Anistia promovida por Putin beneficia também as duas músicas punk, que haviam sido sentenciadas a dois anos de prisão. Primeira a ser libertada, Maria Alyokhina diz que soltura é apenas ação de marketing do presidente.
As duas últimas integrantes da banda Pussy Riot que ainda estavam presas na Rússia foram libertadas na manhã desta segunda-feira (23/12). A música punk Maria Alyokhina, de 25 anos, teve sua soltura confirmada pelo advogado. Ela estava numa prisão na cidade de Nishi Novgorod, no oeste do país.
Poucas horas depois, a colega dela Nadezhda Tolokonnikova, de 24 anos, foi libertada de um hospital prisional em Krasnoyarsk, na Sibéria.
Alyokhina e Tolokonnikova havia sido presas com mais uma colega de banda em março de 2012 e, em agosto, foram condenadas por ato de vandalismo motivado por ódio religioso.
Em fevereiro do mesmo ano, as integrantes do grupo haviam realizado um ato de protesto contra o presidente Vladimir Putin na catedral da Igreja Ortodoxa russa em Moscou.
O protesto punk das meninas coincidiu com o triunfo de Putin nas eleições de março de 2012, quando retornou à presidência do país.
Logo após deixar a prisão, Alyokhina declarou que sua libertação era apenas uma ação de marketing e não deveria ser vista como um gesto humanitário do presidente.
Anistia para presos políticos
O Parlamento russo aprovou na quarta-feira passada a medida do presidente Putin que estabelece a anistia. Mais de 20 mil prisioneiros poderão ser libertados, muitos dos quais são considerados presos políticos.
O ex-magnata do petróleo e opositor russo Mikhail Khodorkovsky, considerado o preso político mais importante da Rússia, deixou na sexta-feira passada a colônia penal onde estava detido no noroeste da Rússia e viajou imediatamente para a Alemanha.
A soltura de Tolokonnikova e Alyokhina era prevista para março de 2014, depois do cumprimento da pena. A outra integrante que havia sido detida, Yekaterina Samutsevich, foi libertada em outubro passado, por determinação da Justiça russa.


Luiz Antonio Antunes Machado
24 de dezembro de 2013 12:49 pmLiberdade de expressão
Este tal de Putinho não é mole. Prender as meninas por uma manifestação pacífica. Pelo menos, até onde ficamos sabendo não houve danos maiores. A liberdade de expressão que era negada pelo regime da antiga União Soviética ainda não é uma constante no “democrático” novo Estado Russo. -E muito difícil se livrar de uma tradição de mandonismo e atoritarismo, que já era empregada pelo Estado Czarista, continuou com o Estado Soviético e está difícil de se afastar com a “Nova Rússia”. Muito exagero e marketing. Enquanto isso as máfias russas usam e abusam de crimes, inclusive o terrível tráfico humano.
alexis
24 de dezembro de 2013 12:50 pmIndulto de Natal
Para mais de 20 mil prisioneiros, aprovado pelo parlamento Russo, incluindo aquele magnata petroleiro (o prisioneiro mais importante da Rússia, segundo o texto). Então, o que torna tão importante a libertação daquelas duas moças para merecer o post?
Gunter Zibell - SP
24 de dezembro de 2013 2:47 pmRússia quer maquiar opressão a opositores para Sochi-2014
http://www.portugues.rfi.fr/node/165064
Ilya Ehrenburg
24 de dezembro de 2013 5:29 pmNadezhda Tolokonnikova
Será que serei o único a observar a beleza do rosto de Nadezhda Tolokonnikova?
Um semblante encantador, sem dúvida.
Mas… É preciso entender um motivo básico da repressão às meninas do “Pussy Riot”, bem como ao movimento LGBT na Rússia.
A Rússia é a nação com a maior extensão territorial do mundo, possui seis fusos horários, e o seu território conta com inúmeras riquezas minerais, bem como de reservas de gás e petróleo, a serem exploradas. No entanto, a população russa encontra-se em declínio demográfico…
Isso fez com que o governo russo viesse a tratar esse problema com perspectiva de segurança nacional, motivo pelo qual o levou a fazer campanhas pró-natalidade, com incentivos financeiros para que os casais tenham filhos. Neste contexto, se insere, também, a Igreja Ortodoxa, que após estar submersa no ostracismo durante a era soviética, agora renasce como sustentáculo ideológico do Estado Russo. A Rússia de hoje aproxima-se daquela de 1917, pré-revolução, mas sem o Tsar…
Um estado preocupado com taxas de fertilidade e que tenha uma organização religiosa, como a Igreja Ortodoxa, com apoio explícito do Estado, tende a ser conservador ao extremo, desta maneira, observamos o motivo do mal-estar com a comunidade LGBT, ou com ativistas ingênuas como as meninas do Pussy Riot.
Quanto ao Greenpeace a história é outra… Esta ONG é useira em fazer manifestações contra a exploração de recursos naturais em nações emergentes, ou que estejam fora da órbita política de Washington, mas cega em denunciar as agressões ambientais da UE (União Europeia) e dos EUA. Não me enganam, deles tenho toda desconfiança possível, e algo mais.
Assim caminha a Rússia. Ela não participa do atual xadrez geopolítico na África, e direciona os seus interesses para a Ásia Central e Leste da Europa. Não é uma nação de movimentos geopolíticos agressivos, posto que estes se dão em geral em sua periferia, caso da Ucrânia, Geórgia e os demais ex-estados soviéticos, mas, a Rússia é sensível aos movimentos políticos do ocidente, e entende, que as demandas de cunho cultural, que lhe são apresentadas como exigências, caso da pressão externa em favor das minorias sexuais da Rússia, como um cavalo de troia, ou seja, uma arma de desestabilização política interna, algo que é reforçado pela demagogia dos líderes ocidentais, que condenam a discriminação às minorias sexuais na Rússia, mas se calam contra a opressão explícita da monarquia saudita à condição feminina. Dois pesos, duas medidas… É o costume, desde que o mundo, tornou-se, mundo.
Meu nome é César A. Ferreira. “Ilya Ehrenburg” é o meu avatar em fóruns de Defesa.
Gunter Zibell - SP
24 de dezembro de 2013 6:46 pmExplica (aliás, é quase o
Explica (aliás, é quase o discurso oficial russo, não raro expresso na “Voz da Rússia”), mas não justifica.
E nos últimos meses andam apontando as munições para o aborto.
Então, um momento “Gazeta Russa”…
As economias centrais ocidentais viveram já essa questão demográfica e a resolveram com imigração. Na Alemanha atual 20% dos moradores são imigrantes ou descendentes. No Canadá e Austrália entre 25 e 30%. Nos EUA 15% de estrangeiros natos (sem contar 3% de imigrantes indocumentados.)
E todo mundo sabe que reprimir LGBTs não os faz terem mais filhos, antes os faz fugir.
Se fosse sincero o desejo de autoridades russas em resolver a questão demográfica não seriam tão xenófobos e aceitariam imigração da Ásia Central ou Leste Europeu.
Eu acho improvável, mas nada impede que países ocidentais resolvam seus próprios problemas de demografia, quando as condições econômicas melhorarem, oferecendo asilo a LGBTs. Mão-de-obra formada e que não impactará sistemas sociais nos países de destino, não? Muito triste para LGBTs se apenas virem isso como caminho, terão que deixar as famílias, as terras e os amigos que sempre amaram.
O argumento “Arábia Saudita” não convence mais por vários motivos:
– esse país faz o que os países condenados por LGBTs ou feministas fazem, isto é, não tem sentido dizer “eu faço errado por que ele também faz”. Os que criticam os EUA por não pressionar Arábia Saudita também não fazem críticas a países islâmicos e do Leste Europeu em geral. é um argumento capcioso, portanto.
– não há simetria: a Arábia Saudita e Israel (condenável pela relutância em reduzir as tensões do apartheid local, mas não condenado por LGBTs e feministas) são satélites e dependentes. Podem ser comparados com Síria, com Cazaquistão. Comparações cabíveis são entre países no mesmo nível de independência e protagonismo. Ou seja, cabe comparar EUA, Japão e Reino Unido à Rússia, China e Irã.
– a Arábia Saudita é um regime feudal e é quase um caso desesperançador, nem eleições dignas do nome tem. E ainda não depende de ajuda financeira externa, apenas de fornecedores (e se EUA e França não fornecerem armas, China e Rússia o fariam alegremente.) O foco das críticas recai portanto a países que supostamente deveriam respeitar direitos humanos por se anunciarem como democracias. Não são, claro, como o regime norte-americano também é problemático, mas Rússia, Irã, Nigéria e Índia se apresentam, se autodenominam como “democracias”.
Só que democracias baseadas em perseguições, mentiras e medievalismo?
Quem mais se omite hoje em dia sobre várias coisas são segmentos de esquerda que poupam Putin de críticas porque é o que restou de antiamericanismo.
A ver se isso continuará se os hidrocarbonetos caírem de preço com os fornecimentos alternativos de energia.
Quanto a dizer que o neofascismo russo se apoia politicamente em fundamentalismo religioso, é fato. Assim é em muitas “tiranias da maioria”. Processos similares se verificam em Nigéria, Angola, Egito, etc etc. Mais recentemente tem se notado como setores da esquerda latinoamericana flertam com isso. O processo sempre se dá escondendo das massas a realidade, o que entra em contradição com o antigo discurso de que é necessário instruir e conscientizar.
Ilya Ehrenburg
24 de dezembro de 2013 8:53 pmGunter Zibell…
Não tenho
Gunter Zibell…
Não tenho resistência alguma ao segmento LGBT, saiba.
E o paralelo que se pode fazer, é entender a Rússia como uma nação que agora entende o mundo pelos olhos do Pastor/Deputado Feliciano. Melhor… Por olhos mais ácidos, no caso, posto que os sacerdotes da Igreja Ortodoxa são ainda mais conservadores que o nosso histriônico Deputado Pastor…
Agora… Entenda uma coisa: enquanto houver pressão midiática por parte do ocidente, a repressão a comunidade LGBT não arrefecerá, mas fará, isto sim, aumentar. Russos não aceitam pressões externas, e reagem à elas.
😉
Gunter Zibell - SP
24 de dezembro de 2013 9:51 pmEu faço esse mesmo paralelo,
Eu faço esse mesmo paralelo, da intromissão da religião na política e do abandono do secularismo.
Só que não há razões para não haver pressões externas. O argumento que alguns russos usam, inclusive LGBTs, não desmotivarão as pressões. Os argumentos que não-LGBTs usam, menos ainda.
A maioria dos LGBTs russos acha bom que haja pressões, ainda que simbólicas, de fora.
Mas eu não questiono somente o regime da Rússia. Questiono também – e muito – a postura do autodenominado progressismo. principalmente no Brasil. Da Europa já tive alguns exemplos que não é assim.
Ficou uma coisa curiosa…
Pessoas, segmentos de mídia, etc criticando tudo que Obama (ou oposição no Brasil) falam a favor de LGBTs.
Isso sim é inequivocamente contrassenso.
Mas é assim que fazem, é assim que a credibilidade vai se esvaindo.
Paciência, né?