O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da campanha de vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. A medida foi tomada após a identificação de reações adversas graves em um grupo de vacinados, incluindo dois óbitos.
De acordo com a pasta, das mais de 500 mil doses aplicadas no país até o dia 30 de maio, 42 pessoas apresentaram sintomas de alarme, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Três delas precisaram de internação hospitalar e dois casos evoluíram para morte: uma mulher de 48 anos, com comprometimento neurológico grave, e um homem de 58 anos, que desenvolveu choque refratário após quadro febril iniciado cinco dias depois da vacinação.
O ministro Alexandre Padilha ressaltou, em coletiva de imprensa, que ainda não é possível afirmar que os eventos adversos foram causados diretamente pela vacina. Segundo ele, a suspensão tem caráter preventivo e abre espaço para que o Ministério, a Anvisa e o Butantan aprofundem a investigação por meio de um estudo de caso-controle, buscando identificar fatores de risco individuais, doenças preexistentes, possíveis desvios de qualidade e erros de imunização.
A suspensão foi recomendada pelo Comitê Interinstitucional de Farmacovigilância de Vacinas (Cifavi) e pela Câmara Técnica de Assessoramento em Imunizações (Ctai) e vale apenas para o imunizante do Butantan. A vacina Qdenga, produzida pelo laboratório Takeda e também disponível no SUS, não é afetada pela medida.
O Ministério destacou que a decisão não invalida a eficácia do produto, que registrou 79,6% de eficácia global e 89% contra dengue grave em estudo publicado em revista científica internacional, e que quem já foi vacinado segue protegido. Pessoas imunizadas nos últimos 21 dias receberão acompanhamento especial. A orientação é procurar uma unidade de saúde caso surjam sintomas como febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, tontura, sangramentos ou piora do estado geral.
O Instituto Butantan afirmou que trabalhará com “absoluto rigor” para aprofundar as investigações e que, confirmada a segurança do imunizante, a vacinação poderá ser retomada em breve.
*Com informações da Agência Brasil.
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