Sem isolamento, SP teria hoje 10 vezes mais infectados, diz secretário

O governador João Doria endossou o discurso do secretário, e afirmou que o Estado não fará "nenhum relaxamento" da quarentena nesse momento

Jornal GGN – O secretário de Saúde de São Paulo, Luiz Henrique Germann, afirmou que se o governo estadual e as prefeituras não tivessem adotado medidas de mitigação contra o coronavírus, reduzindo a mobilidade social, “hoje teríamos 10 vezes mais pacientes infectados do que temos hoje.”

“Esse é o próprio significado do isolamento social”, afirmou o titular durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira (9/4). No dia anterior, o estado registrou 6,8 mil casos positivos de coronavírus e 428 mortes.

Germann apresentou aos jornalistas um gráfico que mostra a posição do Brasil e do Estado de São Paulo em comparação a outros países atingidos pela pandemia de COVID-19.

Segundo ele, chama atenção que a evolução de contágio fez uma “curva à esquerda” por volta do dia 16, “está imbicando para cima, o que significa que precisamos tomar providências para trazer a curva para a direita. Que providência é essa? Isolamento social.” Na visão do secretário, enquanto o índice de isolamento social do Estado estiver no patamar dos 50%, como aferido na quarta (8), “não conseguiremos dobrar essa curva. Precisamos ter mais pessoas aderidas ao isolamento para que isso possa se modificar gradativamente”, avaliou.

O governador João Doria endossou o discurso do secretário, e afirmou que o Estado não fará “nenhum relaxamento nesse momento.”

“No momento oportuno podemos avaliar. Não alcançamos o pico dessa doença. Precisamos ser sinceros e claros. Estamos vivendo o pior mês da pandemia. Ela, infelizmente, vai atingir milhares de pessoas. Não faz sentido relaxar as medidas quando estamos em um pico ascendente”, disse Doria.

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O médico e coordenador do grupo de gestão da crise de coronavírus, David Uip, também disse que “o centro de contingenciamento não discutiu esse assunto por não achá-lo oportuno nem pertinente.”

Nesta quinta, o governo lançou oficialmente o programa de vigilância contra aglomerações por meio de dados de aparelho celular. A ideia é identificar zonas de adensamento humano e verificar necessidade de intervenção.

“Hoje, 80% dos casos de coronavírus estão concentrados na capital. Atingimos ontem a menor taxa de distanciamento social, de 49% a 50%. Os leitos estão sendo feitos assumindo a taxa ideal de 60 a 70% [de isolamento social], e não estamos alcançando esse indicador”, alertou a secretária de Desenvolvimento Econômico, Patrícia Ellen.

Doria decretou que as medidas de restrição social devem durar até o dia 22 de abril.

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