O inócuo bom-mocismo da pseudoesquerda, por Roberto Bitencourt da Silva

No Brasil, a ampla maioria, trabalhadora, subjugada, subalternizada, em vez de bombardeada com apelos anestesiantes e infrutíferos, precisa ser armada material e intelectualmente, contra os seus inimigos no poder.

O inócuo bom-mocismo da pseudoesquerda

por Roberto Bitencourt da Silva

O pseudoesquerdismo, mesclado com pressupostos defendidos por intérpretes da ciência política liberal e colonizada, ontem andou tecendo críticas ao fascismo tupiniquim bolsonarista e ao fascismo italiano histórico.

Isso devido à pregação remota e em nosso dias do fascismo à disponibilização de armas à população. Na prática, trata-se daquele habitual desserviço deseducativo do liberalismo verde-amarelo, autodeclarado progressista.

O fascismo histórico e os colonizados daqui, os nossos abjetos serviçais do imperialismo, o que pregam, na verdade, ontem como hoje, é o armamento de minorias. É precisamente isso o que deveria ser destacado e criticado de maneira contundente.

Os entreguistas, lesa pátria que compõem o governo federal e os seus poucos adeptos organizados na sociedade, oferecem uma retórica perturbadora e ruidosa, mas sempre voltada ao atendimento dos interesses e das posições das minorias.

Minorias ricas. Gringas e internalizadas no país: o grande capital internacional, os bancos, o agronegócio, grandes companhias empresariais comerciais, prestadoras de serviços públicos e extrativas. É para esse público que se destina a cantilena fascistóide armamentista.

Igualmente, para os seus subalternos inebriados com a cartilha pretensamente anticomunista, também a seu serviço. Criminosos milicianos, que exploram populações carentes e faveladas. Setores vinculados aos aparelhos repressivos de segurança e defesa do Estado. Paramilitares. No mais, se tem em vista assegurar as posições dos grandes. Os seus anseios altamente espoliativos. Esse é o alvo central do discurso armamentista do bolsonarismo.

O resto, a ampla maioria da população brasileira, as esquerdas, os movimentos sociais e populares, os trabalhadores, as camadas sociais hiperespoliadas e marginalizadas, os estudantes dotados de iniciativa e criticidade, todos submetidos ao cano do temor e da ameaça. Essa é exatamente a discrepância que deve ser chamada atenção.

Leia também:  Marise Ramos: ‘O desafio da política pública é brutal e a sociedade é eticamente obrigada a se comprometer com ela’

Ademais, cumpre lembrar: uma das dimensões fundamentais do poder é a força. E força requer armas. Pensadores que muito contribuíram para a história das ideias políticas ficariam ruborizados com tanta ingenuidade bom-mocista.

O filósofo Baruch de Spinoza, um ícone do patrimônio teórico democrático, e Vladimir Lênin, uma referência do pensamento e da história política do socialismo, teriam vergonha do pseudodebate contemporâneo brasileiro com o sinal à esquerda.

Ambos os grandes pensadores políticos compreendiam o acesso e a familiaridade com as armas, entre a maioria esmagadora da população, como dispositivos necessários às garantias das liberdades públicas, à possibilidade de exercício da soberania da coletividade contra agressões externas.

Eles também eram contra o monopólio da força, sempre perigoso, nas mãos exclusivas de exércitos profissionais. Na América Latina, Cuba é um caso modelar desse perfil democrático e socialista de experiência político-militar de defesa popular e nacional. A “Guerra de Todo o Povo”, conforme a sua doutrina oficial.

No Brasil, a ampla maioria, trabalhadora, subjugada, subalternizada, em vez de bombardeada com apelos anestesiantes e infrutíferos, precisa ser armada material e intelectualmente, contra os seus inimigos no poder. Inimigos que estão entregando e querem intensificar a entrega do Brasil para os Estados Unidos.

Inimigos repugnantes que desprezam completamente a Pátria e o Povo Brasileiro, a sua cultura, a sua identidade, que pretendem matar de fome o Povo. Inimigos que almejam entregar o patrimônio e as riquezas nacionais para o capital internacional e o imperialismo, notadamente estadunidense.

Um regime flagrantemente neocolonial é o que se tem em vista. O que se tem adotado. Um regime político e econômico no qual o Povo Brasileiro não tem qualquer voz, nem vez. Que não deve contar para absolutamente nada nos processos decisórios. Apenas chamado para gerar riquezas para os grandes no país e também escoá-las para o exterior.

Leia também:  Governo Bolsonaro estuda construir nova estrada na Amazônia

Essa é a ordem de problemas e de questões que devem sistematicamente ser veiculadas para a nossa gente. No mais, é só baboseira bom-mocista inócua e alheia à nossa dura realidade.

Roberto Bitencourt da Silva – historiador e cientista político.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora