Xadrez do incêndio lavrando e do presidente pirado

Tem-se o país sentado em um barril de pólvora cujo rastilho já foi aceso

Hoje o Xadrez é a Coluna Econômica.

As consequências do coronavirus para a nova ordem mundial serão as seguintes:

Peça 1 – o quadro brasileiro

Há dois desafios pela crise: a crise sanitária e a crise econômica, com objetivos conflitantes.

A crise sanitária exige redução do convívio social, com reflexos dramáticos sobre o nível de atividade e emprego. Quanto maior a quarentena, maiores os reflexos econômicos, criando a seguinte corrente que levará ao caos social, se os problemas não foram enfrentados:

  1. Disseminação do coronavirus, especialmente a partir das populações vulneráveis.
  2. Congestionamento da rede de internações.
  3. Problemas de abastecimento.
  4. Quebradeira de empresas e explosão do desemprego.
  5. Aumento do desespero e do desalento podendo levar a saques e violência.

Peça 2 – a economia de guerra

Na saúde e na economia, os desafios são conhecidos:

  1. Ampliação dos leitos de UTI e de atendimento, inclusive com requisição de espaços na rede privada.
  2. Trabalho junto às periferias e populações em situação de risco.
  3. Ação junto ao sistema penitenciário.
  4. Reconversão de indústrias para a produção de equipamentos de saúde.
  5. Reconversão de prédios abandonados para abrigar sem teto.
  6. Reconversão de hotéis para espaços de atendimento.
  7. Aumento dos investimentos em institutos de pesquisa e universidades, visando colaborar no esforço de guerra.
  8. Estratégia de prover capital de giro para empresas de todos os tamanhos.
  9. Fiscalização sobre movimentos especulativos com estoques e remédios essenciais.
  10. Monitoramento das cadeias produtivas, especialmente de produtos essenciais.
  11. Montagem de programas visando reduzir os impactos do desemprego na economia formal e, especialmente, na economia informal e entre ambulantes.

Peça 3 – A luta contra o desespero

Nessa guerra, o maior inimigo será o desalento, a incapacidade do país em produzir esperança.

Imagine as seguintes circunstâncias: adultos desempregados, sem acesso a renda, vendo faltar remédios e alimentos em casa, com os filhos desamparados. Nem a mais pacífica das pessoas resistirá.

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As explosões aumentarão à medida em que a doença se espalhar por periferias e favelas e atingir a população carcerária e chegar na classe média e alta. E, do lado mais formal da economia, começarem a aparecer as notícias de quebradeiras e explosão do desemprego.

Portanto, tem-se o país sentado em um barril de pólvora cujo rastilho já foi aceso.

A única maneira de enfrentar a explosão social será mostrar à população uma ação coordenada, conduzida por governantes com credibilidade.

E o que se tem de real, é um presidente totalmente baratinado, cercado por uma família totalmente alienada em relação ao que vem pela frente.

Peça 4 – a área econômica não existe

Vamos a alguns pontos da área econômica.

O BNDES tem um corpo técnico excepcional e uma tradição de luta contra pandemias. Em outros momentos graves, soube atuar tanto no apoio setorial quando nos desastres sanitários.

Na grande crise de 1994, seus técnicos foram essenciais para mapear os setores afetados e empreender uma ação vigorosa para amenizar a crise. Nas grandes crises sanitárias da última década, disponibilizou fundos para institutos de pesquisa – Fiocruz, Butantã – produzirem vacinas e kits de diagnóstico.

Para a crise atual, foram preparados diversos trabalhos mostrando onde o banco poderia atuar. Esses trabalhos não foram levados à reunião da diretoria pelo presidente Gustavo Montezano – que chegou ao cargo devido ao ilustre titulo de companheiro de farras de Eduardo Bolsonaro.

Em vez disso, anunciou medidas sem efeito algum sobre a crise. Os jornais deram manchetes ufanistas, falando em liberação de R$ 55 bilhões. Não houve.

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R$ 30 bilhões foram transferências do PIS-PASEP para o FGTS, esvaziando ainda mais o funding do banco, em uma estratégia equivocada.

Entenda a irracionalidade econômica e ideológica de Paulo Guedes e sua incapacidade de analisar mudanças de cenário.

  1. Em outros momentos de crise, liberação de FGTS e PIS-PASEP colocavam dinheiro no bolso do consumidor, que ia às compras amenizando um pouco a recessão. Ele fez isso no ano passado.
  2. Em momentos de grande insegurança econômica (como o atual) o consumidor não compra, mesmo se tiver dinheiro no bolso. Ele entra em posição totalmente defensiva.
  3. Por outro lado, a paralisação dos negócios cria problemas sérios e de curto prazo com o capital de giro das empresas. Se não forem acudidas a tempo, quebram. E, quebrando, pioram o quadro econômico.

O que Montezano-Guedes-Bolsonaro fizeram, portanto, foi esterilizar R$ 30 bi, tirando dinheiro em circulação.

Os outros R$ 20 bilhões são meramente a suspensão da cobrança de juros e amortização dos financiamentos atuais, medida prudencial mas que não acrescenta um tostão no enfrentamento dos novos problemas que apareceram.

E tudo isso com o fogo lavrando em todas as direções.

Por outro lado, o capital de giro da economia acabou. A Indústria não recebe mais do varejo, que interrompeu todas as compras e pagamentos. Tem em mãos títulos de dívida. Em qualquer economia de mercado, Bancos Centrais e Ministerio da Economia estariam pensando em mecanismos para dar liquidez a esses papéis.

Mas Paulo Guedes foi incapaz de apresentar qualquer solução, com o incêndio grassando. E nem será capaz, por duas vulnerabilidades óbvias: não tem conhecimento da estrutura da economia real; não tem a menor capacidade e experiência gerencial.

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Amanhã, se entrar uma equipe mais qualificada, terá pela frente um cenário irreversível de devastação.

 

Peça 5 – a questão internacional

Deixo para desenvolver em outro xadrez, mas os tópicos centrais são os seguintes:

  1. Fim da era do dólar e da hegemonia americana no mundo.
  2. Desafio de segurar o dólar e, no caso brasileiro, da fuga de dólares esvaziar as reservas brasleiras.
  3. Fim da bolha nos mercados globais e seu desmonte.
  4. Queda generalizada nos preços das commodities.

Peça 6 – sem comando, o caos

O mercado gosta de trabalhar com probabilidades. A probabilidade de qualquer plano de guerra contra a coronavirus dar certo, tendo Bolsonaro e Paulo Guedes no comando, é rigorosamente zero.

Guedes deverá cair nos próximos dias. Mas Bolsonaro continuará, espalhando fake News, investindo contra governadores, atacando ministros que se destaquem e abrindo espaço apenas para parasitas e puxa-sacos.

O Congresso precisa cumprir suas obrigações com o país e retira-lo definitivamente da cena política

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12 comentários

  1. Estamos próximos a uma rebelião civil catastróficas que depois de iniciada sabe-se lá quando para, o primeiro sinal disso será ataques a mercados, pode até não faltar alimentos ms não existirá dinheiro para comprá-los.

  2. Concordo plenamente com o diagnóstico, mas enquanto não houver um consenso entre políticos e uma maioria entre a população, a respeito da queda de Bolsonaro, será que um processo de impeachment não vai jogar mais gasolina na fogueira?
    Vivemos uma situação inusitada. De um lado, sabemos que com Bolsonaro e sua equipe, tudo vai ficar muito pior do que está. De outro, retirá-lo também irá produzir sequelas que não temos como prever. Os loucos bolsominions não deixarão um impeachment acontecer sem reação, com isso, mais exposição ao vírus.
    Fora isso, há sempre um risco de implantação de uma ditadura, desta vez devidamente justificada pelo momento de exceção que vivemos, quando precisamos de um governo forte.
    Concordo que ele não pode seguir no governo, mas fica a pergunta: como mitigar os riscos envolvidos em uma queda de Bolsonaro em um processo de impeachment (este legítimo, pois há crime e abundância de provas)?

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  3. Enfim explicita-se para quem interessa a Epidemia de Histeria. Se não convencemos a opinião livre dos Brasileiros e suas escolhas, então, sabotemos estas escolhas e busquemos o caos. Afinal o cadáver pertence aos abutres. Não é a História Brasileira destes 90 anos? E não sabemos como chegamos aqui? Pobre país rico. Mas de muito fácil explicação.

  4. Nassif, inclua a Inteligência Artificial no cenário e todas “incapacidades” e faltas de “vontade” política se mostrarão OPÇÕES políticas. A eliminação do outro, seja por qual “motivo” for: credo, cor, sexualidade, ideologia, cultura, etc. Inclui-se aí as direitas no mundo todo.
    A questão econômica é a ponta visível do iceberg da cosmovisão.
    FAZENDÃO é o carimbo dado ao Brasil nesse cenário (Globo – Agro é pop, é tech, é tudo).
    O futuro hoje, propaganda dos jetsons bradesco já deixa claro. A CEO pergunta para a Inteligência Artificial.
    – bia tenho dinheiro para comprar um robô novo?

    O robô a ser substituído é a empregada…
    A conquista da IA equivale à “conquista” do fruto proibido da cosmovisão abrâmica, que a originou. A métrica da civilização sempre foi viver mais, mesmo que desprovido de sentido. É o corpo com vestes um corpo castrado, um NÃO SER. O ambiente em que se vive como um NÃO LUGAR(mudanças climaticas), o PLANETA como o não paraiso, um NÃO ESTAR. Uma psique revoltada contra seu próprio deus que proibiu a vida eterna, o fruto que a IA lhes promete.
    O credo rezado deseja a vida eterna da carne:
    “Creio na ressurreição da carne, na vida eterna, amém”
    A cosmovisão é como um programa instalado no cérebro e a saída, a desformatação, está dentro da sombra na parede projetada pela fogueira(luz) da caverna de Platão.
    Feluzmente os POVOS NATIVOS não comungam dessa cosmovisão e resistem, no Brasil, por 520 anos!
    A humanidade precisa de uma nova cosmovisão. Sem compreender essa realidade nao se sabe contra o quê se está lutando.
    “Para ver a ilha é preciso sair da ilha” – José Saramago.
    E para ver o sistema?
    E para ver o mundo?
    A humanidade precisa vencer a civilização.

  5. Na minha teoria da conspiração, acho que quase todo mundo tem uma, o corona vírus Covid-19 está sendo a oportunidade de o Ocidente rico reduzir a riqueza em circulação e a massa salarial da população para, enfim, fazer frente ao Oriente em expansão e com sua massa de assalariados de baixa renda que estão dominando a indústria e a tecnologia mundiais transferindo a riqueza para o lado de lá.
    O Ocidente rico vai paralisar a economia proporcionando a redução da riqueza circulante afetando, principalmente, os países subdesenvolvidos ocidentais como Brasil e similares. Notem que não se fala mais nada sobre os países orientais a não ser sobre a China que vai acabar sendo taxada de vilã da história.
    Nos países ricos a maioria da sua população tem poupança para agüentar uma quarentena, porém em países como o Brasil a população não tem. Além disso, os governos dos países ricos têm dinheiro de sobra para cobrir as despesas da economia parada. Os pobres como nós, não.
    Quando o desespero se instalar nós, os desesperados do terceiro mundo, aceitaremos retomar nossas atividades pela metade ou bem menos do que ganhávamos antes e o vírus já estará “contido”. Com uma imensa quantidade de empresas nacionais quebradas muitas estrangeiras virão para cá ocupar o espaço deixado obtendo facilidades desse governo entreguista por natureza e, assim, teremos novas matrizes produtoras de baixo custo para fazer frente ao Oriente de mesmo perfil.
    O atual Presidente da República no Brasil intensifica as críticas à imprensa acusando-a de causar o colapso, pânico e recessão, mas isso é só fachada. Está apenas se colocando como isento dentro do processo. Trabalho em conjunto entre as partes como sempre vem acontecendo desde sua posse.
    A redução de salários e piora das condições de trabalho já ocorrem no Brasil desde Temer e suas reformas e agora a tacada final para permitir a redução significativa de rendas sem qualquer revolução ou revolta popular.
    Será tudo culpa do vírus. Pelo menos salvaram muitas vidas que poderão recuperar sua renda no futuro. Só que não.
    Mas é só teoria da conspiração na quarentena.

  6. O que deixa livre o miliciano pirado pra fazer o que bem entende é por ter diante de si a oposição mais incompetente da história da humanidade.

  7. Caro Nassif, tenho dúvidas se este cenário é fruto de incompetência do Governo Bolsonaro ou uma estratégia do mesmo. O caos pode ser uma justificativa para o que Bolsonaro sempre desejou, a suspensão do regime democrático. Não é a toa que já demandou estudo sobre Estado de Sítio. Diante de rebeliões e saques, a solução apresentada será a truculência, suspensão de liberdades individuais, polícia, exército e a milícia Bolsonarista armada nas ruas. Há muito tempo que os Poderes da República se mantém passivos diante dos absurdos deste Governo. Se na normalidade se calam, no caos certamente não terão mais voz. Neste xadrez, podemos ser surpreendidos com um xeque mate completamente inesperado.

  8. Não é impeachment. Não pode ser impeachment. Seria demorado e civilizado demais para a figura humana que ocupa a Presidência. É interdição, de preferência com internação compulsória num hospital penitenciário psiquiátrico, se é que ainda existe isso no país. E tem que ser agora, com todo mundo em casa, sem ninguém nas ruas pras milícias revidarem com a mortandade explícita, como na Bolívia, no Equador e no Chile. Todo mundo seguro em casa, batendo panela e gritando, xingando muito da janela quem ainda apoia um traste desses, mas sem palavrão, palavrão é coisa de direita. Vagabundo, lambe-bota, sobretudo lambe-bota, são palavras que ofendem profundamente essa canalha, abaixam ainda mais a moral estagnada de gado deles, até porque vagabundo, não sei, mas que é tudo lambe-bota é a mais pura verdade. É agora. Interdição com reclusão, ad eternum. Para isso basta o Congresso, com a anuência do Supremo e a proteção, fundamental nessa hora, do Exército.

  9. Caro Luiz Nassif, sou um mero leitor do GGN.
    No caso do tópico:
    1- Fim da era do dólar e da hegemonia americana no mundo.
    Os economistas mundiais já pensaram em algo como um “Índice Econômico” para substituir o sistema de cambio? Como o trabalho, energia, educação, logística e outros pontos em comum na economia dos países, mesmo que um país não tem dinheiro, pode ter mão de obra especializada, posição geográfica, insumos, etc.
    Algo que calcule a Energia, horas trabalhadas, educação. Matemática não muda de um país para outro.
    E que seja um Índice, um número, um crédito e débito entre países, para não ter especulação.
    Abraç

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