Durante a abertura do encontro entre Chefes de Estado do Mercosul, nesta quinta-feira (07), o presidente Lula falou sobre as expectativas para o bloco econômico junto a outros países e também cobrou posições sobre a disputa entre Venezuela e Guiana pelo território de Essequibo.
Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo
Realizada no Rio de Janeiro, a agenda principal de Lula na abertura era tratar de negociações do Mercosul com a União Europeia. Ele afirmou que “continuará tentando”, mas admitiu que a tentativa de acordos já está mais distante.
A tentativa com europeus
“A tentativa de acordo com a União Europeia está durando 23 anos, mas a gente tem que continuar tentando fazer acordo. Não existe nada que seja impossível de concretizar”, disse.
Ele atribuiu a dificuldade às “resistências muito grandes” apresentadas pelos países europeus, como a França, incluindo a “falta de flexibilidade deles de entender que nós ainda temos muita coisa para crescer”.
“Temos o desejo de nos industrializar, só precisamos de flexibilidade, que eles comprem alguma coisa nossa com maior valor agregado. Mas eles ainda não estão sensíveis para isso”, avaliou junto às outras lideranças.
ACORDO MERCOSUL E UNIÃO EUROPEIA | "Nunca antes na história do Mercosul se conversou com tanta gente tentando mostrar a necessidade de fazer esse acordo. Acontece que a França é muito protecionista, e não levam em conta que nós temos direito de participar", declarou @LulaOficial. pic.twitter.com/W3ZgJwKN1W
A falta de sensibilidade, continuou, está nas medidas protecionistas dos países, de não ceder com a produção agrícula, por exemplo, no qual o Brasil poderia integrar a participação na exportação.
Venezuela-Guiana: Mercosul “não pode ficar alheio”
Mas além do comércio internacional – o centro do debate das lideranças do Mercosul neste encontro -, Lula aproveitou a abertura do evento para cobrar posições e medidas políticas.
Assim como o fez em sua agenda internacional, cobrando respostas para a guerra de Gaza e da Ucrânia, Lula afirmou que o Mercosul “não pode ficar alheio” à disputa pelo território de Essequibo, na Guiana, pela Venezuela.
ESSEQUIBO | Na abertura da Cúpula do Mercosul, o presidente @LulaOficial abordou a questão entre a Venezuela e a Guiana. "Acompanhamos com crescente preocupação o desdobramento. O Mercosul não pode ficar alheio", afirmou. Os países-membro devem divulgar declaração conjunta. pic.twitter.com/QOzXaXhL7O
O presidente disse que o bloco acompanha “com crescente preocupação” a tentativa da Venezuela de anexar o território. E pediu que nenhum conflito ou guerra atinja o continente.
“Não queremos que esse tema contamine a retomada do processo de reintegração regional ou constitua ameaça à paz e à estabilidade”, disse.
“Caso considerado útil, o Brasil e o Itamaraty estarão à disposição para sediar qualquer e quantas reuniões forem necessárias. Nós vamos tratar com muito carinho. Porque uma coisa que nós não queremos na América do Sul é guerra. Não precisamos de conflitos.”
Lula não toma parte explícita, ao contrário do que disse Guiana
Lula não confirmou a declaração do presidente da Guiana, Irfaan Ali, de que ele teria defendido o país na disputa contra a Venezuela. Nas palavras do presidente, diretamente para os chefes de Estado na cúpula do Mercosul, não há a defesa explícita de nenhuma parte, mas a do não conflito.
O presidente convocou a CELAC (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) e a Unasul (União de Nações Sul-Americanas) a mediar o impasse.
“Enfatizo a importância de que as instâncias da Celac e Unasul estejam plenamente utilizadas para o encaminhamento pacífico dessa questão. Sugiro que o presidente Ralph Gonsalves, presidente de turno da Celac, possa tratar do tema com as duas partes.”
Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.
Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!
Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!
Mais lidas
As mais comentadas
Colunistas
Ana Gabriela Sales
Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.
Camila Bezerra
Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...
Carla Castanho
Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN
Deixe um comentário