Observatorio de Geopolitica
O Observatório de Geopolítica do GGN tem como propósito analisar, de uma perspectiva crítica, a conjuntura internacional e os principais movimentos do Sistemas Mundial Moderno. Partimos do entendimento que o Sistema Internacional passa por profundas transformações estruturais, de caráter secular. E à partir desta compreensão se direcionam nossas contribuições no campo das Relações Internacionais, da Economia Política Internacional e da Geopolítica.
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Quando o pragmatismo faz uma visita, por Felipe Bueno

Santiago Peña, radical opositor da ditadura Stroessner aos 18, conservador Colorado aos 44, garante que tem negociações vantajosas

Agência de Notícias da Indústria

do Observatório de Geopolítica

Quando o pragmatismo faz uma visita

por Felipe Bueno

O presidente do Paraguai avisou que, ao assumir a liderança rotativa do Mercosul, em dezembro próximo, pretende engavetar as negociações entre o bloco regional e a União Europeia.

Se vai ou não, não sabemos, mas pelo menos soltou a bravata, e as palavras de Santiago Peña foram para as manchetes da grande imprensa brasileira.

O barulho foi maior que o produzido pela declaração de Lula duas semanas atrás. O atual presidente do Mercosul disse essencialmente a mesma coisa: “ou faz ou pára de discutir”.

O acordo com a União Europeia foi celebrado em 2019, como já lembramos neste espaço, como uma inédita vitória diplomática do governo brasileiro que estava no poder.

Na prática, porém, ainda nenhum grão de milho entrou no Velho Continente com mais facilidade.

Para além de sorrisos e apertos de mão intercalados com declarações austeras e expressões de preocupação estão os estágios de evolução – ou não – dos dois blocos envolvidos na disputa, o Mercosul e a União Europeia.

Santiago Peña, radical opositor da ditadura Stroessner aos 18, conservador Colorado aos 44, garante que tem no bolso do paletó negociações vantajosas para fechar com outros atores do xadrez internacional.

Pragmático, entregou ao veterano político brasileiro a responsabilidade pelo sim ou pelo não: “se há alguém que pode fechar esse acordo é Lula”.

E o líder brasileiro, envolvido com as tentativas de corrosão de seu governo habitualmente executadas por aliados e adversários, carrega mais este fardo nas costas, um fardo ainda mais pesado pela obrigatoriedade de uma escolha: sim, somos pelo Sul, mas sem o Norte não pagamos nossas contas.

Ao seu lado, na disputa com os europeus, nem pode pensar em contar com a Argentina, em processo avançado de bolsonarização.

Os outros parceiros do lado de cá importam mais pelo peso do voto que pelos tamanhos das balanças comerciais.

Um dos mistérios mais claros da existência, prato do dia para historiadores mas às vezes estranho para a maioria dos seres humanos, é o fato de que passado, presente e futuro estão interligados, um influenciando o outro. À História se junta a Economia, e podemos pensar nesta analogia que se passa numa loja de penhores: vendi o relógio que ganhei do meu avô e agora posso ir àquele restaurante caro com meus amigos. Mas não devo me esquecer! Na última vez o jantar não me caiu bem – deve ter sido o vinho francês – e a conta ficou alta demais.

Felipe Bueno é jornalista desde 1995 com experiência em rádio, TV, jornal, agência de notícias, digital e podcast. Tem graduação em Jornalismo e História, com especializações em Política Contemporânea, Ética na Administração Pública, Introdução ao Orçamento Público, LAI, Marketing Digital, Relações Internacionais e História da Arte.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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