Coluna Econômica: O grande pacto nacional se dará com o afastamento de Bolsonaro

Que o grande pacto nacional se faça com o sangue (político) da maior praga que assolou o Brasil em toda sua história, a eleição da família Bolsonaro

No plano internacional vive-se o fim de um ciclo de hegemonia norte-americana que se inicia na 1ª Guerra e se consolida após a 2ª Guerra e se torna absoluta após o fim da União Soviética. É uma quadra histórica de mudança.

Com a coronavirus, se terá o seguinte quadro:

  1. Apesar de pagar a conta primeiro, a China sai fortalecida pela capacidade de reciclar sua indústria para enfrentar a peste. E pelo exercício do “soft power”, enviando ajuda a países em dificuldade, e se tornando a líder inconteste da tentativa de volta do multilateralismo.
  2. Projeções internacionais indicam que a progressão da doença nos Estados Unidos poderá ser superior à da própria Itália. O país não se preparou para o coronavirus, nem no abastecimento de produtos de saúde, nem na montagem de redes de apoio a empresas e infectados.
  3. A paralisação da economia por um ou dois meses terá um efeito profundo na atividade econômica e no emprego. A Bridgewater Associates, uma importante gestora de fundos de hedge, diz que a economia encolherá nos próximos três meses a uma taxa anual de 30%. O Goldman Sachs estima a queda em 24%. O JPMorgan Chase fala em 14%. Em relação à Europa, as previsões são de menos 22% na zona do Euro e menos 30% no Reino Unido.

A desmoralização do Estado

Por trás do desmonte do Estado, há o fenômeno da desmoralização do modelo democrático.

Nas últimas décadas, o extraordinário poder do capital financeiro induziu as políticas econômicas dos principais países, dentro da lógica da criação de expectativas sucessivas – que jamais se realizavam, mas que legitimavam todas as demandas do mercado.

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Com a mídia e a academia transformando as benesses do setor financeiro em suposta verdade científica, e avalizando as promessas de recompensa futura, quando o sonho acabou, desmoralizou não apenas a democracia representativa, como o próprio conhecimento técnico e científico. Com isso, abriu espaço para figuras histriônicas como Donald Trump e seu fâmulo tropical, Jair Bolsonaro, com um estilo de gestão baseado na intuição mais desinformada, sentimento potencializado pelos ecos das redes sociais. Esse processo levou a uma deterioração dos valores nacionais e das estruturas de Estado que, entrando ou saindo governos, garantiam o funcionamento racional da máquina.

A crise do dólar e dos mercados

O fim da hegemonia americana traz duas consequências imediatas para os mercados. A primeira, o fim do dólar como a grande moeda internacional. Uma moeda se sustenta na pujança econômica, mas também no poder hegemônica do país.

A segunda, o fim dos mercados, tal como funcionam hoje, com o movimento de financeirização de todos os ativos, submetendo a economia real a movimentos de bolha – como as de comandites e moedas – sem nenhuma correspondência com a economia real.

Ontem, o Federal Reserve se comprometeu a compras ilimitadas de títulos do Tesouro dos EUA, e da maioria dos títulos lastreados em hipotecas, além de compra de dívida corporativa, que ele parou de comprar após a crise de 2008. Fala-se na possibilidade de compra de dívida corporativa no mercado secundário.

Na segunda-feira, o FED também reavivou o TALF – um mecanismo que remonta à crise financeira de 2008 – que permite ao FED comprar títulos garantidos por empréstimos estudantis, de automóveis e de cartão de crédito, além de empréstimos a empresas através da Small Business Administration.

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Não foi suficiente. A bolha do período anterior está inflada em quase 40%, mesmo após as quedas dos últimos meses.

Nada disso impediu nova queda nos mercados americano e globais. Especialmente depois que o responsável pelo FED de St. Louis alertou para um aumento de 30% na taxa de desemprego em poucos meses.

Os desafios do Brasil

Há os demônios internos a serem exorcizados, o enfrentamento do coronavirus, a luta contra a depressão econômica e o enfrentamento do fantasma dos Bolsonaro – o que poderá ocorrer com as investigações do Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro.

Internamente, há o desafio de amenizar o desemprego, garantir o abastecimento, deixar desimpedidas as rotas de transporte. No plano sanitário, aumentar a oferta de equipamentos e de estruturas de apoio especialmente para as populações mais vulneráveis.

O plano externo traz os seguintes desafios adicionais:

  1. Aumento do déficit em transações correntes, pressionando as reservas cambiais.
  2. Redução nos preços dos commodities, pressionando o saldo comercial.

Na Guerra dos Farrapos, os gaúcho reagiram à proposta de aliança com o Paraguai. O acordo de paz com o Império será assinado com o sangue do primeiro paraguaio que invadir o Brasil.

Que o grande pacto nacional se faça com o sangue (político) da maior praga que assolou o Brasil em toda sua história, a eleição da família Bolsonaro. Aquele, na definição de um jornal suiço, que se transformou no idiota mais perigoso do mundo.

 

11 comentários

  1. SINCERAMENTE ..hoje não tá havendo muito espaço pra dialogar e contra argumentar, pois corremos o risco de ferir suscetibilidades, ou de atropelarmos interesses inconfessáveis.
    FATO é que pela vaidade, muitos sofregamente, diariamente, lutam por seus vaticínios a fim de transformá-los em profecias auto realizáveis.
    Assim não dá, enquanto dum lado sobram palpites, noutro rareiam raciocínios exequíveis. Dito isso:
    ..particularmente estou vendo exagero dos dois lados ..duns, vejo um catastrofismo que beira ao pânico da “fuga das galinhas” ..doutro, uma frieza que nos remete a psicopatia dum “sexta feira 13”.
    PRA MIM, nem um nem outro ..nem 29, nem gripinha ..mas a UNICA certeza de que com BOZO tudo fica muito, muito, MUITO mais difícil, em verdade, um CASTIGO ..castigo de tão grande que, a mim, parece DIVINO, castigo divino.

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  2. a pauta econômica de bolsonaro é o mesmo plano da rede globo. impressionante como o decreto é espelhado no editorial dos marinho.

  3. O título do post cita o pacto nacional mas esquece de aprofundar-se sobre ele a não ser,lógico,referir-se a remoção do atual mandatário do país.
    Não dá para falar em pacto sem lembrarmos como chegamos a esta situação desgraçada. Nosso país,com todas as suas diferenças, parecia estar a caminho de um desenvolvimento sustentável e com uma distribuição de renda,ainda que tímida. Este período,e vamos ser bondosos,pode ser compreendido entre 1994,com a estabilização da moeda,ainda no governo de Itamar Franco e findou-se,lamentavelmente,com um golpe de Estado contra a presidenta Dilma em 2016.
    Durante este curto período histórico,somente 22 anos,nosso país experimentou momentos de democracia e de pequeno mas contínuo crescimento econômico (excetuados curtos períodos de recessão global ou no pré-golpe). Teve muitos erros como sempre a história mostrará em todos os governos mas,teve muitos acertos.Acertos que estavam possibilitando ao país tornar-se um importante líder global,fazendo jus ao tamanho da sua população e sua localização estratégica no hemisfério sul,além,é claro,de nossa histórica posição política mundial de conciliação.
    Ocorre que,o imperialismo financeiro,dominado por grupos incrustados na potência hegemônica,não necessariamente de naturalidade deste país,utilizaram-se,como demonstrado no wikileaks de informações de espionagem de todos os tipos para poder chantagear a tudo e a todos.
    Com este poderio,principalmente no caso brasileiro,onde comenta-se que em reuniões de nossa elite ninguém leva a carteira para não ser roubado,este estratagema virou mamão com açúcar.
    Nossa mídia,de longa tradição coronelística e golpista,sempre aliada a todo tipo de falcatrua,tornou-se o prato principal e,como dignidade nunca foi o forte dessa gente,sucumbiram a mera chantagenzinha,aliada a uma cultura escravocrata para extrair o que de pior existe no ser humano.
    Foi essa gente que possibilitou que chegássemos onde estamos. O sujeito que deveria governar-nos é um simples representante dessa situação.
    Hoje,sua simples remoção não resolve problema algum.Seria como uma cirurgia onde os médicos dizem que para remover o câncer, quase com certeza o paciente irá sucumbir.
    A chance,ainda que remota,não seria muito melhor do que está aí: Seria a remoção do sujeito com um endurecimento sem precedentes do regime.
    Desta forma,se faz necessário primeiramente que,assim começaram a destruir nosso curto período democrático, nossa mídia comece a defender,já que tem vergonha de admitir seus erros e suas sujeiras,formas de avançarmos no desenvolvimento humano e pare,de uma vez por todas,de continuar de forma monocórdica,defendendo reformas anônimas e que nunca indicam a prosperidade e sim uma ilusão que,como sempre,acabam sendo somente uma ilusão.
    De parte de nossa mídia alternativa seria preciso avançar muito mais.Qualidade não falta.No entanto,devido as limitações financeiras,parece que grande parte,excetuado este GGN e outros poucos,escolheram a reprodução pura e simples de matérias desta mesma mídia que tanto criticamos,perdendo o essencial que é a análise diferenciada em troca de um cliques que serão contabilizados pelo google para sua remuneração.
    Talvez,se possível,um novo canal,englobando alguns deste sites/blogs,fosse possível,tornado a análise mais aprofundada e mais palatável a grande parte da população de forma a compreender as dificuldades que passamos.
    Precisamos entender que pactos,para existirem,precisam ter interesses comuns,fora isso,como sempre,corremos o risco de termos patos,não por acaso ,um grande representante do golpe de 2016.
    Assim,

  4. Nassif,

    Não devemos nos esquecer daqueles que promoveram o surgimento da “maior praga que assolou o Brasil em toda sua história”, sob risco de repetir esta praga novamente.

    Trata-se da “Elite do Atraso” do Brasil, que permanecerá intocada, após o afastamento da praga. Para mais detalhes é recomendável a leitura do livro de mesmo nome.

    Atenção especial merece seu braço midiático, com destaque total para as “Organizações Globo”, e seus ganhos financeiros bilionários, às custas da expropriação do trabalho dos 99% dos brasileiros, através do mecanismo da dívida pública.

    Para uma visão mais ampla sobre o surgimento desta praga, através de uma “guerra híbrida” do império informal americano contra o país, recomendo a leitura do recente livro “Guerra contra o Brasil”, do sempre inigualável Jessé Souza.

  5. Sinceramente, estes exercícios de vidência, todas estas projeções de futuro, o Sr. Luis Nassif está parecendo cada vez mais arrebatado pelos seus anseios de mudança nos rumos políticos do país e do mundo (anseios, que creio, sejam em boa parte também os nossos). O autor diz que no plano internacional vive-se o fim de um ciclo de hegemonia norte americana, mas isso será verdade? Não obstante a existência dos diversos blocos e agrupamentos políticos multilaterais com suas infraestruturas e superestrutura econômica, social e política próprias (realmente capazes de movimentações extraordinárias de fluxos econômico, humano, militar e cultural), qual deles possui a força, o poder de autodeterminarem-se (de determinarem-se de maneira não reativa) face ao mundo, de autodeterminarem-se em todos esses âmbitos militar, econômico e político, e de ao fazer determinarem o andamento estrutural do próprio mundo? Creio que nenhum bloco ou agrupamento o possa, nem nenhuma nação, com a exceção (infelizmente) dos EUA que autodeterminam-se face ao mundo e assim determinam a própria configuração do mundo (ao iniciarem guerras por conta própria, ao ignorarem resoluções multilaterais, e ao não serem impedidos em suas ações por qualquer poder contrário ao deles). Ao que me parece isso é hegemonia, e conquanto ainda se mantenha ativa como a força mais determinante nas relações mundias, me parece longe do fim. Agora, sobre a permanência desse poder hegemônico pela moeda: O Sr. Nassif diz que a moeda se sustenta na pujança econômica e na hegemonia política do país. Bem, o pressuposto da necessidade de pujança econômica para sustentação da moeda me parece incorreto, visto que a economia atual é uma economia financeira virtual e fiduciária (de fidúcia: confiança), portanto dependente sim da confiança dos países no poder que uma determinada moeda tem de financiar-se deficitáriamente (em última instância no poder que o país controlador desta moeda tem de financiar sua dívidas crescentes, chutando como sem importância toda economia real). Os EUA têm demonstrado ter esse poder fiduciário entre os países do mundo há pelo menos 40 décadas, desde o seu crescente e permanente endividamento, podendo assim sustentar sua economia deficitária. Tal “confiança” nos EUA se deve, em parte, ao incondicional apoio europeu àquele que é a maior criação européia (o outro de si da Europa), às ligações umbilicais de ambos capitalismo , enfim, ao laço cultural determinante para a existência histórica moderna de europeus e norte americanos: o capitalismo como modo de vida. Deve-se em parte também ao fato de nenhuma outra moeda (nenhuma outra economia nacional ou bloco econômico) ter tido a força de impor-se como moeda internacional hegemônica a partir de uma ação de desestruturação do poder econômico-político-militar dos EUA no mundo (pois ao fim e ao cabo, do que se trata é de uma guerra, e o direito e a política entre as nações não são senão manifestações de guerra). Assim, a moeda norte americana se sustenta também pelo poder político hegemônico dos EUA, que me parece não está próximo de seu fim. Infelizmente.

  6. Bolsonaro cair, Nassif? Antes de ontem, com toda a destruição e incompetencia desse governo, o painel da Folha noticiava que, para o establishment, era certa a reeleição de Jair Bolsonaro antes da pandemia. Se o establishment colocou no poder, conviveu e manteve no poder bandidos ligados a assassinos como os bolsonaro porque iriam fazer um pacto para derruba-lo? Sua análise faria sentido no Brasil que existia antes do neoliberalismo e suas deformações humanitárias propagadas pela imprensa/judiciário/redes sociais. A falta de identidade humanitária propagada pela elite cruel e desumana do país, que encontrou no neoliberalismo o sistema econômico desumano ideal, transformou o cidadão comum do pais num seu igual. A imprensa e as redes sociais transformaram uma maioria de brasileiros em predadores que defende a sua caça, mesmo que seja carniça, sem considerar a identidade humana dos seus iguais. Na sede de império tão admirado pelos brasileiros e que impôs esse sistema econômico desumano a visualização do cidadão predador é mais clara ainda com o estimulo à compra de armas. Por ora aqui admira-se a policia e o exercito que tem autorização da sociedade para matar. E se coloca no poder quem pode matar pela miséria os vulneráveis que se aproximam, mesmo que a quilômetros, de sua carniça. E os vulneráveis enxergam no outro a carniça. Pessoas com valores humanistas foram submergidas ou abatidas a tiro ( como Lula)pelo momento histórico e assim como no nazifascismo será necessário uma guerra para recuperar esses valores. Pelas medidas econômicas adotadas pela sede do império e a imobilidade da massas humanas prejudicadas, o momento de imersão ainda esta distante. PS. Fiquei perplexa ao ler o artigo do Andre Araujo onde ele defende as posições dos justus e veios da havan bolsonaristas sobre a pandemia do coronavírus. Na hora pensei na carniça que ele deve ter na bolsa de valores que o faz justificar a morte de seres humanos iguais a ele. O Andre que tanto escreve sobre história para ter enxergado a luta da humanidade por valores humanistas, quando seus interesses pessoais estão ameaçados. Sua bronca não foi sobre o sistema economico que o manipulou mas sobre os velhos e vulneráveis que expuseram o sistema. Por isso considero que a luta pela recuperação de valores humanitarios, com o fim do neoliberalismo e os politicos imbecis e criminosos gerados por esse sistema econômico ainda está longe.

  7. É difícil acreditar que os mesmos grandes capitalistas e financistas que impuseram o golpe, são os mesmos que se interessam pela saúde do povo!
    Não acho que sem eles teríamos melhores chances, mas acho quando da saída desta crise, ele estarão em “outro patamar” e assim poderão fazer o que quiserem com leis e riqueza!
    Qualquer grande fazendeiro tem veterinários para cuidar de seu gado!
    E o gado não tem o que reclamar, pois tem sua saúde tratada e é bem alimentado!
    O problema é que o gado não compreende a sua finalidade…
    O neoliberalismo aqui sem visão nacionalista, tem como objetivo lucrar com o brasil e o seu povo, por isso certamente os mesmos que atacaram o SUS, impuseram a PEC 55 estão hoje na linha de frente, em campanha contra o corona vírus, a rede globo parece uma mãe extremosa e cuidadora, o governador de são paulo é talvez um dos mais ativos e todos sairão como heróis e o povo fará o quiserem quando voltar a pauta econômica…
    Eles estão sabendo fazer do limão uma limonada…

  8. Em resumo, vamos fazer um grande pacto nacional. Ou, melhor dizendo, vamos tentar fazê-lo porque isso nunca se mostrou simples no passado e nada indica que o seria atualmente. Mas está excluído deste pacto quem nós não gostamos.

    Parece que estamos esquecendo que assim como A detesta B este odeia C e assim sucessivamente. Quem definiria os participantes? E como se poderia excluir justamente quem foi eleito para o principal cargo do país? Alguém imagina que ele se afastaria mansamente? Desculpe, mas isso não é proposta para pacto algum e sim para o início de uma batalha política das mais violentas.

  9. Não votei em Bolsonaro. Mas também não creio mais nas intenções da esquerda brasileira que se revelou corrupta (Petrolão, mensalão…), mentirosa (PT, PSOL…) e manipuladora (The Intercept e extrema mídia). Esta matéria também é um exemplo claro de manipulação pois apresenta um quadro geral para depois partir para o particular e, então, concluir de forma esdrúxula a opinião de quem perdeu a eleição e ainda não entendeu
    Por isto que a mídia brasileira perdeu a credibilidade e está ladeira abaixo.

  10. “Deu para entender a entrevista coletiva do ministro da saúde Mandetta hoje? Ele deixou claro o objetivo da política do governo Bolsonaro. O objetivo é chegar a cerca de 50% da população brasileira infectada com o coronavírus para imunizar metade dos brasileiros e assim acabar com o surto. Ok, parece legal e razoável ouvindo o ministro falar de forma tão serena. Mas você entendeu mesmo o que isso significa?

    Deixar 50% da população ser infectada significa ter 100 milhões de brasileiros infectados. Se a gente tomar um índice de 3% de mortalidade no Brasil – é bem provável que pelas condições sociais do pais seja maior, na verdade – isso resulta em cerca de 3 milhões de mortes pela Covid-19. Esse vai ser o resultado mínimo da política do governo Bolsonaro e do ministro Mandetta. 3 milhões de mortos.

    Mandetta e Bolsonaro tentam convencer a população de que não há alternativa, que isso vai acontecer porque essa é a evolução da doença e ponto. Mas isso é falso. O que Mandetta e Bolsonaro estão fazendo na verdade é uma escolha. A escolha que Bolsonaro, Guedes e Mandetta fizeram é não paralisar a economia do país, mantê-la funcionando e manter a circulação de pessoas. Eles escolheram e estão escolhendo a cada dia os interesses poderosos, o lucro, em vez de escolher a vida de milhões.

    Por isso, desde o início o governo federal negou-se a tomar medidas restritivas de qualquer tipo. Porque esta foi a sua escolha, infectar metade da população para chegar a uma situação mais estável da epidemia, tendo como custo desta escolha a vida de milhões de brasileiros. Até mesmo o fechamento de escolas era negado pelo governo Bolsonaro há poucos dias. Por isto surgiu a crise que o governo Bolsonaro teve e tem com governos estaduais e municipais que tomam medidas mais restritivas de circulação de pessoas e isolamento social. Porque estas medidas vão no caminho contrário da política de Bolsonaro e Mandetta.

    Essa política do governo Bolsonaro vai resultar num número gigantesco de infectados nas próximas semanas e numa enorme sobrecarga do sistema de saúde em pouco tempo. É uma absoluta irresponsabilidade, porque isto nos levará a uma situação caótica de incapacidade de atendimento dos casos graves. Ao mesmo tempo, não há nenhum grande investimento imediato no SUS. É um escândalo! O ministro Mandetta diz que no final de abril o sistema de saúde chegará ao limite de sua capacidade, mas o governo não apresenta nenhum plano de investimento massivo no SUS para ampliar o sistema. E aí vem 1,6 bilhão do dinheiro da Lava Jato. Ótimo! Mas é uma cifra irrisória se você lembrar por exemplo que só a reforma do Maracanã para a Copa custou cerca de 1 bilhão. Não tem dinheiro? É claro que tem. Também tem conhecimento técnico para ampliar o sistema e ainda algum tempo até o final de abril. A questão é que o governo Bolsonaro já fez a sua escolha.

    As pessoas vão morrer sem acesso a atendimento. Muita gente. E isso é uma escolha. Essa é a escolha de Bolsonaro e Mandetta. A alternativa a isso seria parar toda a circulação de pessoas, paralisar completamente a economia, somente deixando funcionar o essencial neste período. Tem que haver também um plano de garantia da vida nas favelas e dos mais pobres, que vão ser mais afetados. Não adianta a mídia passar o dia inteiro repetindo “fique em casa” porque não é só uma questão de escolha individual (apesar de ter muitos casos de irresponsabilidade), em boa medida é uma questão econômica e social. Milhões de pessoas no país não podem parar e se isolar durante vários dias seguidos porque isso significa ficar sem dinheiro para comer. Por isso, é o governo que deve garantir imediatamente os salários e empregos, além de renda para os trabalhadores informais. Isso é fundamental. Esse é o caminho para garantir a vida.

    Nós passaríamos um bom tempo com restrições, mas não teríamos milhões de mortos no final das contas, e sim milhares. Mas a escolha que Bolsonaro fez é outra. É manter a economia funcionando, é seguir repassando ao sistema financeiro quase a metade do orçamento da união em vez de suspender o pagamento da ilegítima dívida pública – sobre a qual os governos sequer permitem que seja feita uma auditoria. O governo escolheu o lucro, em prejuízo da vida de milhões. Seriam cerca de 3 milhões de mortos. Os próximos dias vão ser muito duros, muito mais que seriam se Bolsonaro, Guedes e Mandetta tivessem escolhido defender acima de tudo a vida dos brasileiros. Temos que seguir cobrando e pressionando de todas as formas possíveis para que essas escolhas mudem.

    Texto de Adolpho Ferreira

    Tdxs Pelo SUS
    Fora Bolsonaro”

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