PROMESSA É DÍVIDA: A CIRCULAÇÃO DAS EDIÇÕES DIGITAIS DE FOLHA, ESTADO E GLOBO
Por Ivson Alves
Pergunta pertinente feita por um leitor após ver os dados sobre as circulações dos três principais jornais do país, publicados semana passada (aqui): “As assinaturas das edições digitais não teriam compensado a queda dos impressos?”. A reposta é sim, como você pode ver nos números abaixo , obtidos pelos Honoráveis Conselheiros que têm me ajudado e aos quais agradeço de coração.
FOLHA

Saiu de 32.301 leitores da edição digital, em junho de 2012, para 60.859, em outubro passado, um acréscimo de 88, 4%. Em números absolutos, a elevação foi de 28.558, superando a queda de 21.259 leitores da edição impressa – um aumento bruto de 7.299 assinantes.
ESTADÃO

Teve um desempenho ainda melhor do que o de seu concorrente paulista. O número de assinantes da edição digital foi de 21.948, em junho do ano passado, para 50.972, em outubro deste – um espetacular salto de 132,23% (29.024 assinaturas), que propiciou um ganho bruto de 17.841 leitores, já que a queda no impresso foi de 11.183 leitores.
O GLOBO

Ao contrário dos paulistas, o jornal dos Marinho não conseguiu descontar a queda da edição impressa pro meio de um aumento nas assinaturas digitais. Em junho de 2012, havia 23.341 leitores da edição digital, número que cresceu para 39.921 (+ 71%) em outubro passado, mas o acréscimo de 16.580 assinantes não superou a queda de 19.089 do jornal em papel – assim, O Globo teve um decréscimo real de 2.509 pessoas em seu leiorado.
ANÁLISE
Estadão, Folha e Globo parecem estar obtendo resultados diferentes no que se referem Às suas edições digitais. O veículo dos Mesquita deu um belo salto, deixando para trás – pelo menos, por enquanto, a ideia de que estaria havendo apenas uma “troca de chumbo” entre as edições de papel e digital (os assinantes da primeira apenas transferindo-se para a segunda), como pode estar ocorrendo com a Folha, apesar de seu ganho de 7 mil assinaturas. Já O Globo realmente aparenta estar com problemas, pois a queda de seus leitores é real.
Essa situação, porém, pode mudar, pois o período compreendido pelo levantamento é ainda relativamente pequeno (pouco mais de um ano). Além disso, os gráficos das edições digitais dos três apontam para uma estabilidade no número de assinaturas, o que seria ruim para eles, caso a queda na circulação dos impressos continue como apontam os números apresentados na semana passada – chegando a ser péssimo no caso do Globo.
O equilíbrio, porém, não resolve todo problema, mesmo para Folha e Estadão. É que todo é que o valor da publicidade por milhão na internet tende a ser menor, devido à concorrência com monstros como Google, Facebeook, MSN e, agora, até jornais estrangeiros com edições em português, como El País . A vida dos jornais deve continuar difícil.
Revistas
Um P.S. aqui. Não está fácil obter os números das revistas. Neste caso, os HCs precisam pedir a alguém para pedir a alguém e isso complica as coisas. Os mais persistentes entre eles, porém, ainda não desistiram. Vamos torcer.
MarFig
16 de dezembro de 2013 12:53 amQuantidade não é valor.
Quantidade não é valor. Quanto custavam as assinaturas na época auge dos impressos e quanto custam agora na forma digital? E as vendas de jornais avulsos também cairam. Por acaso existem jornais avulsos na forma digital? Pra se concluir que houve uma compensação não bastam esses gráficos.
Luiz Eduardo Brandão
16 de dezembro de 2013 1:21 amCômputo geral
151.752 assinantes. Os três juntos. Seria interessante também saber a quantidade de acessos diária.
Ed Döer
16 de dezembro de 2013 2:25 amO equilíbrio, porém, não
O equilíbrio, porém, não resolve todo problema, mesmo para Folha e Estadão. É que todo é que o valor da publicidade por milhão na internet tende a ser menor, devido à concorrência com monstros como Google, Facebeook, MSN e, agora, até jornais estrangeiros com edições em português, como El País . A vida dos jornais deve continuar difícil.
Aí que está parte do problema, creio que mesmo a migração da assinatura física para a digital, não passaria de uma tentativa de perpetuar um modelo comercial tradicional, mantendo um vínculo financeiro com o velho leitor, mas não necessariamente aceito pelas novas gerações, implicando que mesmo a migração não é garantia de um futuro tranquilo para tais empreitadas jornalísticas.
Não deve ser uma informação fácil de obter, mas qual será a idade desses assinantes digitais?
Porque alguém pagaria para a velha mídia por informação “genérica”, se existem portais de notícias e/ou variedades gratuitos que não ficam devendo na qualidade?
Para as revistas temáticas o quadro deve ser ainda pior, pois tá cheio de blog, site e comunidade abordando cada tema com dedicação e engajamento dos leitores.
Já as semanais, existe alguma esperança até, se firmar como mais um portal ou site de notícias…o problema é que aí cai na vala comum de enfrentar os grandes portais com maior musculatura, além da velha imprensa. Sem a revista de papel para servir de “lastro de credibilidade e tradição”, Veja, Época, Isto É e mesmo a (louvada) Carta Capital são só mais um player qualquer na rede se não conseguirem se firmar num nicho qualquer. Tanto a Veja como a Carta tem o seu “leitor médio”, então devem sobreviver, mas é as outras duas?
W K
16 de dezembro de 2013 10:48 amNão consigo entender …
… porque esses jornais só oferecem a edição digital para quem compra a edição em papel.
Ora, uma das enormes vantagens da edição digital é justamente tornar a edição em papel desnecessária, e esses marqueteiros amadores não conseguem imaginar isso!
A edição digital traz a completa eliminação da logística de distribuição do papel, conhecida nas redações como “circulação”. Porém essa eliminação é apenas uma perna dos jornais, as outras, a venda de anúncios e a elaboração de conteúdos não são atingidas pela eliminação da logística.
Nessas áreas de marketing deve haver uma equipe de dinossauros trabalhando. É até bom que assim seja, pois assim essas velharias darão lugar ao novo.
O mesmo aconteceu quando os automóveis substituíram as carroças movidas por animais, a energia elétrica substituiu o petróleo na iluminação pública, a Internet anda substituindo o balcão de atendimento nas repartições públicas e privadas, etc. Esses fenômenos parece que não são dissecados pelos donos dos jornais.
Dudu Cartucho
16 de dezembro de 2013 1:14 pmAs assinaturas digitais ao
As assinaturas digitais ao menos paga a distribuiçao gratuita do impresso? Porque o PIG tá distribuindo jornal de graça para manter a tiragem.