21 de maio de 2026

Javier Milei: o maníaco à solta que pode virar presidente da Argentina, por Hugo Souza

Milei defende a criação de um mercado de órgãos humanos para “resolver” o problema da fila de transplantes.
Javier Milei (Foto: reprodução/redes sociais).

do Come Ananás

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Javier Milei: o maníaco à solta que pode virar presidente da Argentina

por Hugo Souza

Abolição do salário mínimo, dos sindicatos e das aposentadorias; revogação das leis do aborto legal e da educação sexual; liberar a venda de armas.

Estas são algumas das propostas da plataforma eleitoral da coalização de extrema-direita “A Liberdade Avança”, encabeçada pelo economista dito “libertário” Javier Milei, de 52 anos, fascista em ascensão que caminha para chegar nas eleições gerais de outubro na Argentina com reais possibilidades de se tornar o sucessor de Alberto Fernández na Casa Rosada.

“Apareceu um personagem, um louco, e a mídia faz o possível para mostrá-lo em um lugar preponderante na política”, disse recentemente o presidente Fernández, que, com mais de 70% de desaprovação e em meio a pesadas disputas de poder no seio do kirchnerismo, anunciou no fim de abril que não irá concorrer à reeleição.

Pesquisas mostram que a intenção dos argentinos de votarem em Milei pulou de 15% no início do ano para atuais 23%. A Frente de Todos, de Fernández e com nome ainda indefinido para disputar a presidência, tem 29%, mesmo patamar da coalizão de direita Juntos Pela Mudança, do ex-presidente Maurício Macri. As pesquisas mostram também que Milei tem a melhor imagem positiva e o maior teto de votação entre os possíveis postulantes à presidência da Argentina.

Tendo em vista que não só no Brasil as pesquisas eleitorais têm errado feio, para menos, as votações na extrema-direita, é mesmo o caso de se preocupar.

Há poucos dias, Milei voltou a defender outro ponto de seu programa que por si só – como tantos outros – deveria bastar para barrar seu registro eleitoral: a criação de um mercado de compra e venda de órgãos humanos para “resolver” o problema da fila de transplantes.

No início de maio, Milei convidou para a vice em sua chapa uma deputada conhecida por defender a brutal ditadura militar instalada na Argentina entre 1976 e 1983.

“Aquele discurso de maníaco à solta que muitos de nós víamos em 2015 e 2019 como algo que não pegaria nas agendas políticas tornou-se o desejo de realidade de uma parcela não desprezível do eleitorado”, escreveu na semana passada o jornalista Julián Ponsone no jornal portenho Página 12, em artigo intitulado “O fascismo já está entre nós?”.

A resposta é sim. Na vizinhança, por exemplo, faz tempo. Com “A Liberdade Avança” e Javier Milei, avança o fascismo na Argentina e na América Latina.

Hugo Souza é jornalista.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para dicasdepauta@jornalggn.com.br. A publicação do artigo dependerá de aprovação da redação GGN.

Hugo Souza

Hugo Souza é Jornalista. Editor do Come Ananás

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  1. Antonio Uchoa Neto

    29 de maio de 2023 10:42 am

    Em tempos de precarização (embora eu prefira o termo ‘degradação’) do trabalho, único meio disponível para 99% (por baixo) da população do planeta garantir um mínimo de dignidade na luta pela sobrevivência (o que nem sempre é necessariamente verdadeiro, pois dignidade não tem valor de mercado), o que eu costumo chamar de “posições de força” nadam de braçada. Só na chamada para este artigo identificamos seis dessas posições: Abolição do salário mínimo, dos sindicatos e das aposentadorias; revogação das leis do aborto legal e da educação sexual; liberar a venda de armas. As três primeiras são um enigma; porque o pobre adere a um político cuja plataforma inclui esses itens? Eu, que sou e convivo com pobres desde o começo dos anos 80, só tenho uma explicação para isso: o pobre se julga muito mais próximo das classes média e média alta do que de outros pobres. Não lhe passa pela cabeça que ele está condenado a ganhar salário mínimo pelo resto da vida (e nem se tente explicar que quem paga seu salário é ele mesmo, e não o seu patrão, com uma parcela infinitesimal do que ele próprio, trabalhador, produz), ou que necessite de um sindicato para tentar minimizar essa situação (fora o anátema absoluto de ter que pagar uma contribuição sindical), ou que um dia dependerá, para sobreviver, de uma aposentadoria; Deus o livre e guarde. Não consigo encontrar outra explicação. Fora o fetiche em si da violência, da força, de relegar os demais a posições sociais degradantes. As outras duas, aborto e educação sexual, são parte imprescindível do repertório moralista e medievalizante que – creiam-me, sou pobre e moro entre pobres há quarenta anos, repito – fazem parte do universo mental do pobre, gente que sai atrás do primeiro que apareça com uma cruz ou uma espada. Frequentemente, aliás, nesses últimos tempos, esse aparecido porta as duas, uma em cada mão. Meu pai, que sonhou ser rico a vida inteira, chegando a passar boa parte dela ostentando algo que, ao fim e ao cabo, se revelou apenas uma aparência, morreu pobre, remediado por um benefício criado durante o primeiro governo Lula, desprezou até o último momento aquele a quem chamava de ‘molusco’. Nosso povo (sic) brasileiro, que elegeu duas vezes Lula, e deu a Dilma índices de popularidade ainda maiores, caiu mais do que facilmente nos contos da carochinha da corrupção, do aborto, do comunismo, todas essas palhaçadas que fazem parte do repertório da direita (hoje, já desavergonhada, extrema-direita) para manter esse mesmo povo – com a devida anuência e consentimento – nessa miséria pantanosa, sonhando com a riqueza, com a prosperidade, com a felicidade, e garantindo o luxo e a riqueza dessa gente que não os aceita como membros de seu clube, apenas como serviçais. É triste ver esse sistema se manter e se aperfeiçoar, graças justamente àqueles que são suas vítimas. Milei não é um maníaco. É apenas o espertalhão outsider da hora. Vai se eleger, talvez, entregar aos verdadeiros maníacos (bancos e corporações) neoliberais o que ainda resta da Argentina, e depois vai ser jogado fora como bagaço por esses mesmos maníacos, como sempre acontece. Depois surge outro. Existem cruzes e existem espadas. Portanto, existe quem os empunhe. E segue a roda do mundo.

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