Com 2º turno definido, Argentina vê bancada de extrema-direita aumentar no Congresso

Renato Santana
Renato Santana é jornalista e escreve para o Jornal GGN desde maio de 2023. Tem passagem pelos portais Infoamazônia, Observatório da Mineração, Le Monde Diplomatique, Brasil de Fato, A Tribuna, além do jornal Porantim, sobre a questão indígena, entre outros. Em 2010, ganhou prêmio Vladimir Herzog por série de reportagens que investigou a atuação de grupos de extermínio em 2006, após ataques do PCC a postos policiais em São Paulo.
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Os candidatos Sergio Massa e Javier Milei disputarão o segundo turno presidencial na Argentina no dia 19 de novembro

Sergio Massa e Javier Milei disputarão o segundo turno na Argentina neste domingo (19). Foto: Montagem com fotos das campanhas de Massa e Milei

Os candidatos Sergio Massa (União Pela Pátria) e Javier Milei (A Liberdade Avança) disputarão o segundo turno presidencial na Argentina no dia 19 de novembro, segundo os resultados oficiais.

Com mais de 98% dos votos apurados, Massa venceu a primeira volta das eleições ao obter 36,68%, enquanto Milei somou 29,98%. 

Neste primeiro turno, o União Pela Pátria acabou como o partido que mais tem a comemorar. Além de avançar ao turno decisivo com uma virada histórica, frustrando um adversário que até este domingo (22) achava que poderia liquidar a eleição sem o segundo turno, manteve a maioria e aumentou a presença de parlamentares no Congresso Nacional.

Liderando a disputa desde as Primárias, Abertas, Simultâneas e Obrigatórias (PASO), passando por todas as pesquisas prévias a este primeiro turno, o resultado foi um banho de água fria na campanha do candidato de extrema-direita Javier Milei. 

Se o resultado do primeiro turno não foi conforme o esperado para a disputa pela Casa Rosada, significou ao A Liberdade Avança um salto de três para 39 cadeiras no Câmara Federal, tornando-se a terceira força na casa legislativa, atrás do União Pela Pátria, que terá 107 assentos e do Juntos pela Mudança, 94. 

Já no Senado, o partido de extrema-direita conseguiu eleger pela primeira vez candidatos, obtendo oito assentos, mas ainda muito atrás do União Pela Pátria, que avançou para 34 cadeiras e o Juntos Pela Mudança, que caiu de 33 para 24 posições.  

Segundo o cientista político Bruno Lima Rocha, residente na Argentina para estudar e acompanhar as eleições deste ano, o partido de Javier Milei projetava montar uma bancada no Congresso e conseguiu. “Ao contrário das eleições provinciais, que Milei não fez campanha e não atingiu 5% na maior parte dos casos (o ano eleitoral aqui é mais prolongado), ontem (domingo, 22) só foram pro voto cinco unidades: CABA, Província de Buenos Aires, Entre Ríos, Santa Cruz e Catamarca”, explica Rocha.

Patricia Bullrich, a candidata da aliança conservadora Juntos Pela Mudança, que aspirava obter votos suficientes para avançar à segunda volta, em disputa acirrada com Sergio Massa, chegou a apenas 23,83%, frustrando também as expectativas de sua campanha, e ficou de fora da corrida.

O partido é o que sai mais derrotado do pleito, sendo Patricia Bullrich a segunda mais votada nas PASO, e agora, consolidado como a segunda força parlamentar, pode ser decisivo no segundo turno onde na Argentina se espera agora pela decisão de qual candidato o Juntos pela Mudança irá apoiar. 

Mais de 35,8 milhões de argentinos estavam aptos a votar neste domingo e, destes, às urnas foram 74%, conforme a Câmara Nacional Eleitoral, sendo uma das maiores abstenções computadas na Argentina na história recente.

Além dos candidatos à Presidência, os eleitores escolheram 130 deputados, 24 senadores e 43 representantes do Parlasul.

Tendências de votação

O resultado, aparentemente, pegou quem observava as eleições argentinas de surpresa. Nos últimos tempos, por outro lado, a Argentina vinha sendo surpreendida por resultados diferentes do estimado. As pesquisas apontavam Javier Milei em uma espera estreita pelo concorrente ao segundo turno, disputa afunilada entre Sergio Massa e Patricia Bullrich. 

Ocorre que apesar da surpresa, as tendências internas de votação confirmaram cenários previstos pelas pesquisas nas últimas semanas. Em contrapartida, representaram uma mudança fundamental em relação às primárias dos candidatos presidenciais realizadas em 13 de agosto.

Naquele dia, Milei, líder de extrema-direita com carreira política de apenas dois anos, surpreendeu ao se tornar o candidato mais votado, enquanto Massa, o ministro da Economia, ficou em terceiro lugar.

Porém, a partir desse momento, Massa conseguiu se recuperar e agora segue como líder para um segundo turno em que buscará a reeleição do peronismo.

Por outro lado, os candidatos Juan Schiaretti (Fazemos por Nosso País) e Myriam Bregman (Frente de Esquerda e dos Trabalhadores Unidos) repetiram os resultados das eleições primárias e alcançaram apenas 6,78% e 2,7%, respectivamente.

Formação do Congresso

Embora a disputa pela Presidência esteja pendente, já se sabe como será formado o Congresso a partir de 10 de dezembro. 

Na Câmara dos Deputados, onde foram renovadas 130 das 257 cadeiras, o União pela Pátria terá 107, Juntos pela Mudança ocupará 94, e o A Liberdade Avança, que até este domingo só tinha três legisladores, conseguiu 39, tornando-se a terceira força. 

Os grupos restantes totalizarão 17 deputados: sete para o Peronismo Federal, quatro para a Frente de Esquerda e Operários e outros seis para partidos provinciais.

No Senado foram renovadas 24 cadeiras, das 72 disponíveis, correspondentes às províncias de Buenos Aires, Formosa, Jujuy, La Rioja, Misiones, San Juan, San Luis e Santa Cruz. 

O União Pela Pátria obteve 12 cadeiras, e agora tem 34, encurtando o espaço do Juntos pela Mudança, que fica com 24 das 33 que possuía, mantendo, porém, a posição de primeira minoria. 

Enquanto isso, A Liberdade Avança conseguiu oito cadeiras entrando pela primeira vez no Senado. Outras três serão para o Peronismo Federal e mais três para os partidos provinciais.

Contexto eleitoral: como foi o primeiro turno

O resultado do primeiro turno começou a ser assumido na tarde deste domingo pelos representantes dos partidos políticos.

Pouco depois do fechamento das urnas, quando ainda não havia dados oficiais, Guillermo Francos, assessor de Javier Milei, reconheceu que haveria segundo turno, o que contrariou as expectativas de um candidato que aspirava vencer no primeiro turno.

Nas demais sedes do partido, se optou pela cautela, embora aos poucos no partido governista fosse crescendo um clima de otimismo que indicava que Massa conseguiria chegar em primeiro lugar.

Parte deste resultado se deve à vitória esmagadora do governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, que foi reeleito com 45% dos votos, ante os 26,4% obtidos por seu adversário mais próximo, Néstor Grindetti, do Juntos pela Mudança.

Uma vez que as tendências se tornaram irreversíveis, a primeira candidata a discursar foi Patricia Bullrich, que aceitou a derrota acompanhada por todos os líderes do Juntos pela Mudança, incluindo o ex-presidente Mauricio Macri.

“Viemos ratificar com força total os valores da nossa causa: a República, o combate à corrupção, um país que deve abandonar o populismo, talvez esses valores hoje tenham adormecido, mas vamos respeitá-los. Nunca faça parte das máfias que destruíram o país”, alertou, sem esclarecer se apoiará algum dos candidatos no segundo turno.

Com informações do Pagina 12 e Clarín

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Renato Santana

Renato Santana é jornalista e escreve para o Jornal GGN desde maio de 2023. Tem passagem pelos portais Infoamazônia, Observatório da Mineração, Le Monde Diplomatique, Brasil de Fato, A Tribuna, além do jornal Porantim, sobre a questão indígena, entre outros. Em 2010, ganhou prêmio Vladimir Herzog por série de reportagens que investigou a atuação de grupos de extermínio em 2006, após ataques do PCC a postos policiais em São Paulo.

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