O golpe militar no labirinto de espelhos da guerra semiótica criptografada, por Wilson Ferreira

Cenário de dissonâncias para apagar as pistas do verdadeiro golpe que já ocorreu, contando com o efeito Heisenberg midiático e as fraquezas do “terreno humano”: explorar o pecado da vaidade de jornalistas que buscam vantagens pessoais e profissionais.

O golpe militar no labirinto de espelhos da guerra semiótica criptografada

por Wilson Ferreira

Mais um capítulo da série “A Ameaça do Golpe Militar”. Dessa vez, com a reportagem do “Estadão” sobre um suposto “duro recado” do ministro da Defesa, general Braga Netto, ao presidente da Câmara ameaçando que “não haverá eleição em 2022 se não houver voto auditável impresso”. “Invenção”, disse o general… para depois dar uma nota para lá de ambígua jogando mais gasolina no incêndio… enquanto a “tecla SAP” dos coices de Bolsonaro, o vice general Mourão, falava que o Brasil não é uma “república de bananas”. Mais um flagrante da guerra semiótica criptografada que simula a tensão de um possível golpe militar. Que já ocorreu e ninguém viu por que foi híbrido. Estratégia semiótica para criar um cenário de dissonância cognitiva, como um labirinto de espelhos no qual não percebemos mais o que é reflexo e o que foi refletido. Cenário de dissonâncias para apagar as pistas do verdadeiro golpe que já ocorreu, contando com o efeito Heisenberg midiático e as fraquezas do “terreno humano”: explorar o pecado da vaidade de jornalistas que buscam vantagens pessoais e profissionais.

“É lógico que vai ter eleição (mesmo sem voto impresso), pô. Quem é que vai proibir eleição no Brasil? Por favor, gente. Nós não somos república de banana”.

Assim o vice-presidente, o general Hamilton Mourão, contradisse outro general, Braga Netto, ministro da Defesa. Em reportagem de 22 de julho, publicada pelo jornalão conservador O Estado de São Paulo, Braga Netto teria enviado “um duro recado” ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) que “não haveria eleições em 2022, se não houvesse voto impresso auditável”. Segundo a reportagem, ao dar o aviso através de um interlocutor que não teve o nome revelado, “o ministro estava acompanhado de chefes militares do Exército, da Marinha e da Aeronáutica”. 

No mesmo dia da publicação da reportagem, aos jornalistas em Brasília, Braga Netto falou que tudo era uma “invenção” do diário paulista. Depois, o jornal reafirmou a reportagem: “O Estadão mantém todas as informações publicadas”.

Mais tarde, o ministro leu uma nota para lá de ambígua: disse que “não se comunica com presidentes dos poderes através de interlocutores” e manteve a sua crítica dizendo que “o cidadão deseja maior transparência e legitimidade no processo de escolha de seus representantes”. Um meio-desmentido que jogou ainda mais gasolina no incêndio.

Ato contínuo, as declarações do ministro da Defesa tiveram grande repercussão negativa nos meios políticos e judiciário. Enquanto Arthur Lira diz que pouco importa o que a imprensa publica: “o povo quer é vacina, quer trabalho…”.

Esse é mais um flagrante do modus operandi da guerra semiótica criptografada: depois do não-acontecimento da internação às pressas de Bolsonaro, mantendo ocupado os links ao vivo das “breaking news”, agora é a vez do ministro da Defesa alimentar as vivandeiras do “golpe militar” old fashion – reavivar o imaginário das quarteladas, tanques de guerra cercando o Congresso e caminhões do Exército com soldados nas carroçarias cruzando as ruas.

Estratégia essencial na guerra de informações, o objetivo é detonar bombas semióticas de fragmentação, cujos estilhaços geram principalmente ambiguidade: semi-desmentidos, discursos semanticamente polissêmicos, contradições. No todo, criar um cenário cognitivo dissonante, confuso, caótico. Assim como o provocados pelos dois terabites de documentos na CPI da Pandemia, tornando as investigações incognoscíveis para a opinião pública.

Embaralhar os códigos

Como todo processo criptográfico, o objetivo é embaralhar códigos no plano sintático para ocultar as seguintes mensagens do plano semântico:

(a) De fato, o Brasil não é mais uma república bananeira, como afirmou Mourão. A sofisticação das psyOps militares comprovam isso, a ponto de nãos ser mais necessário fazer as cinematográficas “quarteladas”. A expressão de Mourão foi um ato falho: na verdade, oque ele quis dizer (e que a guerra criptografada quer ocultar) é que o país virou uma banana plantation, objetivo principal do golpe militar híbrido que ninguém viu: o Brasil agora tem uma economia arrasada e desindustrializada, tornando-se cada vez mais uma colônia agrícola exportadora de commodities: grãos, carne e não manufaturados – o verdadeiro objetivo da imposição da agenda neoliberal dentro da geopolítica do Império do Norte.

(b) Apagar os rastros do golpe militar que já aconteceu, cujo desenlace final foi o impeachment da presidenta Dilma Rousseff em 2016 e os tuítes ameaçadores do general Villa Bôas ao Supremo para manter Lula preso, abrindo caminho à vitória do candidato “biônico” criado pela AMAN (Academia Militar das Agulhas Negras) com o apoio da grande mídia: o obscuro deputado do Baixo Clero e capitão da reserva Bolsonaro.

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