A fome pode ser mais letal que o vírus, por Andre Motta Araujo

Aparentemente NÃO há planos de contingência minimamente estruturados para a sobrevivência dessa grande parte da população.

A fome pode ser mais letal que o vírus

por Andre Motta Araujo

Uma economia a pique pode levar 40 milhões de trabalhadores informais a insubsistência por falta de recursos para a alimentação, a higiene e a moradia. Enquanto o vírus pode causar riscos para 3 a 5% dos idosos das classes média e alta, o afundamento da economia pode ser letal para milhões de informais e até de novos desempregados formais nos setores mais modestos dos serviços, como bares, restaurantes e pequeno comércio.

Só em Belo Horizonte a previsão é de 60.000 desempregados em bares e botecos, com metade dos estabelecimentos quebrando, levantamento de hoje.

Não está havendo um real dimensionamento de riscos na abrupta paralisia de setores inteiros da economia e na falta de consideração sobre a importância desses setores para a SOBREVIVÊNCIA de grande parte da população brasileira, as consequências podem ser muito maiores do que a própria epidemia.

As diaristas e faxineiras, o pessoal de aeroportos, de limpeza de aviões, os funcionários de academias e shoppings, garçons de buffets, empregados de teatros e cinemas, pipoqueiros de estádios, o enorme número de temporários em eventos, feiras e exposições, guias de turismo, são apenas uma parte do enorme universo de homens, mulheres, adultos, rapazes e moças que perderão seu ganha pão com medidas de quarentena sem prazo.

Aparentemente NÃO há planos de contingência minimamente estruturados para a sobrevivência dessa grande parte da população. As poucas medidas anunciadas são tímidas, pequenas, insuficientes e mesmo assim não se vê estruturas operacionais para colocá-las em prática RAPIDAMENTE porque as pessoas almoçam todo dia. Falou-se em um cheque de R$200 mensais para esses autônomos, quantia obviamente insuficiente, MAS qual e onde está o mecanismo administrativo para fazer funcionar esse apoio? Não se sabe, MAS as medidas de paralisação da economia de serviços já estão em vigor.

Leia também:  Instituto Florestal em risco de extinção; funcionários encaminham análise ao governo de SP

É preciso um GABINETE DE CRISE não médico e sim econômico, quem chefiará? Paulo Guedes? Muitos morrerão de fome. Não há, na atual equipe econômica, vontade, URGÊNCIA MENTAL, capacidade, ânimo, empatia suficiente para gerir um plano de salvamento dos muito pobres da população brasileira.

É preciso uma equipe muito mais vigorosa e com real empatia, autoridade e capacidade para gerir a tempo e a hora um plano de socorro em escala.

Estamos copiando as medidas sanitárias de países ricos, esquecendo que esses países TÊM GORDURA FINANCEIRA PRIVADA para suportar quarentenas. Nossa população a ser atingida pelas medidas sanitárias NÃO tem camadas de resistência econômica para suportar falta de renda de sobrevivência mínima.

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25 comentários

  1. Muito bem lembrado, André. Minha maior preocupação está no possível terror decorrente de uma desestruturação do possível colapso econômico e social. Estão acertadamente se preocupando com o imediato problema da contaminação e do travamento do sistema de saúde, mas não há estratégia para o problema da fome que está se criando.

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    • Não existe este problema de fome num país que produz alimentos muito mais do que o povo consome, há um problema de como chega este alimento a mesa do povo e isto não se mantém mantendo as pessoas trabalhando para morrer de uma epidemia. A epidemia é um problema, a fome é outro.
      Se por acaso somente o Brasil mantivesse todos trabalhando e por uma condição sobrenatural nenhuma pessoa ficasse doente do coronavirirus, a crise internacional que está as portas da sociedade capitalista internacional iria acabar com o emprego de milhões sem nem um brasileiro infectado e estes também morreriam de fome.
      A solução não está nem no fim da epidemia nem na continuidade das atividades, está no fim do capitalismo.

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      • Não se trata de falta fisica de alimentos no Pais mas sim de falta de dinheiro
        dos trabalhadores informais para pagar o caixa do supermercado.

        • Há recursos suficientes para ninguém seja abandonado à própria sorte na beira da estrada, conforme Thomas Morus:

          “Suponde que vem um ano mau e estéril, durante o qual uma horrível fome rouba muitos milhares de vidas. Sustento que, ao fim da calamidade, se fossem pesquisados os celeiros dos ricos, neles se encontrariam imensas provisões de grãos. De sorte que, se essas provisões tivessem sido distribuídas em tempo, nenhum dos infelizes que morreram de fraqueza e debilidade teria sido tocado pela inclemência do céu e a avareza da terra. Vedes pois, que, sem o dinheiro, a existência teria podido e poderá ser assegurada a todos; e que a chave de ouro, esta bem-aventurada invenção que nos devia abrir as portas da felicidade, no-las fecha impiedosamente.

          Os próprios ricos, não o duvido, compreendem estas verdades. Sabem que é infinitamente preferível não lhes faltar jamais o necessário a ter em abundância quantidades de coisas supérfluas; que mais vale verem-se livres de males inúmeros do que se cercarem de grandes riquezas. Creio mesmo que de há muito teria o gênero humano abraçado as leis da república utopiana, seja em interesse próprio, seja em obediência às leis do Cristo, pois a sabedoria do Salvador não poderia ignorar o que há de mais útil aos homens, e sua bondade divina certamente já soube recomendar-lhes o que sabia ser bom e perfeito”.

          De acordo com o Gandhi:

          “A natureza provê o suficiente para satisfazer as necessidades de todos, mas não para satisfazer a ganância de alguns”.

          André, vc tá de parabens por suscitar essa preocupação, enquanto eu vivo num mundo de sonhos, de poesias e de músicas e, pior, acusando a vc de estar mais preocupado com a economia do que com as pessoas. Desculpe, Amigo. E muito obrigado por tudo que tenho aprendido com vc.

          Cuidado, Amigo. Nos dias de hoje, não pare nas praças, esqueça os amigos, porque na verdade eu te quero vivo. Escute essa música na voz da Elis

          Leia o Estatuto do Homem (Ato Institucional Permanente), do Thiago de Mello

  2. O que eu percebo e tomara que o que eu percebo esteja correto, é que este exército de famintos que este governos idiota está fomentando vai ser o exército que irá por esse governo para fora. As lojas, mercados fechados, nem por isso estão vazias, o famintos sabem disso. Não haverá policiamento suficiente para deter os saques quando a fome bater em sua portas. Vão invadir e saquear tudo só parando quando o governo cair e um outro assumir com a decisão de alimentar a turba toda e imediatamente. Vão dizer que foi o PT que açulou? Vão, tanto melhor, que o PT volte e administre a crise.

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  3. O plano de Bolsonaro de uma guerra civil matando uns 30 mil parece que sairá da cabeça do miliciano e chegará às ruas, aliás com a COVID 19 o número de mortos chegará infelizmente, graças a dissídia e a maldade deste governo, entre 500 e 800 mil pessoas e claro em sua maioria pobres, então a saída do “Mito” para “acalmar” ou calar as massas será as FFAA que ao invés de salvar seu povo vai fuzila-lo.

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    • A saúde psíquica, mental e física de Bolsonaro, não lhe permite ir muito alem de suas verborragias. Quereria ele sim e muito, mas é um covarde como já vimos tanto e agora sob o impacto desta crise, isto aumentou. A própria história de chamar de “gripezinha”, é produto do pânico interior que está vivendo. Em situação “normal” suas atitudes já são cheias de paranoias, como foi bastante divulgado. Uma pessoa que em tese está no lugar mais bem guardado de todo o país, que precisa ter um revólver no criado mudo, já se dá para imaginar o que pode ser seu estado emocional. Sendo realista, virão mortes em demasia e possivelmente concentradas e pior, num momento em que muitos dos serviços públicos estarão em lentidão e abarrotados – na Itália, berço do catolicismo, em que se acredita que um padre tem de dar extrema-unção para o céu ser liberado para a alma, imagine na psiquê de um padre ou de um fiel, quando a situação lhe impede esta cerimônia? Imagine quando chegar os dias, que se repetirão, onde as famílias, conforme se vê na Itália, tiverem de desapegar do cadáver de seu ente querido para este ser juntado a outros e queimados (indo contra a crença de muitos) ou jogados em valas coletivas sem direito a cerimônias – ou dos vários que morrerão em leitos dos acampamentos adaptados em estádios de futebol e temos de considerar que não irão (e dificilmente vai ter tempo/recursos para fazerem isto) avisar um parente para mandar o plano funerário ir retirar o corpo para velarem e enterrarem (isto também vai ser retirado das pessoas) e ai começarem a amontoar, organizadamente ou nas comunidades pobres as pessoas empilhando em um descampado ou revoltados largando na calçada até que o IML possa recolher após horas ou dias? Basta extrapolar o caso da Itália de hoje com 500 a 600 cadáveres diários a terem de dar cabo. Agora imagine a tudo isto, em época do imediatismo nas redes sociais, quando as imagens e vídeos serão tantos a perturbarem a saúde mental das pessoas e o gabinete do mal não vai dar conta de contra-atacar, pois serão muitas e de tantos locais. Vão ser engolidos por tantas hasttags sem poder dar respostas e Bolsonaro vai ser diuturnamente escrachado, xingado, cobrado, vilipendiado, amaldiçoado. Os milicianos com suas armas não vão poder ajudar, os militares de pijama não vão poder ajudar, os revoltados da reserva que vão armados em suas incivilizadas manifestações não vão poder ajudar. A cada saque em locais de comida, roupas ou eletrônicos, que possivelmente ocorrerão, a cada supermercado a ficar sem estoques de alimentos (mesmo que temporariamente), tudo será filmado, fotografado e exaustivamente compartilhado. Não nos esqueçamos. Época da imediatização, da escandalização. Absolutamente tudo vai ser exaustivamente filmado, fotografado e compartilhado e terão muito pouco onde se escorarem, os defensores e artífices dos gabinetes do ódio, temporariamente desmontados e também preocupados com os dramas em seus entornos. Não vão adiantar ataques aos comunistas, aos chineses ou aos esquerdistas. O espaço para isto ficará nulo e mudo. O povo vai é cobrar para que façam como os chineses fizeram, para que peçam ajuda aos chineses. E o foco dos gritos serão direcionados para aquele que muitos ilustraram como o escolhido para ser o Messias a conduzir o povo de Deus à vitória. Só que este romance ilusório se esbarrará na realidade penosa, onde o fracasso e choros diários serão as cenas que prevalecerão e por dias repetidos. Bolsonaro o covarde, dificilmente resistirá até o final de uma situação como a que virá, de meses de confusão, inquietação, fome, desesperança pelo amanhã, mortes repetidas e queixas – e nada do sr. Messias. Mesmo a imprensa chapa-branca vai ter de divulgar uma realidade que vai ser desagradável de mostrar e não vai ter espaço para promessas vazias de Guedes e as manchetes não serão favoráveis a quem estiver na cadeira presidencial, no pior tempo para estar nela. Serão só choros, angústias e ranger de dentes . Vai ser estabelecida a única situação onde o bolsonarismo-miliciânico não consegue existir e morre sem o oxigênio que necessita, assim como o vírus faz nos já afetados: economia parada com falências múltiplas. Lá fora, seu ídolo Trump já enrolado estará com o drama em seu país e aqui ele sozinho, até sem o suporte das senhoras e senhores que iam antes ouvir suas piadas toscas e impropérios diários aos jornalistas e ao país, nos inícios de seus dias. Até este momento perturbador de extravasar sua raiva na porta de seu local de morada, nem isto ele terá (como pode alguém saudável começar seus dias assim?). Posso apostar oferecendo de 100 para 1 que, a saúde mental-emocional do presidente não atura a tudo isto que virá: ou em algum dia se noticia que ele se matou, ou definha aos poucos e se entrega, mas a vida pública do Messias Jair, podemos esquecer. Isto se ainda não lhe ocorrer algum drama familiar. Não sei o que virá em seguida e as opções não são tantas, mas ao longo desta pandemia, o bolsonarismo que até então rugia, ruirá.

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  4. A uma enorme falácia neste artigo, more-se de fome quando não há comida. A produção agroalimentar do Brasil é muito superior a sua necessidade de consumo, logo se a comida chegar a mesa dos desempregados não há fome.
    Não adianta fazer uma enorme volta para contrariar este raciocínio básico, principalmente porque o Brasil é um dos poucos países do mundo que tem o que se chama “segurança alimentar”, ou seja, produz mais comida do que consome.
    Outra falácia é que não temos capacidade de produzir todos os componentes mínimos para a vida de toda a população, temos ainda uma indústria básica de produtividade baixa que pode ter relançada de sua estagnação e em poucos anos conseguiremos habitação, saúde, alimentação para todos.
    Porém como disse aquele comentarista da GloboNews, Cuba só solucionou o problema de saúde, educação e segurança para todos, o Brasil é MUITO MAIS RICO EM RECURSOS NATURAIS e recursos industriais do que CUBA, se Cuba só conseguiu isso podemos conseguir muito mais.
    Agora, dentro do capitalismo NÃO.

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  5. A uma enorme falácia neste artigo, morre-se de fome quando não há comida. A produção agroalimentar do Brasil é muito superior a sua necessidade de consumo, logo se a comida chegar a mesa dos desempregados não há fome.
    Não adianta fazer uma enorme volta para contrariar este raciocínio básico, principalmente porque o Brasil é um dos poucos países do mundo que tem o que se chama “segurança alimentar”, ou seja, produz mais comida do que consome.
    Outra falácia é que não temos capacidade de produzir todos os componentes mínimos para a vida de toda a população, temos ainda uma indústria básica de produtividade baixa que pode ter relançada de sua estagnação e em poucos anos conseguiremos habitação, saúde, alimentação para todos.
    Porém como disse aquele comentarista da GloboNews, Cuba só solucionou o problema de saúde, educação e segurança para todos, o Brasil é MUITO MAIS RICO EM RECURSOS NATURAIS e recursos industriais do que CUBA, se Cuba só conseguiu isso podemos conseguir muito mais.
    Agora, dentro do capitalismo NÃO.

  6. “Estamos copiando as medidas sanitárias de países ricos, esquecendo que esses países TÊM GORDURA FINANCEIRA PRIVADA”

    Bom, nós também temos, se colocarmos os bancos contra a parede.

  7. Trabalho como garçom em um restaurante japonês aqui em Curitiba. Já estamos enfrentando dificuldades em comprar o salmão, insumo principal, devido a alta de preço e escassez. Só o delivery continua com demanda normal, o salão caiu a praticamente zero. Tivemos 1 mesa terça e quarta, nenhuma quinta e uma até o momento em que escrevo nessa sexta, as 21:27. A proprietária já me avisou que vai manter o salão aberto até domingo, e fechará a partir de segunda feira.
    Ganho por dia.
    Já me bateu o desespero.
    A partir de segunda feira, não terei nenhuma renda para sustentar minha esposa e minha filha.
    Sem previsão e retorno.
    Sem esperança de encontrar trabalho, pois todos os bares, restaurantes e baladas de Curitiba estão parando.
    E não há plano do governo.
    Sinto na pele o que o AA está dizendo nesse artigo.
    Só nós que ficamos desamparados sabemos o desespero.
    Já nem durmo de preocupação.
    E nem é o medo de contaminação.
    É medo da fome.

  8. Os ratos e o capitão serão os primeiros a abandonar o barco, quando o naufrágio acontecer. Porém, a sociedade brasileira (exceto a elite e grande parte da classe média) é solidária para com seus irmão, e a maioria será atendida nas suas primeiras necessidades, com muita cooperação, doação de trabalho e insumos. Brasileiro não larga um semelhante na beira da estrada para morrer.

  9. André, o mundo passou por guerras e com muito menos alimento. Será que a fome será por falta deles? Dinheiro está sobrando no mundo. Por que a fome então?

    • A fome se da quando um cidadão com mulher e quatro filhos em casa não tem um Real no bolso porque sua renda vinha de em trabalho que não existe mais. Há sim muito alimento no Brasil
      mas em nivel individual precisa ser COMPRADO e isso se faz com dinheiro.

      • Então o problema não é a pandemia nem a falta de alimentos, mas a falta de dinheiro.

        Olha o que Marx escreveu na década de 60 do século XIX:

        “(…)

        A connferência proferida pelo cidadão Weston poderia ser condensada a ponto de caber numa casca de noz.

        Toda a sua argumentação reduz-se ao seguinte: se a classe operária obriga a classe capitalista a pagar-lhe, sob a forma de salário em dinheiro, 5 xelins em vez de 4, o capitalista devolver-lhe-á sob a forma de mercadorias, o valor de 4 xelins em vez do valor de 5. Então a classe operária terá que pagar 5 xelins pelo que antes da alta de salários lhe custava apenas 4. E por que ocorre isto? Por que o capitalista só entrega o valor de 4 xelins por 5? Porque o montante dos salários é fixo. Mas por que fixo precisamente no valor de 4 xelins em mercadorias? Por que não em 3, em 2, ou outra qualquer quantia? Se o limite do montante dos salários está fixado por uma lei econômica, independente tanto da vontade do capitalista como da do operário, a primeira coisa que deveria ter feito o cidadão Weston era expor e demonstrar essa lei. Deveria provar, além disso, que a soma de salários efetivamente pagos em cada momento dado, corresponde sempre, exatamente, à soma necessária dos salários, e nunca se desvia dela. Em compensação, se o limite dado da soma de salários depende da simples vontade do capitalista, ou das proporções da sua avareza, trata-se de um limite arbitrário, que nada tem em si de necessário. Tanto pode ser modificado pela vontade do capitalista, como também se pode fazê-lo variar contra a sua vontade.

        O cidadão Weston ilustrou a sua teoria dizendo-nos que se uma terrina contém determinada quantidade de sopa, destinada a determinado número de pessoas, a quantidade de sopa não aumentará se se aumentar o tamanho das colheres. Seja-me permitido considerar este exemplo pouco substancioso. Ele me faz lembrar um pouco aquele apólogo de que se valeu Menênio Agripa. Quando a plebe romana entrou em luta contra os patrícios, o patrício Agripa disse-lhes que a pança patrícia é que alimentava os membros plebeus do organismo político. Mas Agripa não conseguiu demonstrar como se alimentam os membros de um homem quando se enche a barriga de outro. O cidadão Weston, por sua vez, se esquece de que a terrina da qual comem os operários contém todo o produto do trabalho nacional, e o que os impede de tirar dela uma ração maior não é nem o tamanho reduzido da terrina, nem a escassez do seu conteúdo, mas unicamente a pequena dimensão de suas colheres
        (…)”.

  10. A proposta do articulista é desarrazoada, sugerindo que se deixe morrer poucos no presente para que não morram muitos no futuro. Perdoe-me, mas vejo nessa reflexão uma mistura de refinada ironia com oceanico desconhecimento patológico. Primeiro, esses microorganismos nem sempre obedecem um padrão inicial ou intermediário, podendo ser letal para muito mais do que os seus 3 ou 5% de pessoas, transformando-se numa tragédia indizível. Não há prognostico seguro para pandemias virais. Segundo, combate-se o inimigo da vez e se planeja a batalha futura, apenas se planeja, porque ele pode chegar apenas para poucos.

  11. O Andre está Pirando.

    Nessa Toada de Artigos do Andre sobre a Covid, na Análise de Amanhã o Andre vai Explicar que a Fome Mata Mais do que as 16 Horas Trabalhadas pelas Crianças na Revolução Industrial,…
    Haja Paciência…

  12. Bolsonaro, o Brasil não é um circo e, portanto, a Presidência não é um picadeiro. Logo, chega de palhaçadas. O povo só quer pão enquanto nos protegemos da infecção de alta letalidade

    Será que isso é pedir demais?

  13. AA, vc está com uma visão muito quantitativa e igualmente muito classista da vida.

    E os velhos que vão sucumbir são os da classe baixa, que são despossuidos, não os anciãos da classe média e alta, que tem recursos para sobreviver. E ainda que assim não fosse, nenhuma idade vale uma vida.

    Sabes de quem é a citação a seguir transcrita?

    “When will the world learn that a million men are of no importance compared with one man?”

  14. Honestamente, li o artigo três vezes e não consigo entender de onde os colegas extraíram as premissas que justificam a maior parte das críticas ao texto.

    Se tomarmos como exemplo a Itália, o país mais duramente castigado com a crise, governo Monti, vem tomando uma série de medidas para sustentar a renda da população, que é, diga-se de passagem, medicamente mais alta do que aquela brasileira: medidas que beneficiam empresas, de modo que não entrem em colapso, como deixar de recolher o equivalente ao ICMS e ISS, incremento da cassa integrazione (espécie de seguro) beneficiando mesmo micro-empresas (Eu, por exemplo, sou um beneficiário desta medida). Mesmo que se tenha críticas sobre o alcance das medidas do governo italiano, estas são, de longe, bem mais sistêmicas do que as míseras medidas do governo brasileiro. Outro ponto para o governo italiano foi ter conseguido com que a União Europeia intervisse de maneira mais contundente na ajuda aos países do bloco, com investimentos da ordem de 750 bilhões de euros e mesmo flexibilização das austeras regras do pacto de estabilidade econômica.

  15. O Ojuara(autor)foi direto ao ponto, se criará mais problemas em nome do combate ao Coronavirus,a mídia dia e noite está pondo medo terrível nas pessoas,isso me lembra muito o modus operandi q foi feito contra o PT, informação tendenciosa em massa q mexe na mente das pessoas,é preciso dizer q no BRASIL JÁ HÁ COISAS MUITO PIORES Q O CORONAVÍRUS,isto TD está encoberto em cortinas de fumaça,como esta,deste covid19,a desgraça total não é só isso,É PRECISO DIZER Q HÁ COISAS MUITO PIORES,SIM,AQUI(insisto)e o Ojuara muito bem escreveu este texto, aliás,quero registrar publicamente q o autor deste artigo no ggn FOI O PRIMEIRO A DIZER Q GUEDES(o bilionário banqueiro) não iria melhorar a economia coisa nenhuma!Acreditei e ví isso se confirmar!VIVAA O GGN !!!

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  16. Chegamos ao ponto previsto por Marx e Engels no Manifesto Comunista, no qual a classe parasita tem que alimentar os parasita dos em vez de serem por estes alimentadas:

    “Toda a sociedade até aqui repousava, como vimos, na oposição de classes opressoras e oprimidas. Mas para se poder oprimir uma classe, têm de lhe ser asseguradas condições em que possa pelo menos ir arrastando a sua existência servil. O servo conseguiu chegar, na servidão, a membro da comuna, tal como o pequeno burguês, a burguês, sob o jugo do absolutismo feudal. Pelo contrário, o operário moderno, em vez de se elevar com o progresso da indústria, afunda-se cada vez mais abaixo das condições da sua própria classe. O operário torna-se um indigente e o pauperismo desenvolve-se ainda mais depressa do que a população e a riqueza. Torna-se com isto evidente que a burguesia é incapaz de continuar a ser por muito mais tempo a classe dominante da sociedade e a impor à sociedade como lei reguladora as condições de vida da sua classe. Ela é incapaz de dominar porque é incapaz de assegurar ao seu escravo a própria existência no seio da escravidão, porque é obrigada a deixá-lo afundar-se numa situação em que tem de ser ela a alimentá-lo, em vez de ser alimentada por ele. A sociedade não pode mais viver sob ela [ou seja, sob a dominação da burguesia], isto é, a vida desta já não é compatível com a sociedade”.

  17. “Nenhum home é uma ilha, isolada em si mesmo. O homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria; a morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti”.

    John Donne

    Niņguém larga a mão de ninguém

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