5 de junho de 2026

TV ignora Declaração Universal dos Direitos Humanos

Sugerido por MiriamL

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Da Carta Maior

Aos 65 anos, Declaração Universal dos Direitos Humanos é desprezada pela TV

Laurindo Leal Filho

Correndo solta, sem qualquer regulação, a TV se vê livre para atacar os Direitos Humanos impunemente. Não existem, como na Europa, órgãos reguladores com poder

(*) Artigo publicado originalmente na Revista do Brasil, edição de dezembro de 2013.
    
“King Kong, um macaco que, depois que vai para a cidade e fica famoso, pega uma loira. Quem ele acha que é? Jogador de futebol?” afirmou Danilo Gentili na TV. A um telespectador que contestou o caráter racista da frase respondeu pelo twiiter de forma a deixar ainda mais claro o seu preconceito: “quantas bananas você quer para deixar essa história prá lá?”

O moço é reincidente. Há algum tempo o alvo foi religioso. Sobre a polêmica da futura estação do metrô paulistano no bairro de Higienópolis, habitado por muitos judeus, disse: “entendo os velhos de Higienópolis temerem o metrô. A última vez que eles chegaram perto de um vagão foram parar em Auschwitz”.  Desculpou-se depois mas o estrago já estava feito. 
O que ele fez, e tantos outros na TV brasileira fazem, foi violar os Direitos Humanos, lembrados anualmente no dia 10 de dezembro, data que não é apenas comemorativa. É um momento importante para lembrar direitos ainda violados pelo mundo, entre eles o do respeito à dignidade humana e a não discriminação.

A TV que poderia ser um instrumento na defesa desses direitos tornou-se, no Brasil, o seu oposto. Basta assistir aos programas policialescos em rede nacional incentivando a violência ou àqueles regionais que, na hora do almoço, tripudiam sobre a desgraça alheia. Sem falar no desprezo com a dignidade da mulher, transformada em objeto nos auditórios, novelas e propagandas e as recorrentes piadas em torno da homossexualidade.

Correndo solta, sem qualquer regulação, a TV se vê livre para atacar os Direitos Humanos impunemente. Não existem, como na Europa, órgãos reguladores com poder para impor limites às emissoras. Não se trata de censura. Eles agem sempre a posteriori, a partir de demandas do público.

A pesquisadora Bia Barbosa realizou um importante trabalho sobre as violações de direitos humanos e a regulação de conteúdo da TV no Brasil, comparando com o que ocorre na França e no Reino Unido. Analisou casos de preconceito e ofensa contra grupos minoritários, violação dos direitos das mulheres, discriminação religiosa, banalização da violência e linguagem depreciativa. As conclusões, para nós, são desoladoras.

No Brasil, sem um órgão regulador, cabe ao governo de turno aplicar as poucas regras que existem, dispersas por vários ministérios e muitas vezes ultrapassadas historicamente, como é o caso do Código Brasileiro de Telecomunicações, de 1962. Mesmo assim as normas são  pouco aplicadas, na medida em que os governos evitam, por interesses políticos, qualquer tipo de atrito com os proprietários das empresas de TV.

Na França e no Reino Unido é diferente, os mecanismos de regulação são ágeis e as violações punidas com rigor. As multas são calculadas em função do faturamento dos canais. No Reino Unido, há um teto de 250 mil libras ou 5% da receita do canal (o que for maior). Na França, podem chegar a 3% da renda de uma operadora, indo a 5% em casos de reincidência.

Bia Barbosa colheu exemplos interessantes: a Belive TV, um canal pago inglês dedicado a mostrar soluções de problemas financeiros e de saúde através da fé, com pastores receitando sabonetes milagrosos no video, foi multado em 25 mil libras e obrigado a parar com o charlatanismo. Em 2012, outro canal religioso recebeu multa de 75 mil libras por realizer uma campanha dizendo que em troca de doações de mil libras, oferecia um “presente especial” e uma oração que aumentaria a saúde, a prosperidade e o sucesso do doador.   

Em meados deste ano, o canal inglês Channel Four exibiu uma série de programas onde a apresentadora Daisy Donovan percorre vários países do mundo revelando como é a televisão local. Um dos episódios tratou do Brasil. Daisy mostrou os programas Miss Bumbum, veiculado pelo MultiShow; Pânico, pela RedeTV!; e o policial Na Mira, da TV Aratu, filiada do SBT na Bahia. Depois de se surpreender com o concurso de beleza, ela perguntou: “se a TV brasileira é capaz de tratar uma mulher desta forma, haveria alguma barreira que ela não ultrapassaria?”

Sim, como a barreira dos Direitos Humanos que é ultrapassada todos os dias.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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5 Comentários
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  1. Juliano Santos

    19 de dezembro de 2013 12:38 pm

    Não gostaria de ficar falando

    Não gostaria de ficar falando desse Gentile, e similares, que é exatamente o que eles querem. Falem mal, mas falem de mim. São os subprodutos mais baixos da sociedade do espetáculo. Quanto mais “polêmico” e ‘ousado” mais espaço tem.

    Infelizmente a contradição é que quanto mais críticas receber, mais prestígio alcança. O “valor” desses caras se mede pelo número de boçais que o replicam no twitter e quanto de indignação provocam nos “chatos patrulheiros do politicamente correto”.

    1. Antonio Nonato

      19 de dezembro de 2013 7:15 pm

      Falta de talento se compensa

      Falta de talento se compensa assim mesmo. Eles pegaram esse nicho e através dele conseguirarm seu lugar ao sol. Mas eles nunca vão conseguir superar a contradição de serem pedra e depois chorarem que estão sendo vidraça. Criticam a tudo e a todos, com liberdade e libertinagem quase que totais, e a qualquer crítica “politicamente correta” a eles que seja, até mesmo críticas bem moderadas, eles saem atacando com um vigor poucas vezes visto. Infelizmente uma contradição primária dessas acaba por denunciar o nível do que esses “humoristas” (sic) tem a oferecer.

  2. Gilberto .

    19 de dezembro de 2013 2:16 pm

    De acordo, mas é necessário um pouco mais

    Claro que a influência da TV é alta na formação da consciência da população. 

    Mas é preciso avançar um pouco no tema. Todos nós deveríamos pensar um pouco a respeito.

    A violência brasileira, é um fato. É só olhar as estatísticas. 

    Cada um de nós é responsável por uma parte destes números. Seja em nosso comportamento no trânsito, nos centros urbanos e estradas, na forma com que tratamos nossos semelhantes, nas relações que mantemos em casa e no trabalho, etc.

    O tema dos direitos é fundamental para mudarmos definitivamente a questão social do país. Não adianta insistir em atribuir esta culpa exclusivamente ao “outro”.

  3. Durvalino

    19 de dezembro de 2013 3:03 pm

    …. a declaraçao universal

    …. a declaraçao universal dos direitos humanos eh impotente para proteger a humanidade.  precisamos sim de uma declaraçao universal para HUMANOS DIREITOS.

  4. Helcio dias de sa

    23 de dezembro de 2013 5:52 pm

    Tv ignora declararaço universal de direitos humanos.

    Interessantissimo:Se a moda pega no salvelindo pendão, como vai sobreviver o cartel midiatico sem o aluguel de horarios para  o bando de pastores milagreiros da tv,padres celebridades das capelas da divina grana onde o templo é dinheiro,Jesus é o caminho eles sao o pedagio.A tortura mental que aplicam nos angustiados espirituais enfiando a mão no bolso de todos sem dó nem piedade.Essa busca da lei da reconpensa que aplicam, iludindo os pobres de espirito que nem sabem o que é um céu e querem comprar a passagem com o dizimo,Não sei quem é mais   vigarista,o cobrador e recebedor de dizimos ou os pagadores que certamente querem uma moleza,um céu de puro amor,lindo,puro,uma vagabundagem generalizada,uma moleza,uma pechincha  entre estelionatarios.

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