A eleição de Donald Trump e o fim do neoliberalismo progressista, por Nancy Fraser

Resultado eleitoral nos EUA, assim como rejeição a reformas de Renzi na Itália e vitória do Brexit no Reino Unido, indica rejeição popular a aliança entre forças progressistas e forças do capitalismo cognitivo, consolidada por governos Clinton e Obama

do ÓperaMundi

A eleição de Donald Trump e o fim do neoliberalismo progressista

por Nancy Fraser

Dissent Magazine | Nova York 

A eleição de Donald Trump faz parte de uma série de grandes revoltas políticas que, juntas, sinalizam o colapso da hegemonia neoliberal. Elas incluem a votação pelo Brexit, no Reino Unido, a rejeição das reformas do então primeiro-ministro Matteo Renzi, na Itália, a campanha de Bernie Sanders pela nomeação como candidato do Partido Democrático, nos Estados Unidos, e o crescente apoio à direitista Frente Nacional francesa, dentre outras. Embora sejam diferentes em ideologia e objetivos, estas insurreições eleitorais compartilham a mesma meta: todas elas rejeitam a globalização corporativa, o neoliberalismo e o establishment político que os promove. Em todos estes casos, os eleitores disseram “Não!” à combinação letal de austeridade, livre comércio, débito predatório e empregos precários e mal pagos, elementos que caracterizam o capitalismo financeiro dos dias atuais. Seus votos são uma resposta à crise estrutural desta forma de capitalismo, que se tornou patente a partir do colapso quase total da ordem financeira mundial em 2008.

Até recentemente, no entanto, a principal resposta à crise foi o protesto popular – dramático e intenso, certamente, mas em grande medida efêmero. Os sistemas políticos, em contraste, pareceram relativamente imunes, sendo ainda controlados por funcionários partidários e pelas elites do establishment, ao menos em Estados capitalistas poderosos, como os Estados Unidos, o Reino Unido e a Alemanha. Hoje, contudo, o impacto eleitoral reverbera em todo o mundo, incluindo as grandes capitais financeiras do mundo. Os que votaram em Trump, assim como os que votaram pelo Brexit e contra as reformas na Itália, revoltaram-se na verdade contra os grandes donos da política. Torcendo o nariz para o establishment partidário, repudiaram o sistema que erodiu sua qualidade de vida ao longo dos últimos 30 anos. A surpresa não é que tenham feito isso, mas que tenham demorado tanto tempo.

Ainda assim, a vitória de Trump não é unicamente uma revolta contra as finanças globais. O que seus eleitores rejeitaram não foi simplesmente o neoliberalismo, mas o neoliberalismo progressista. A expressão pode soar como um oxímoro, mas é um alinhamento político real e perverso que explica os resultados da eleição norte-americana e, talvez, alguns dos desenvolvimentos políticos em outras partes do mundo. Nos EUA, o neoliberalismo progressista é uma aliança entre, de um lado, correntes majoritárias dos novos movimentos sociais (feminismo, antirracismo, multiculturalismo e direitos LGBT) e, do outro lado, um setor de negócios baseado em serviços com alto poder “simbólico” (Wall Street, o Vale do Silício e Hollywood). Nesta aliança, as forças progressistas se unem às forças do capitalismo cognitivo, especialmente à “financeirização”. Embora involuntariamente, o primeiro oferece ao segundo o carisma que lhe falta. Ideais como diversidade e empoderamento, que poderiam em princípio servir a diferentes fins, hoje dão brilho a políticas que destruíram a indústria e tudo aquilo que antes fazia parte da vida da classe média.

O neoliberalismo progressista foi desenvolvido nos Estados Unidos ao longo das três últimas décadas, tendo sido ratificado pela eleição de Bill Clinton em 1992. Clinton foi o principal arquiteto e defensor dos ideais dos “Novos Democratas”, o equivalente americano do “Novo Trabalhismo” de Tony Blair. No lugar da coalização à la New Deal entre trabalhadores sindicalizados do setor industrial, afro-americanos e classes médias urbanas, Clinton forjou uma nova aliança entre empresários, a classe média dos subúrbios, novos movimentos sociais e juventude, levando-os a proclamar juntos sua boa fé moderna e progressista, sua aceitação da diversidade, do multiculturalismo e dos direitos das mulheres. Ao mesmo tempo em que apoiava estas ideais progressistas, o governo Clinton cortejava Wall Street. Entregando a economia à Goldman Sachs, ele desregulou o sistema bancário e negociou acordos de livre comércio que aceleraram o processo de desindustrialização. Isso significou o fim do cinturão da ferrugem (o “Rust Belt”), outrora a maior fortaleza da democracia social do New Deal, que corresponde à região que na última eleição entregou a vitória a Donald Trump. O cinturão, assim como os novos centros industriais do sul, sofreu um grande baque à medida que a financeirização se desenvolveu ao longo das últimas duas décadas. Continuadas por seus sucessores, incluindo Barack Obama, as políticas de Clinton degradaram as condições de vida de toda a classe trabalhadora, mas especialmente a dos funcionários do setor industrial. Em suma, o clintonismo carrega uma grande parcela de culpa pelo enfraquecimento dos sindicatos, pela queda dos salários reais, pela crescente precariedade das condições de trabalho e pelo surgimento da família com dois provedores.

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David Shankbone / Flickr CC

“Empregos, educação, saúde”: manifestante em protesto do Occupy Wall Street, em Nova York, em 2011

Aliás, conforme sugerido pelo último item, o ataque à segurança social foi reinterpretado por meio de um discurso emancipatório carismático, emprestado dos novos movimentos sociais. Ao longo dos anos, à medida que o setor industrial ruía, o país ouviu falar muito de “diversidade”, “empoderamento” e “não discriminação”. Ao identificar “progresso” com meritocracia, em vez de igualdade, o discurso igualou o termo “emancipação” à ascensão de uma pequena elite de mulheres “talentosas”, minorias e gays na hierarquia corporativista exclusivista. Esta compreensão individualista e liberal de “progresso” gradualmente substituiu o entendimento de emancipação mais abrangente, anti-hierárquico, igualitário, sensível às questões de classe e anticapitalista, que prosperou nos anos 1960 e 70. À medida que a Nova Esquerda sucumbia, sua crítica estrutural da sociedade capitalista desapareceu, e o pensamento individualista e liberal característico de nosso país se reafirmou, abalando imperceptivelmente as aspirações dos “progressistas” e autodeclarados esquerdistas. O que selou o acordo, no entanto, foi o fato de tais acontecimentos terem sido simultâneos à ascensão do neoliberalismo. Um partido que apoie a liberalização da economia capitalista é o parceiro perfeito para o feminismo corporativo e meritocrático focado em “assumir riscos” e “superar as barreiras da discriminação de gênero no trabalho”.

O resultado foi um “neoliberalismo progressista” que misturou ideais truncados de emancipação com formas letais de financeirização. Foi esta a mistura que os eleitores de Trump rejeitaram. Dentre os que foram deixados para trás neste admirável mundo novo e cosmopolita estão os operários, mas também gerentes, pequenos empresários, e todos aqueles que dependem da indústria do cinturão da ferrugem e do sul, bem como as populações rurais devastadas pelo desemprego e pelas drogas. Para estas populações, os danos causados pela desindustrialização foram acrescentados aos insultos do moralismo progressista, que os acusa frequentemente de serem culturalmente atrasados. Rejeitando a globalização, os eleitores de Trump também repudiaram o cosmopolitismo liberal que a ela associavam. Para alguns (embora de maneira alguma isto se aplique a todos), não foi difícil culpar, pela deterioração de suas condições de vida, a cultura do politicamente correto, as pessoas negras e as latinas, os imigrantes e os muçulmanos. Aos olhos deles, as feministas e os poderosos de Wall Street são figuras semelhantes, perfeitamente reunidas na pessoa de Hillary Clinton.

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O que tornou possível esta percepção foi a ausência de uma esquerda genuína. Apesar de comoções periódicas, como o Occupy Wall Street, que acabou não durando muito tempo, há décadas a esquerda não se apresenta como uma força estável na política dos Estados Unidos. Também não havia qualquer narrativa de esquerda compreensível, que poderia relacionar as queixas legítimas dos apoiadores de Trump a uma crítica abrangente da financeirização, por um lado, e a uma visão antirracista, antimachista e anti-hierárquica da emancipação, por outro. Igualmente devastador foi o fato de que as possíveis relações entre novos movimentos trabalhistas e sociais foram simplesmente ignoradas. Apartados um do outro, estes dois polos indispensáveis para uma militância viável de esquerda chegaram a ser vistos como antíteses.

Foi assim pelo menos até o início da notável campanha pelas primárias de Bernie Sanders, que lutou para reuni-los, embora tenha enfrentado certa resistência inicial da parte do movimento Black Lives Matter. Dinamitando o senso comum neoliberal em vigência, a revolta de Sanders foi o equivalente democrata ao que ocorria com Trump entre os republicanos. Enquanto Trump ainda estava lutando pela aprovação do establishment republicano, Bernie chegou muito perto de derrotar a sucessora ungida de Obama, cujos lacaios controlavam todas as alavancas do poder no Partido Democrata. Entre si, Sanders e Trump obtiveram a aprovação da grande maioria dos eleitores americanos, mas apenas o populismo reacionário de Trump sobreviveu. Trump venceu com facilidade seus rivais republicanos, incluindo os que eram favorecidos por grandes doadores e chefes do partido, mas a insurreição pró-Sanders foi efetivamente minada por um Partido Democrata muito menos democrático. No momento das eleições gerais, uma alternativa de esquerda havia sido efetivamente solapada. O que sobrou foi o “pegar ou largar” da escolha entre o populismo reacionário e o neoliberalismo progressista. Quando a chamada esquerda se resolveu em prol de Hillary Clinton, o rumo dos acontecimentos já estava traçado.

Gage Skidmore / Flickr CC

“Um futuro no qual acreditar”: apoiador em comício de Bernie Sanders, então pré-candidato presidencial pelo Partido Democrata, em janeiro de 2016

Esta é uma alternativa que a esquerda teria de recusar. Em vez de aceitar os termos apresentados a nós pelas classes políticas, que opõem emancipação a proteção social, deveríamos trabalhar no sentido de redefini-los, tendo como apoio a crescente repulsa da sociedade contra a ordem atual. Em vez de nos aliarmos ao ideal da financeirização-com-emancipação contra a proteção social, deveríamos construir uma nova aliança entre emancipação e proteção social, contra a financeirização. Neste projeto, que se alinha ao de Sanders, emancipação não significaria diversificar a hierarquia corporativa, mas antes aboli-la. Da mesma forma, prosperidade não significaria aumento de valor acionário ou lucro corporativo, mas a disponibilização a todos os cidadãos dos requisitos materiais necessários para uma vida confortável. Esta combinação continua sendo a única resposta digna e vitoriosa na conjuntura atual.

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Eu não derramo lágrimas pela derrota do neoliberalismo progressista. Certamente, há muito o que temer de uma administração Trump racista, anti-imigrantes e antiecológica. No entanto, não deveríamos entrar em luto nem pela implosão da hegemonia neoliberal, nem pelo desmantelamento do poder do clintonismo sobre o Partido Democrata. A vitória de Trump foi uma derrota para a aliança entre emancipação e financeirização. Mas sua presidência não oferecerá nenhuma resposta à crise atual, nenhuma promessa de um novo regime, nenhuma hegemonia segura. O que veremos, em vez disso, é um interregnum, uma situação instável de abertura em que novas mentes e corações poderão ser conquistados. Nesta situação, não há apenas perigo, mas também oportunidade: é a chance de construir uma nova nova esquerda.

Se isso ocorrerá ou não depende, em parte, de uma reflexão profunda da parte dos progressistas que apoiaram a campanha de Hillary Clinton. Eles terão de deixar de lado a cômoda, mas falsa narrativa de que perderam para um “grupo de deploráveis” (racistas, misóginos, islamofóbicos e homofóbicos) ajudados por Vladimir Putin e pelo FBI. Eles terão de reconhecer que têm sua parcela de culpa, ao sacrificar a causa da proteção social, do bem estar material e a dignidade da classe trabalhadora em prol de uma falsa compreensão de emancipação, definida em termos de meritocracia, diversidade e empoderamento. Eles terão de refletir profundamente sobre como podemos transformar a economia política do capitalismo financeiro, revivendo o chamado de Sanders por um “socialismo democrático” e descobrindo o que isto pode significar no século 21. Terão, acima de tudo, de se dirigir às massas que elegeram Trump – ao menos àquela parcela que não é composta por racistas ou extremistas de direita, mas é igualmente vítima de um sistema efetivamente “fraudado”. Estes cidadãos podem e devem ser recrutados para um projeto antineoliberal de uma esquerda renovada.

Isto não significa que teremos de nos calar sobre as urgentes questões colocadas pelo racismo e pelo machismo. O que teremos de fazer é mostrar como estas antiquíssimas formas de opressão encontram nova expressão e terreno nos dias de hoje por meio do capitalismo financeiro. Rebatendo a falsa noção de uma cisão irreconciliável, devemos relacionar os preconceitos sofridos pelas mulheres e por minorias étnicas às dificuldades enfrentadas pelos eleitores de Trump. Desta forma, uma esquerda revitalizada poderia lançar as bases de uma nova e poderosa coalizão, comprometida com a luta em prol de todos os oprimidos.

*Nancy Fraser é professora de filosofia e política na New School for Social Research (Nova York) e autora, mais recentemente, de “Fortunes of Feminism: From State-Managed Capitalism to Neoliberal Crisis” (“Fortunas do Feminismo: do Capitalismo de Estado à Crise Neoliberal”, em tradução livre) pela editora Verso em 2013. Artigo publicado originalmente na revista Dissent Magazine.

Tradução: Henrique Mendes

 

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12 comentários

  1. TRUMP E O FIM DE UMA ÉPOCA

    TRUMP E O FIM DE UMA ÉPOCA (DA UTOPIA DA GLOBALIZAÇÃO)

    por GIULIO TREMONTI (Ministro das Finança – 1994/1995; 2001/2004; 2008/2011 – de Berlusconi. Professor visitante nas Universidade de Oxford, de Cambridge e de Yale)

     

    – fim da utopia da globalização, de um “modo” do mundo, do homem de medida única, conforme o esquema ideal de consumo e do politicamente correto

     

    – do “modo” de mundo que exportava a democracia como se fosse um hamburger da MacDonald’s, com vista não apenas à dinâmica econômica mas também à dinâmica política

     

    – o conflito milenário entre poder e dinheiro foi superado: o dinheiro bateu e absorveu o poder. “Creso” venceu e quiz também se ocupar dos interesses da humanidade. Mas a humanidade não estava de acordo e se rebelou. Daí o populismo começou a ganhar força.

     

    – é possível – que na Itália [ e no mundo ] – a política torne à fórmula nacionalista.

     

    ********

    texto:

    http://www.corriere.it/esteri/17_gennaio_16/donald-trump-fa-storia-finita-utopia-globalizzazione-giulio-tremonti-intervista-ff95f7c8-db5e-11e6-8da6-59efe3faefec.shtml

     

    Tremonti: «Trump fa la Storia finita l’utopia della globalizzazione»

    «È la fine di un’epoca. La fine dell’utopia della globalizzazione. E, seppur in modo soft, questa data ha una portata storica simile alla caduta del comunismo». La data in questione è il 20 gennaio prossimo, l’Inauguration day dell’era di Donald Trump alla Casa Bianca. GIULIO TREMONTI, al momento, è (forse) l’unico italiano sicuro di un invito alla cerimonia d’insediamento. E ci sarà. «C’ero nel 2001 all’insediamento di George W. Bush e ci sarò anche stavolta, invitato da esponenti del partito repubblicano e del Congresso americano».

    Professore, non le pare eccessivo evocare l’estinzione della globalizzazione?


    «Qualche giorno dopo le elezioni americane, Obama disse a Berlino che la vittoria di Trump non sarebbe stata la fine del mondo. Non è stata la fine del mondo ma sarà la fine di “un” mondo. La giovane talpa populista ha via via scavato il terreno su cui la globalizzazione aveva costruito nell’ultimo ventennio la sua cattedrale».

    In Gran Bretagna, provocando la Brexit. E negli Stati Uniti, con l’elezione di Trump.


    «Esattamente. Quella che sta crollando è un’utopia. L’utopia della globalizzazione. Un’utopia che era stata costruita sulla base di due formule chiare e interconnesse: “politically correct” e “responsibility to protect”. È durata vent’anni esatti. Lanciata nel gennaio del 1996 col secondo mandato alla Casa Bianca di Bill Clinton, immaginata come l’anno zero dell’umanità, articolata come progetto di creazione dell’uomo nuovo e di un mondo nuovo. L’uomo nuovo è il consumatore ideale, l’uomo a taglia unica, a cui vanno cancellate radici e tradizioni, in tutto e per tutto conforme allo schema ideale del consumo e del comportamento politicamente corretto. Uno degli ultimi atti di questa presidenza è stato l’adattamento in logica gender delle toilette degli edifici federali…».

    E il mondo nuovo?


    «È quello verso il quale andava esportata la democrazia. In Jugoslavia alla fine degli anni Novanta così come in Siria negli anni Duemila. Stesso processo. Esportare la democrazia come se fosse un hamburger di McDonald’s. Persino io, che di queste cose mi sono sempre occupato, non ho fatto due più due: la globalizzazione non riguardava solo le dinamiche economiche ma anche quelle politiche. E i suoi sacerdoti la celebravano come una religione».

    È sicuro che tutto questo sia il passato?


    «Nel glorioso ventennio della globalizzazione, il conflitto millenario tra potere e denaro è stato superato: il denaro ha battuto e assorbito il potere. Il derby tra Imperatore e Creso l’ha vinto Creso. Con una specifica. Creso non voleva solo fare i soldi ma anche occuparsi degli interessi dell’umanità. L’umanità se n’è accorta e si è ribellata. E da lì il “populismo” ha iniziato a prendere forza».

    Secondo lei, Trump ne è consapevole?


    «Penso proprio di sì. Durante la campagna elettorale, i democratici l’hanno preso alla lettera ma non l’hanno preso sul serio. Adesso lui farà le cose sul serio anche se non alla lettera. Non altererà la globalizzazione economica a vantaggio del protezionismo ma introdurrà i dazi e si occuperà della manutenzione dei trattati commerciali. Così come non cancellerà del tutto la riforma sanitaria di Obama ma la riformerà pesantemente».

            

    Pensa che Trump rischi di uscire ammaccato dai report dell’intelligence sui suoi rapporti con la Russia? O che, come vale per il M5S in Italia, il populismo resista, nell’immediato, a scandali e figuracce?


    «Credo di più alla seconda ipotesi. Quanto ai rapporti dell’intelligence su Trump e Russia, soprattutto vista la tempistica, non gli darei molto peso».

     

    Che effetto può avere la presidenza Trump sull’Europa?


    «L’Ue è un’astrazione materializzata da un nome. Ho la sensazione che la presidenza Trump privilegerà la strada dei rapporti bilaterali con i singoli Stati».

    Chi può essere l’interprete italiano di questa nuova epoca?


    «È impossibile dirlo. È probabile che in politica tornino le formule nazionali, il made in Italy».

     

  2. A China recentemente disse

    A China recentemente disse algo óbvio aos EUA.

    A distancia bélica entre os dois nunca foi tão pequena…

    Trump sabe disto, eles já estão numa guerra fria cibernética…

    o Trump acredita que fortalecendo novamente os EUA, a capacidade inventiva americana poderá trazer a supremacia novamente!

    É preciso ganhar tempo e para isso é preciso ter muito gogó…

    Ele sabe que se atacar a China trará a Russia para o fogo, e que atacar qualquer um é atacar os dois, pois nem Rússia ou China vão esperar um vitorioso deste combate…

    Por isso os EUA vão mudar e com isso o mundo vai mudar também…

    Pobre de nós que nos mostramos hostis aos nossos vizinhos e fracos diante de blocos e economias mais fortes – somos a escória da elite!

    O neoliberalismo não contava que no meio da farra financeira surgisse uma China…

  3. Poderia completar o post com

    Poderia completar o post com outro extenso texto, explicando a explicação.

    Prefiro ser mais economico com o tempo alheio.

    Nos primeiros dias de 2016, em pleno governo popular da presidente Dilma, recebo uma multa de mil reais, lavrada pela policia rodoviaria federal, nas primeiras horas do ano que começava.

    Exatamente naquele dia, o valor da multa, por ultrapassar em faixa dupla, sofria um acrescimo de 1000 porcento.

    Na data, acordei de madrugada, para viajar com estrada livre,  percorrendo quilometros sem encontrar um veiculo.

    No meio da viagem fiquei atras de um unico carro, que andava lentamente pois havia uma pequena moto a sua frente.

    Lentamente transitei longo trecho ate encontrar a faixa unica para ultrapassa-lo.

    Ao faze-lo, pelo retrovisor, avistei um carro da policia, quilometros atras,pela distancia  identificado apenas pelas luzes no teto.

    O policial, certamente incomodado por estar trabalhando em dia de festa, acordou e resolveu atacar a primeira vitima.

    Mil reais, tive que pagar sem poder contestar. Ate tentei, mas o golpe é bem feito.

    Resumindo, num governo progressista dos trabalhadores, um cidadão pode sofrer esse tipo de ataque,isto é, um policial, de longe, sem condições reais de visibilidade, lavrar uma multa carissima, sem ser obrigado a parar o veiculo do dito infrator.

    Hoje recebo uma cobrança de quase mil reais da prefeitura de uma pequena cidade do Rio, para onde mudei, achando estar mais protegido de tantos golpes.

    Não aconselho a ninguem copiar minha decisão.

    Numa pequena cidade voce esta de frente ou é vizinho de um vereador, de um prefeito que voce assistiu, dia a dia enriquecer desonestamente com o seu dinheiro, desviado do que se destinava.

    O presente post, em sua retorica, esqueceu de dizer que é devido a milharesde fatos semelhantes aos  relatados, que as pessoas não aguentam mais, tentam escapar de qualquer maneira, ate votando mal, num Trump, num doria..

     

     

  4.  “devemos relacionar os

     “devemos relacionar os preconceitos sofridos pelas mulheres e por minorias étnicas às dificuldades enfrentadas pelos eleitores de Trump”

    A chave pra essa relação é a empatia – tanto as políticas econômicas que vampirizam os eleitores de Trump quanto a cultura que discrimina as mulheres e minorias étnicas são variantes do comportamento psicopático (ou do comportamento mimetizando psicopatia). Somente uma idelogia política direta e explicitamente voltada para a empatia pode tocar no cerne do problema.

    É bom lembrar que a dicotomia esquerda X direita gera soluções falsas (como o facismo que facilmente acolhe psicopatas como líderes e modelos a serem seguidos e estimula o desenvolvimento de traços narcísicos na população). A única saída para o “problema Trump” é substituir a dicotomia esquerda X direita pela dicotomia empatia X narcisismo. 

  5. Mas por que a esquerda não cola nem decola?

    Por que, nem lá, nem cá, nem em canto algum do mundo?

    É a pergunta que não quer calar. Se os ideiais da esquerda (democracia e igualdade) são racionais e levam a uma sociedade mais justa, pacífica e feliz, por que a esquerda, tão favorável ao povo, não cola nos corações e mentes populares e nem decola numa rebelião incontrolável de massas? Por que? Por que? Por que? Oh! dúvida desesperadora!

    Ora, corações e mentes do mundo atual são narcisistas consumistas, meritocráticos, seguidores da teologia da prosperidade, egoístas até a medula: são dominados pelo “sujeito automático”, que é o próprio capital (capetão) em carne e osso, ou melhor, em trabalho e dinheiro, ganho e gasto.

    A esquerda exige solidariedade, desprendimento de si, compaixão (para os cristãos). Para o narcisista isto é um absurdo. “Doar-me para os outros? Idiotice! Heresia! Farinha pouca, meu pirão primeiro”.

    O capitalismo está na alma das pessoas. Por isso a alternativa que elas conseguem imaginar ao capitalismo neoliberal é apenas o capitalismo neofacista: do fogo para a frigideira. O Egoísmo venceu. Precisa haver uma revolução antropológica para a esquerda conquistar novamente corações e mentes. E eu não vejo nem faísca dessa revolução. Estamos que nem cegos caminhando para o abismo – zumbis guiados pelo sujeito automático do capital.

    P.S. Mas Lula decolou e está forte, vocês me diriam: há esperança! Mas o PT não fez igualzinho a Clinton & Obama? Politicamento correto, distribuição de benesses, aliado ao grande capital e à banca? E tome incentivos à educação privada, planos de saúde, consumismo, campeões nacionais etc etc. Lula é esquerda neoliberal, como Blair, Kirchner, PC Chinês, Putin, Holande…

     

    • Não, Lula não é esquerda

      Não, Lula não é esquerda neoliberal, embora seja capitalista. Lula é esquerda social-democrata que teve que governar num mundo neoliberal. Nem tudo o que analisado sobre os EUA pode ser imediatamente aplicado aqui.

  6. Excelente artigo!

    Excelente artigo! Interessante que seja da autoria de uma profa. da New School. Há algum tempo (novembro), comentei um post sobre a eleição de Trump. Pedindo desculpas aos improváveis leitores, reproduzo alguns trechos que me parecem pertinentes para o artigo da Nancy:

    “Há um ponto nas leituras que fiz nos sítios antiglobalização que me parece interessante e que, talvez, ajude a entender as nossas dificuldades. Trata-se do modo pelo qual os globalistas orientam sua ação política. A marca do globalismo é a focalização. É, no fundo, a repetição, agora no plano político, de uma estratégia que se mostrou amplamtne vitoriosa no campo das políticas sociais.

    A focalização nas políticas sociais foi e é extremamente eficaz, pois é possível apresentar bons argumentos para as medidas que propõe (cotas, etc.). Ou seja, quando analisadas em si, i. e. isoladamente, as políticas da focalização podem ser bem defendidas, e, assim, ganham adeptos, não apenas nos grupos beneficiados, mas também naqueles que com eles se identificam do ponto de vista cultural e ideológico. O problema, é claro, está naquilo que a focalização exclui, a saber, a universalização.

    Ora, o mesmo ocorreu no plano político. O discurso padrão dos globalistas é dirigido a diferentes grupos nos quais predomina a identidade cultural (em sentido amplo), pelo menos de forma latente. E esse discurso procura reforçar essa identidade, sobrepondo-a outros recortes, principalmente o econômico.

    Exemplifico: um gay, uma feminista, um negro, pode ter sido prejudicado ou beneficiado pela globalização. Mas isso é ignorado na prática política, e mesmo deliberadamente ocultado. O discurso do globalismo europeu e dos democratas dos EUA afirma: “olha como respeitamos e amamos vocês. E vejam os nossos adversários! Somos a modernidade, a admissão da diversidade, ao contrário dos nossos adversários, politicamente incorretos”.

    O The Guardian e outros gostam de publicar fotos do Nigel Farage com um copo de cerveja numa mão e um cigarro na outra. Vejam, povo, que temos por missão educar: ele bebe e é um fumante, que horror!

    E Farage gosta que esses jornais de “esquerda” o façam! Por quê? Porque o próprio discurso do globalismo e suas políticas, ao acentuar essas clivagens, fazem com que os excluídos da globalização, não culturalmente identificados com os grupos focalizados, se voltem contra esses grupos. E esses excluídos passam a constituir, então, o espaço político a ser explorado pelos críticos da globalização.

    Não sei se o Trump é racista ou não. Como distinguir convicções de estratégias políticas? Não conheço a política dos EUA a esse ponto. Mas, como assinalou Eric Zuesse no Offguadian, Trump foi brilhante, pois soube o que fazer para vencer o establishment. É claro que essa estratégia (no fundo a mesma do UKIP e do Front Nacional) não podia ser adotada pela esquerda (a verdadeira) que se opõe ao globalismo.

    Mas por que a esquerda não conseguiu, afinal, enfatizar a clivagem econômica e política da globalização? Bem, ela aderiu ideologicamente à focalização política e social, e rendeu-se à globalização do plano econômico. Basta recordar o entusiasmo com que Lula (para desespero do FHC) foi recebido pela terceira via europeia. É claro que no segundo mandato, e em grande parte devido à política externa do PT, esse apoio foi-se esvaindo.

    Parece, então, que a esquerda simplesmente não consegue construir uma agenda antiglobalização viável politicamente. Quem o fez foi a direita. A esquerda lamenta, agora, que os excluídos nela não votem. Mas isso não é verdade! Muito antes de votarem pelo Brexit, no Trump, etc. o povo tentou – e tentou, e tentou – alternativas à esquerda. Elegeu trabalhistas na Inglaterra, socialistas na França, todo o tipo de esquerda na Grécia, o PT no Brasil e por aí vai. E viu essa “esquerda” aderir ao globalismo.

    Para onde vamos? Ninguém sabe, penso eu. Mas não vejo alternativa diante do globalismo a não ser o fortalecimento do estado no campo político, econômico e social. E a direita não globalista saiu na frente.”

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