Militares estão desmontando a engrenagem do SUS, alerta especialista

"O Exército está ocupando cargos técnicos quando o Brasil tem profissionais extremamente competentes na área da saúde coletiva brasileira"

Jornal GGN – O professor da FGV e especialista em SUS, Adriano Massuda, disse em entrevista ao El País que o Brasil pode estar assistindo a um “processo de desmonte da engrenagem que fez o sistema de saúde funcionar nos últimos 30 anos, que é muito perigoso.”

“O Exército pode estar puxando pro seu colo a responsabilidade de desmontar o sistema de saúde brasileiro. Esse sistema que é essencial para garantir a segurança sanitária do nosso país”, disse.

Massuda criticou especialmente a entrada de militares no Ministério da Saúde, em cargos que antes pertenciam a técnicos de carreira que acumularam muito conhecimento e trabalho sobre suas respectivas áreas. Esse esvaziamento pelo governo Bolsonaro, para dar lugar à tutela militar, pode virar um prejuízo permanente e não algo que vai marcar apenas o enfrentamento à pandemia do coronavírus.

“O volume de ocupação de cargos técnicos por militares e por indicações políticas sem qualificação necessária na estrutura do Ministério da Saúde tem ocorrido como nunca antes desde que o SUS foi criado. Nem o pior ministro da Saúde fez o que está acontecendo agora.”

Segundo o especialista, há áreas técnicas do Ministério “que já passaram por diferentes governos, de diferentes bandeiras políticas, e nunca foram modificadas, devido ao saber acumulado”, disse.

“O Exército está ocupando cargos técnicos quando o Brasil tem profissionais extremamente competentes na área da saúde coletiva brasileira. Poucos países têm a inteligência que nós temos neste setor. Essa inteligência não está no Exército”, alertou.

Ele demonstrou preocupação com “outros programas de saúde que dependem da coordenação técnica do ministério. Como é que vai ficar a coordenação nacional do câncer? Como é que vai ficar a política nacional do HIV, do sangue e hemoderivados, e as vacinas que dependem da ação do Ministério da Saúde? É algo muito arriscado e a sociedade tem que ficar bastante atenta. O problema não é só a covid-19.”

4 comentários

  1. “Profissionais altamente competentes”
    Que nunca se impuseram, foram sempre servis ao chefe de plantão, ciosos dos seus empreguchos e felizes com a sua vida pequeno burguesa.
    Votaram no bolçodoria!
    Agora, genuflexos, batam continência!

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  2. Muito grave e perigosa a guinada dos militares para a política, para o capital e (quem sabe?) para o mundo do capital especulativo. Se holofotes da mídia, ganhos em salários adicionais e a vaidade do status do cargo em governo civil, for da preferência do militar, que ele então responda civilmente por todos os atos que possa praticar contra o cargo, contra a instituição e/ou contra as lei do país. O dever de zelar pelo bom nome das instituições brasileiras, mesmo as militares, é mais da população contribuinte em virtude de ser ela quem paga os impostos que sustenta todas as instituições. Chegou o momento de exigirmos a volta dos militares para os quarteis e encerrarem definitivamente a reprovada, e sem sentido, participação de militares no fracassado governo atual.

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