunidade de repetir esse desenvolvimento compartilhado, com boas possibilidades ganhos de tecnologia para a Embraer e outras empresas nacionais na produção de jatos supersônicos de alto desempenho e de aviônicos de combate de última geração. Obviamente, há o risco de que os Gripen acabem custando mais caro do que a compra dos F-18 prontos e acabados, mas este não será um dinheiro desperdiçado.
Como comparação, os Mirage III – comprados novos em folha da França no início dos anos 1970 – eram jatos de caça já extensivamente comprovados em combate e deram à FAB um ganho imediato em capacidade de dissuação, que (felizmente) nunca precisou ser usada. Custaram ao País uma pequena fortuna em aquisição e, especialmente, custos de operação. Ficaram mais de 30 anos na ativa, dos quais os últimos 20 como brinquedos voadores quase inofensivos e obsoletos. Algumas unidades foram “aposentadas por idade” em excelente estado de operação em função do baixo número de horas voadas. E os Mirage agregaram quase nada ao parque tecnológico aeroespacial brasileiro.
Compara-se a opção brasileira com a escolha da Índia, um país que vive há décadas em pé-de-guerra com o vizinho Paquistão, tem uma relação intranquila com a China e possui uma Força Aérea guerreira e muito maior que a brasileira. Ao contrário de nós, os hindus precisam de capacidade imediata de dissuação e combate. Para o Brasil, há muitas vantagens em ser uma nação pacífica e sem vizinhos belicosos. Não há porque não nos aproveitarmos disso.
Filipe Rodrigues
27 de dezembro de 2013 5:42 pmO AMX foi um projeto bem
O AMX foi um projeto bem sucedido, onde o avião foi utilizado (Kosovo e Líbia) teve um ótimo desempenho.
No início dos anos 80, 4 países tinham o monopólio bélico (EUA, URSS, Inglaterra e França), um dos 1º a quebrar esse cartel foi o Brasil (afirmação 3º mundista) com a Itália (há pouco tempo proibida de investir em defesa como derrotada da 2ª guerra mundial).
A parceria Brasil/Suécia tem tudo para repetir e superar o que foi feito com os italianos.
Nos anos 90, com a redução dos investimentos em defesa, nem tudo para a Embraer foi flores ao tornar-se dependente de tecnologia americana após a privatização.
Assis Ribeiro
27 de dezembro de 2013 6:42 pmAndré Borges
Você precisa escrever mais aqui no blog.
A sua série sobre hidrelétricas é um primor.
As suas correções e adições ao texto de Nassif são bem interessantes.
junior50
27 de dezembro de 2013 7:39 pmSimples
Sem o AMX, não existirião os ERJs.
Vc. exagera quando diz que os Mirage III não agregaram nada ao parque industrial brasileiro: a culatra do DEFA 30mm e a fabricação de sua munição – SÓ, alem é claro, de nos ensinar – novamente – a arrogancia gaulesa.
Ilya Ehrenburg
29 de dezembro de 2013 4:24 amA Embraer aprendeu mais com o
A Embraer aprendeu mais com o contrato de fornecimento de spares para o MD-11, e depois com o contrato de spares para Northrope, do que com o AMX, que foi uma dor de cabeça sem fim.
Creio que você precisa se informar, caro Junior50, pois repetes lendas…
A história do AMX, é uma história de custos crescentes de um projeto que até hoje, em sua modernização de meia vida, não entregou o que prometeu.
😉
Cheiodeperna
27 de dezembro de 2013 8:32 pmGrippen ou Gripe
Não sou um expert em aviação mas já hackeie dezenas de equipamentos inclusive um radar. A Embraer não conseguir embarcar turbinas , avionics, e sistemas de armas num caça depois do sucesso dos Tucanos (desenvolvimento próprio) e da produção de jatos comerciais me soa mutio mal. Pagamos uma fortuna pela tecnologia do AMX e ainda assim não conseguimos adquirir capacidade tecnologica para produzir o “hardware” de caças? Até hoje não adquirimos conhecimento na area de avionics e do datalink (comunicação de dados?). Quanto custariam estes caças se não tivessemos feito um pacotão com a tal “transferencia de tecnologia” que nunca acontece? Eu cheguei a ver uma critica a politica israelense de adquirir a plataforma voadora e desenvolver os avionics e armamento proprio. Somos sempre muito espertos! Para mim esta decisão foi eleitoreira para no ano que vem Dilma dizer que peitou os americanos.
Athos
28 de dezembro de 2013 6:56 pmNáo existe pacotáo.
Todos os
Náo existe pacotáo.
Todos os ~fabricantes~de aeronaves sáo montadores.
A náo ser que vc me diga que a Boing fabrica turbinas, radares e misseis…
La La
28 de dezembro de 2013 1:18 amAMX projeto de sucesso
Não sou do ramo, mas das informações que tenho, se o projeto AMX com os italianos não foi um sucesso absoluto em termos comerciais e de assimilação de tecnologias militares de defesa, foi um sucesso espetacular em termos de tecnologia aérea a jato. para a EMBRAER.
Foi com os conhecimentos adquiridos no projeto AMX que a EMBRAER partiu para se transformar na terceira industria de aviação de jatos comerciais regionais ( http://www.aviacaocomercial.net/ejets.htm ) adquirindo porte para poder agora alçar voos mais autos na aviação militar como o projeto do avião cargueiro KC390 ( http://www.aereo.jor.br/tag/kc-390/ ) e agora quem sabe aeronaves de combate.
Ilya Ehrenburg
29 de dezembro de 2013 2:48 amO AMX foi uma história de
O AMX foi uma história de terror…
O projeto tinha asas que se mostraram abaixo do padrão. Teve que se recorrer a Northrope para que esta viesse a desenhá-las novamente. Depois percebeu-se que as asas precisavam ser reforçadas, e que havia necessidade de mudar o centro de gravidade do avião… Depois de tantas idas e vindas, houve da parte italiana e brasileira cortes de unidades encomendadas, o projeto mostrou-se sem mercado, e devido a pequena escala de produção associado ao total dos investimentos, a aeronave ficou duas vezes mais cara do que um F-16!
O FAB acabou por ter a sua capacidade combativa comprometida, por uma aeronave que em nossos esquadrões voava incompleta, com trilhos inativos e sem IFF…
E a Embraer acabou por ser contratada da MC Douglas para fazer partes em material composto para o MD-11, ou seja, não se precisava ter embarcado no AMX para buscar ToT (Transferência de Tecnologia).
Essa é uma vertente pouco comentada sobre o AMX, talvez seja por vergonha, posto que o projeto Gripen NG também apresenta riscos, como de resto qualquer projeto.