23 de junho de 2026

Nova droga “desmascara” células e reduz tumores cancerígenos

Em teste com pacientes que não respondiam a tratamentos convencionais, medicamento obteve resultados com até seis tipos diferentes de câncer
Foto de National Cancer Institute na Unsplash

Pesquisadores da Universidade de Oxford testaram droga experimental GRWD5769 em 83 pacientes com câncer avançado.
Droga bloqueia enzima ERAP1, tornando tumores visíveis ao sistema imunológico e melhorando resposta à imunoterapia.
Resultados preliminares mostram redução tumoral e controle da doença por 6 meses em vários tipos de câncer.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Uma nova droga experimental desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Oxford apresentou resultados animadores em pacientes com alguns dos tipos de câncer mais comuns do mundo.

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O medicamento atua removendo uma espécie de “capa de invisibilidade” usada pelas células tumorais para escapar do sistema imunológico, aumentando a eficácia da imunoterapia.

Os resultados foram apresentados durante a reunião anual da American Society of Clinical Oncology, realizada em Chicago, considerada a maior conferência mundial sobre câncer.

Segundo o jornal britânico The Guardian, o estudo envolveu 83 pacientes com câncer de colo do útero, bexiga, fígado, intestino, pulmão e cabeça e pescoço. Todos já haviam passado por tratamentos anteriores sem sucesso e, em muitos casos, não possuíam outras opções terapêuticas disponíveis.

Os participantes receberam a droga experimental GRWD5769 em combinação com o medicamento imunoterápico Cemiplimab. Os pesquisadores observaram redução dos tumores em 26 pacientes. Em 15 deles, a diminuição foi de pelo menos 30%.

Como a droga funciona?

A imunoterapia revolucionou o tratamento do câncer ao utilizar as próprias defesas do organismo para combater células tumorais. No entanto, cerca de dois terços dos pacientes não respondem adequadamente ao tratamento.

Uma das razões é a capacidade que alguns tumores possuem de se esconder do sistema imunológico – e a nova droga foi projetada para barrar essa estratégia.

O medicamento atua sobre uma enzima chamada ERAP1 (aminopeptidase do retículo endoplasmático 1), que pode ser manipulada pelas células cancerígenas para evitar serem reconhecidas pelos linfócitos T — células responsáveis por identificar e destruir ameaças ao organismo.

Ao bloquear esse mecanismo, o medicamento torna as células tumorais novamente visíveis para o sistema imunológico, permitindo que a imunoterapia exerça sua função com maior eficiência.

Além da redução dos tumores, os pesquisadores verificaram que a progressão da doença permaneceu controlada por pelo menos seis meses em parte dos participantes:

  • 18% dos pacientes com câncer de colo do útero;
  • 32% dos pacientes com câncer de fígado;
  • 36% dos pacientes com câncer de bexiga;
  • 38% dos pacientes com câncer de cabeça e pescoço;
  • 51% dos pacientes com câncer colorretal;
  • 55% dos pacientes com câncer de pulmão.

Apesar do entusiasmo, os cientistas ressaltam que o estudo ainda está em fase inicial – trata-se de um ensaio clínico de fase 1, etapa destinada principalmente a avaliar segurança, dosagem e sinais preliminares de eficácia. Os resultados precisam ser confirmados em pesquisas maiores e com mais participantes antes que o medicamento possa ser aprovado para uso amplo.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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