4 de junho de 2026

A morte do repórter Sérgio Martins

Sugerido por Ronaldo – SP

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Do blog do Juca Kfouri

Sérgio Martins, o repórter

Morreu, aos 67 anos, de insuficiência renal, o autor da célebre reportagem da revista “Placar”, Sérgio Martins.

Morreu como viveu, discretamente.

E provavelmente arrependido por ter apurado e escrito a matéria que, em 1982, abalou o futebol brasileiro e acabou com a credibilidade da Loteria Esportiva.

Sérgio Martins, avesso aos holofotes, amargurou-se com a impunidade dos mafiosos e com a pusilanimidade de tantos que procuraram desmentir o resultado de seu meticuloso trabalho para desvendar a face sórdida de nosso futebol.

Desde o silêncio cúmplice do comando da Caixa Econômica Federal à época, então ainda na ditadura, mas também depois, já no governo Sarney, sob o comando, na área de Jogos do banco, de Aécio Neves, até a recusa do Prêmio Esso de Jornalismo — com o fantasioso argumento de que a denúncia acontecera porque a revista iria fechar e queria desmoralizar o futebol nacional.

Ironicamente, depois que “Placar” viveu sua maior crise, em 1990, descontinuada como semanal, foi sob seu comando direto que sobreviveu como mensal, até 1995, quando, relançada, mudou de formato e política editorial.

Atormentado, Sérgio Martins atribuía ao seu extraordinário esforço durante um ano — desde o fio da meada que puxou na cidade de Santos, onde identificou a primeira das muitas quadrilhas espalhadas de norte a sul do país que manipulavam os jogos escolhidos para os testes da Loteria — o ostracismo a que foi relegado no mercado de trabalho nos últimos anos.

Verdade ou fantasia de uma personalidade introspectiva, fato é que Sérgio Martins, que tinha problemas de audição, recolheu-se o quanto pôde, apesar do respeito que despertou e manteve intacto em todos que privaram de seu convívio .

É lamentável que tenha sido assim, mas assim foi.

Tão lamentável como seu desaparecimento, embora seu exemplo vá permanecer para quem teve o privilégio de trabalhar ao seu lado.

Morre um grande, colossal jornalista, corpo e alma de repórter, dos maiores de todos os tempos.

Deixa três filhos e uma neta e era vascaíno de coração.

Ainda hoje será cremado na Vila Alpina, onde seu corpo será velado a partir das 14h30 em cerimônia curta para evitar sofrimentos, como queria e pediu à sua Sofia, ex-secretária de “Placar”, agora, que pena, viúva.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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  1. BHZ

    13 de dezembro de 2013 2:33 pm

    Link para a reportagem de 22.10.1982 da revista Placar

    http://books.google.com.br/books?id=MbkgXNe71hcC&lpg=PA1&hl=pt-BR&rview=1&pg=PA19#v=onepage&q&f=false

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