Uma nova droga experimental desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Oxford apresentou resultados animadores em pacientes com alguns dos tipos de câncer mais comuns do mundo.
O medicamento atua removendo uma espécie de “capa de invisibilidade” usada pelas células tumorais para escapar do sistema imunológico, aumentando a eficácia da imunoterapia.
Os resultados foram apresentados durante a reunião anual da American Society of Clinical Oncology, realizada em Chicago, considerada a maior conferência mundial sobre câncer.
Segundo o jornal britânico The Guardian, o estudo envolveu 83 pacientes com câncer de colo do útero, bexiga, fígado, intestino, pulmão e cabeça e pescoço. Todos já haviam passado por tratamentos anteriores sem sucesso e, em muitos casos, não possuíam outras opções terapêuticas disponíveis.
Os participantes receberam a droga experimental GRWD5769 em combinação com o medicamento imunoterápico Cemiplimab. Os pesquisadores observaram redução dos tumores em 26 pacientes. Em 15 deles, a diminuição foi de pelo menos 30%.
Como a droga funciona?
A imunoterapia revolucionou o tratamento do câncer ao utilizar as próprias defesas do organismo para combater células tumorais. No entanto, cerca de dois terços dos pacientes não respondem adequadamente ao tratamento.
Uma das razões é a capacidade que alguns tumores possuem de se esconder do sistema imunológico – e a nova droga foi projetada para barrar essa estratégia.
O medicamento atua sobre uma enzima chamada ERAP1 (aminopeptidase do retículo endoplasmático 1), que pode ser manipulada pelas células cancerígenas para evitar serem reconhecidas pelos linfócitos T — células responsáveis por identificar e destruir ameaças ao organismo.
Ao bloquear esse mecanismo, o medicamento torna as células tumorais novamente visíveis para o sistema imunológico, permitindo que a imunoterapia exerça sua função com maior eficiência.
Além da redução dos tumores, os pesquisadores verificaram que a progressão da doença permaneceu controlada por pelo menos seis meses em parte dos participantes:
- 18% dos pacientes com câncer de colo do útero;
- 32% dos pacientes com câncer de fígado;
- 36% dos pacientes com câncer de bexiga;
- 38% dos pacientes com câncer de cabeça e pescoço;
- 51% dos pacientes com câncer colorretal;
- 55% dos pacientes com câncer de pulmão.
Apesar do entusiasmo, os cientistas ressaltam que o estudo ainda está em fase inicial – trata-se de um ensaio clínico de fase 1, etapa destinada principalmente a avaliar segurança, dosagem e sinais preliminares de eficácia. Os resultados precisam ser confirmados em pesquisas maiores e com mais participantes antes que o medicamento possa ser aprovado para uso amplo.
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