A inesquecível Elizeth Cardoso, por Mara L. Baraúna

Estreou como cantora aos cinco anos com a marcha Zizinha, na sede da Sociedade Familiar Dançante e Carnavalesca Kananga do Japão, onde a menina foi madrinha de uma festa em homenagem a São Jorge.

Elizeth Moreira Cardoso (Rio de Janeiro, 16 de julho de 1920 – 7 de maio de 1990)

A inesquecível Elizeth Cardoso, por Mara L. Baraúna

Elizeth nasceu na Rua Ceará, no subúrbio de São Francisco Xavier. O pai era o carioca Jaime Moreira Cardoso, um mulato de 1,90m de altura, fiscal da Prefeitura, seresteiro e violonista. A mãe, a baiana Maria José Vilar, Dona Moreninha, gostava de cantar. Os avós paternos eram Florentina Rosa Brandão e João Brandão. Os maternos, Andrelina Pontes Martins e Antônio Pontes Martins. De uma família de 6 irmãos, costumava organizar teatros para a criançada, onde podia cantar o repertório de Vicente Celestino. Além dela, única filha do casal, existia o irmão Antônio (filho do primeiro casamento da viúva Dona Moreninha), e as irmãs Erendina, Jaimira, Dina e Nininha (do casamento anterior de Jaime). A família em geral participava da vida musical da cidade, frequentando as sociedades dançantes da época, convivendo com grandes músicos em reuniões na casa de Tia Ciata,

Tia Ciata (1854 – 1924)

Estreou como cantora aos cinco anos com a marcha Zizinha, na sede da Sociedade Familiar Dançante e Carnavalesca Kananga do Japão, onde a menina foi madrinha de uma festa em homenagem a São Jorge. Geralmente, o santo e o respectivo dragão eram levados pelo padrinho ou pela madrinha escolhidos naquele ano. Em 1926, a madrinha teve de contar com a ajuda de outras pessoas, pois a imagem tinha quase o dobro de seu peso.

Após concluir o primário, ela e seus irmãos tiveram que abandonar os estudos e ajudar no sustento do lar, já que passavam necessidades. Elizeth trabalhou numa bomboniére, na oficina da Paleteria Francesa, foi telefonista, balconista, operária, vendedora de cigarros, dançarina, cabeleireira e pedicure no Salão Antonieta, entre outras atividades.

Com difíceis condições financeiras, a família foi morar de favor na Rua do Resende, 87, centro do Rio de Janeiro. Era uma casa de cômodos, como tantas em que Elizeth morou, mas esta era especial porque moravam nela também os tios Ivone e Pedro. No aniversário de seus 16 anos, para a sua primeira festa, tio Pedro, um seresteiro e frequentador das rodas de choro, convidou amigos músicos importantes da época, como Pixinguinha, Dilermando Reis, Jacob do Bandolim, com apenas 18 anos, entre outros. A jovem Elizeth encantou a todos com sua voz. Jacob fez a ela um convite para um teste na Rádio Guanabara, que foi o trampolim para sua carreira. Depois de vencer a resistência do pai, estreou no programa Suburbano, ao lado de Vicente Celestino, Araci de Almeida, Moreira da Silva, Noel Rosa e Marília Batista, com os sambas Do Amor ao Ódio, de Luís Bittencourt, e Duas Lágrimas, de Benedito Lacerda, passando a se apresentar semanalmente na emissora. No programa, impressiona o compositor Noel Rosa que lhe ensina seu samba Quem Ri Melhor.

Transferiu-se para a Rádio Educadora, onde atuou no programa Samba e Outras Coisas. Depois passou a se apresentar na Rádio Transmissora, onde participava de Rádio Novidades. A seguir, Rádio Mayrink Veiga, num programa onde encontrou o jovem Dorival Caymmi. Como o trabalho no rádio não deslanchava, Elizeth continuava a trabalhar no Salão Antonieta. E continuava a ir a festas, a dançar nas gafieiras e a namorar. Sempre tão animada, foi convidada pelos diretores do Bloco Carnavalesco Turunas de Monte Alegre a ser porta-estandarte no carnaval de 1937. Elizeth conhecia e temia o rigor do pai que, como esperado, deu um sonoro Não ao pedido do presidente do Bloco, Carlos Fontela. A família interveio e conseguiu amansar seu Jaime que permitiu apenas que ela frequentasse os ensaios. Com uma nova intervenção, Elizeth teve o consentimento para desfilar, mas com o pai acompanhando o bloco de perto com um pau na mão e ameaçando quem se aproximasse! Com o brilho de Elizeth o bloco saiu vencedor.

Depois de muitos namoros passageiros, conheceu o jogador Leônidas da Silva, grande ídolo do futebol, quando ele foi dar uma entrevista na Rádio Guanabara. Seu pai, muito intransigente, era contra a carreira e o namoro e entrava em conflito constante com Elizeth. Jaime ameaçou a filha com uma surra de vara de marmelo e outra surra em Leônidas num jogo, em pleno gramado e na frente da torcida. A situação ficou insuportável e ela decidiu, aos 17 anos de idade, sair de casa e morar com Leônidas. A relação começou a se deteriorar depois de um ano de convivência.

Leônidas da Siva

Por volta de 1938, adotou uma menina, Teresa Carmela, a quem criou como filha por toda a vida. Na certidão de Teresa Carmela Moreira Cardoso, Elizeth aparecia como mãe solteira, na época um escândalo para a maledicência da vizinhança.

Em 1939, devido aos baixos salários que lhe pagavam nas rádios, começou a se apresentar em circos, clubes e cinemas com o quadro Boneca de Piche, nome de música de Ary Barroso e Luís Iglesias. Apresentava-se ao lado de Grande Otelo e fizeram tanto sucesso que o repetiram por quase dez anos. Seu talento como cantora e passista contribuiu para que ela recebesse um convite para atuar na Companhia de Teatro de Pedro Gonçalves e De Chocolat, onde conheceu o músico cavaquinista e comediante gaúcho Ari Valdez, o Tatuzinho. Depois de um breve romance, casaram-se em 29 de outubro de 1939 no civil, no Palácio Azul, e no religioso, na Igreja de Nossa Senhora de Nazaré, durante uma excursão do grupo a Belém. O casamento durou pouco e o curto período de união foi uma sucessão de decepções e confusões. Ari não parava de beber e tinha o hábito de sair nu pelas ruas. Sempre que se metia em confusão usava um atestado de insanidade mental. A separação aconteceu quando Elizeth esperava seu único filho biológico, Paulo César, nascido em 1940.

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Ari Valdez

Depois de ter passado por várias emissoras de rádio e de ter se apresentado em alguns clubes noturnos, em 1940 foi trabalhar no Dancing Avenida como taxi-girl, dançarina que acompanhava os frequentadores. Como não conseguia muitos convites para dançar e não perfurava o cartão, as meninas ficavam com pena e furavam o cartão para ajudá-la. Por que fracassou a dançarina Elizeth Cardoso, tão bonita e tão charmosa? Talvez pela barriga revelando a gravidez, inibindo os homens. Mas, depois do parto ela continuou a fracassar talvez pela falta de prazer em desempenhar o ofício.

Em 1945, foi para São Paulo, onde trabalhou no Salão Verde do Edifício Martinelli e no programa Pescando Humoristas, da Rádio Cruzeiro do Sul. De volta ao Rio de Janeiro em 1946, conseguiu um teste para cantar com a orquestra do Dancing Avenida, dirigida pelo maestro Dedé e foi aprovada para trabalhar como crooner.

Recusava convites por não poder se ausentar para viagens a trabalho pois precisava cuidar de duas crianças, e a situação financeira piorou. Para o sustento do lar, gastou suas últimas economias, aprendeu a dirigir e começou a trabalhar como taxista da noite nas boates do Rio. Exerceu essa atividade por mais de dez anos e, juntando dinheiro ao longo desse tempo, pôde enfim comprar sua casa própria.

No início de 1950, graças a Ataulfo Alves, conseguiu gravar seu primeiro disco, pelo selo Star. O sucesso do disco garante-lhe contrato de dois anos com a Rádio Tupi, apresentações na televisão e participações no cinema. Em 1951, fez sua estreia no cinema no filme Coração Materno, de Gilda de Abreu. Em seguida fez É Fogo na Roupa (1952), cantando a música Ingratidão; O Rei do Samba (1952); Carnaval em Lá Maior (1955); Na Corda Bamba (1957); Espírito de Porco (1957); Com a Mão na Massa (1958); Pista de grama (1958) e Garota Enxuta (1959). Em 1961, participou do documentário América de Noite (America di notte), de Carlos Alberto de Souza Barros e Giuseppe Maria Scotese, produção da Itália, França, Brasil e Argentina. No elenco, além de Elizeth, Ellen de Lima, Angela Maria, Nathália Timberg, Lionel Hampton, Carlos Machado, Angela Maria, Silveira Sampaio, Marly Tavares, entre outros. Elizeth aparece cantando Água de Beber.

Filme O Rei do Samba (1952)

Filme Espírito de Porco (1957)

Em 8 de junho de 1953, Elizeth estreou no espetáculo Feitiço da Vila, de Paulo Soledade e Carlos Machado, em homenagem a Noel Rosa. O sucesso de público e crítica lançou-a para a fama.

Depois da separação, não cogitou novo casamento, apenas namoros. Seu relacionamento com o compositor e radialista Evaldo Rui foi traumático, pois Evaldo não se conformou com o rompimento e passou a persegui-la e ameaçá-la. Depois de muitos pedidos para reatar, Evaldo suicidou-se no dia 04 de agosto de 1954, deixando dramáticos bilhetes para parentes e amigos. A imprensa explorou o fato tentando envolver a cantora na tragédia, deixando-a bastante deprimida.

Evaldo Rui

Recomendada por Dick Farney viajou ao Uruguai no início de 1954, para uma temporada de 15 dias na Radio Cave e numa boate local. Fez muito sucesso e essa seria a primeira de muitas viagens ao país. De volta ao Rio, participou da gravação da Sinfonia do Rio de Janeiro, de Tom Jobim e Billy Blanco.

Elizeth fazia muito sucesso na boate Sacha. Para facilitar a ida e vinda de sua casa em Bonsucesso para a boate, que ficava no Leme, a cantora alugou um apartamento no mesmo prédio da boate. Inexplicavelmente no dia 14 de agosto de 1954, ela havia dormido em Bonsucesso quando soube, pelo rádio, que a boate tinha pegado fogo. Ela podia ser uma vítima.

No final de 1956, cantava nas boates Clube 36, em Copacabana, e na Oásis, São Paulo, onde ganhou o apelido de A Divina (criação de Haroldo Costa). Outros foram A Magnífica (Mister Eco), Enluarada (Hermínio Belo de Carvalho), Lady do samba, Mulata Maior, A Noiva do Samba-Canção, Machado de Assis da Seresta.

Foi convidada por Carlos Machado a estrelar Mister Samba, espetáculo a ser apresentado na boate Night and Day sobre a vida e a obra de Ary Barroso. Cercada de um elenco grandioso e com um ótimo salário, Elizeth aceitou de imediato e logo foi conhecer o samba É Luxo Só, feito por Ary em parceria com Luís Peixoto, especialmente para ser lançado no espetáculo. A estréia se deu em 06 de agosto de 1957, com o maestro Guio de Moraes, Grande Otelo. Aurora Miranda, Norma Bengell e Vera Regina.

Cena de Mister Samba, Elizeth e Grande Otelo, 1957

Referência para o gênero do samba-canção desde o início da década de 1950, lançou, em 1958, o álbum Canção do Amor Demais, com músicas de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, considerado o ponto inicial da Bossa Nova. Elizeth só gravou o disco porque Dolores Duran não aceitou participar. Dolores, amiga de Vinicius e a preferida de Tom, foi convidada inicialmente, mas sem acreditar no projeto, pediu um cachê alto, inviável para a produção, que era barata.

https://www.youtube.com/watch?v=0MfGMIJqyYk.

Lançamento do disco Canção do Amor Demais. Jornais da época noticiam que a cantora foi homenageada com um coquetel na filial de Copacabana de O Rei da Voz

Em 1959, fez a abertura do show do cantor norte americano Nat King Cole, no Maracanãzinho, inteiramente lotado. No mesmo ano, gravou Manhã de carnaval e Samba de Orfeu, para o filme Orfeu do Carnaval, de Marcel Camus.

Em 1960, estreou o programa Nossa Elizeth, na TV Continental do Rio de Janeiro, ao lado do violonista Baden Powell. Ainda em 1960, foi contratada pela Rádio Nacional, onde participou do programa Cantando pelos Caminhos. No mesmo ano, gravou jingle para a campanha vice-presidencial de João Goulart

Em 1961, recebeu da revista Radiolândia o troféu Disco de Ouro, escolhida como a cantora do ano. Em 1964, quando o maestro Diogo Pacheco colocou Elizeth no Teatro Municipal de São Paulo cantando as Bachianas Brasileiras Número 5, foi como se tivesse sido firmada a síntese definitiva entre o erudito e o popular brasileiro. O Rio também parou para assistir a cantora no Teatro Municipal cantando Villa-Lobos. Foi um escândalo uma cantora de música popular ter a ousadia de pisar no palco sagrado do Municipal para interpretar o maior compositor brasileiro de música erudita, e ainda por cima uma cantora negra.

Elizeth iniciou sua carreira com um repertório predominantemente romântico, porém diversificaria suas experiências ao longo da trajetória profissional. Em 1965, após assistir ao espetáculo Rosas de Ouro, produzido por Herminio Bello de Carvalho, gravou o primeiro disco brasileiro feito integralmente por sambas de morro, Elizeth sobe o morro

A seguir, ela oscilaria entre a canção e os sambas, obtendo sucesso de público e crítica na maior parte de seus trabalhos, marcados pela versatilidade. Em abril de 1965 conquistou o segundo lugar na estréia do I Festival de Música Popular Brasileira da TV Record interpretando Valsa do amor que não vem, de Baden Powell e Vinícius de Moraes. Também realizou o show Vinícius, Poesia e Canção, no teatro Municipal de São Paulo

Elizeth Cardoso e Cyro Monteiro apresentaram o programa Bossaudade, na TV Record, entre 1965 e 1966. Além de trazer antigos artistas consagrados que estavam sendo esquecidos, o Bossaudade também possibilitou o surgimento de novos artistas, como Elis Regina, Jair Rodrigues, Chico Buarque e outros.

Em 1966, viveu uma polêmica com o cantor Cyro Monteiro, que, depois de gravar um LP a seu lado, programou alguns shows que ela não aceitou, por causa dos baixos cachês. O cantor ficou mais magoado quando, na capa do LP, viu que sua foto era menor que a dela. Esse incidente ainda atiçou a rivalidade entre ela e Elis Regina, iniciada com sua participação no programa Bossaudade. Elis acabou recebendo uma advertência da cantora, quando interveio em favor de Cyro Monteiro: Se você não quer me respeitar como cantora, não precisa respeitar. Mas exijo que me respeite como mulher. Tenho idade para ser sua mãe.

Ainda em 1966, esteve no Senegal, participando do Festival de Arte Negra. Em 1968, foi a estrela de um show histórico para arrecadar fundos para o recém-criado Museu da Imagem e do Som. No Teatro João Caetano, apresentou-se com Jacob do Bandolim, o conjunto Época de Ouro e o Zimbo Trio, com roteiro e direção-geral de Hermínio Bello de Carvalho. Os melhores momentos do espetáculo foram reunidos em um LP duplo. O Zimbo Trio a acompanharia em outros shows e discos ao longo de sua carreira.

Elizeth e Zimbo Trio

Em 1969, por causa do sepultamento de sua mãe, não pode receber das mãos do então governador Negrão de Lima, o prêmio Estácio de Sá, na Sala Cecília Meirelles. Recebeu a estatueta de Melhor Cantora oito dias depois, num jantar supervisionado por Ricardo Cravo Albin. Nessa ocasião, o estúdio do Museu da Imagem e do Som foi batizado com seu nome, onde se gravavam os depoimentos para a posteridade.

No mesmo ano, a convite da OEA, participou do Festival Interamericano de Música Popular, em Buenos Aires. Em abril de 1970, fez excursão aos EUA, ao lado do Zimbo Trio. Uma semana depois, para constrangimento dos amigos, participou de um show no Maracanã em comemoração dos 6 anos do golpe militar de 1964. O fato rendeu-lhe grandes aborrecimentos, pois a intelectualidade e a classe artística não perdoaram sua atitude.

Na década de 1970, seguiu a rotina de apresentações, lançamentos de discos e viagens internacionais, como a que fez em 1977 para o Japão, onde se apresentou em um espetáculo para 4.500 pessoas, eternizado no álbum Live in Japan.

Em 1973, Bibi Ferreira dirigiu Baden Powell e Elizeth no show Elizeth – Baden, encenado no palco do histórico Canecão, em Botafogo, Rio de Janeiro. Em 1974, foi tema do enredo da Escola de Samba Unidos de Lucas, que obteve o 2º lugar no 2º grupo do desfile com o enredo Mulata maior, a Divina. 

Apesar de ter viajado o mundo, e cantado em todos os países, só faltava um, que era seu sonho: conhecer o Japão. No fim dos anos 1970 o viu pela primeira vez e ficou encantada. Passou a cantar lá com frequencia, e passou a viajar a turismo, visitando diversas cidades.

Foi aclamada Rainha Eterna do Cordão da Bola Preta e madrinha da Banda de Ipanema, desfilou também por diversas escolas de samba – Portela, sua escola de coração, Unidos de Lucas, Salgueiro e Quilombo, escola criada por Candeia.

Elizeth e o escritor Harry Laus no Baile do Pierrot, em 1961, tradicional baile de carnaval organizado pela escritora Eneida, no Rio de Janeiro.

Elizeth, destaque tradicional da Portela, homenageou Eneida em 1983.

Elizeth e Raphael Rabello haviam se encontrado em uma temporada do projeto Seis e Meia em 1989 e Hermínio queria registrar o show em disco. Depois de algumas tentativas frustradas de se gravar ao vivo no teatro, os dois entraram em estúdio no dia 23 de setembro de 1989 e registraram tudo no mesmo dia. A caixa contém ainda, Elizeth Cardoso, Zimbo Trio, Jacob do Bandolim e Época de Ouro – Ao Vivo no Teatro João Caetano. Esse registro do Museu da Imagem e do Som de 1968 (que agora aparece em CD duplo) havia sido lançado em dois LPs hoje raros e em CD no Japão!

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Em 1990, Hermínio Bello de Carvalho foi convidado a produzir um disco-tributo a Ary Barroso para servir de brinde de uma empresa. Elizeth estava sem gravadora e daí nasceu Ary Amoroso, que no ano seguinte seria lançado comercialmente em CD pela Sony. Todo o Sentimento foi gravado logo em seguida com uma sobra da verba destinada à Ary Amoroso e também lançado em CD em 1991 pela Sony. Antes de gravar Ary Amoroso, durante sua terceira turnê pelo Japão, sentiu fortes dores abdominais. Diagnosticada com câncer intestinal, submeteu-se a duas cirurgias.

Fez sua última apresentação em público em janeiro de 1990, na boate People, no Rio. No dia seguinte, passou mal e foi submetida à nova cirurgia. Teve alta em março, mas voltou a ser internada e morreu no dia 7 de maio de 1990, aos 69 anos.

Elizeth Cardoso lançou mais de 40 LPs no Brasil e gravou vários outros em Portugal, Venezuela, Uruguai, Argentina e México.
O MIS-RJ – Museu da Imagem e do Som, recebeu a coleção Elizeth Cardoso, doada em 1979 pela própria cantora, composta de partituras; documentos iconográficos, dos quais mais de 1.300 fotografias de shows no Brasil e no exterior; roteiros de programas de rádio, televisão e espetáculos musicais; objetos tridimensionais – incluindo troféus, entre tantas outras coisas importantes sobre a trajetória de Elizeth.

Em 2003 a Biscoito Fino lança A faxineira das canções, belíssima música de Joyce e título da caixa de 4 CDs de Elizeth, organizada por Hermínio Bello de Carvalho.

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Em comemoração aos seus 90 anos, o Instituto Moreira Salles produziu um espetáculo com roteiro de Sérgio Cabral, amigo e biógrafo, com interpretação de Áurea Martins, que era uma de suas cantoras preferidas, e Domingos “Bilinho” Teixeira ao violão.

Em 2011, A cantora Rosa Passos lança É Luxo Só, CD em homenagem a Elizeth Cardoso

Luis Fernando Veríssimo escreveu a crônica Revolucionários, onde compara Elizeth a Miles Davis na capacidade de inaugurar épocas.

O Cordão da Bola Preta no carnaval de 2020 teve como tema de seu desfile os centenários das cantoras Carmen Costa (a primeira cantora do famoso hino do bloco) e Elizeth Cardoso (a eterna madrinha do Bola Preta).

Para lembrar de seu centenário, a Rádio MEC produz série especial sobre Elizeth Cardoso

Entre a série de tributos programados, um dos mais aguardados é o lançamento digital de 26 álbuns do acervo da cantora na Copacabana, que a Universal Music, detentora do arquivo da extinta gravadora, disponibiliza na internet a partir de quinta-feira, 16 de julho de 2020, quando serão comemorados os 100 anos da carioca.

Elizeth cantou, encantou, despertou emoções e paixões. A mais insistente teria sido o poeta Vinicius de Moraes. Conta-se que Elizeth andava perdendo a paciência com o assédio (por parte de Vinicius) e apelou para seu amigo Antônio Maria. O poeta cismara de dormir com ela. As cantadas se sucediam, e ela firme nas negativas. O bom Maria deu a dica para a amiga: Quando ele der de novo em cima de você, diga assim, na lata: então tem que ser agora! Dito e feito. Vinicius amarelou, pediu um uisquinho, mudou o rumo da conversa – e a amizade nunca acabou sob os lençóis.

Foi Chico Buarque quem disse: Elizeth é a nossa cantora mais amada. Voz de mãe, mãe de todas as cantoras do Brasil. O que o Chico fala ou escreve não se discute.

Fontes:
Elizeth Cardoso na Wikipedia

Elizeth Cardoso no Dicionário Cravo Albin

Elizeth Cardoso na Rádio Batuta

Conheça 47 álbuns de Elizeth Cardoso

Elizeth Cardoso, discos de carreira e de projetos no IMMuB

Elizeth Cardoso em 2020: 100 anos de nascimento, 30 de morte… e 70 do primeiro sucesso, por Pedro Paulo Mota

Centenário de Elizeth, a faxineira das canções

Centenário de Elizeth Cardoso é comemorado com relançamento de discos, lives e shows virtuais, por Sérgio Luz

Elisete Cardoso : uma vida, do Rolling Stone

Sala Carlos Couto comemora o centenário da Divina Elizeth Cardoso com lives e vídeos

Os 100 anos da divina Elizeth Cardoso: a batalha de uma mulher por uma carreira artística nos anos 1940, por Veronica Raner

Elizeth, Deus e o diabo, por Artur Xexéo

A Divina Elizeth Cardoso: grande voz da música brasileira, Revista Prosa Verso e Arte

Elizeth Cardoso, elegantemente divina. Zélia Duncan apresenta algumas de suas grandes interpretações.

Elizeth Cardoso, a Diva, por Marcelo Teixeira

Um Projeto Pixinguinha romântico com Elizeth, Silvio Cesar e Zé Luiz Mazziotti , por Pedro Paulo Malta (com 20 áudios)

Paulo Cesar Valdez, neto de Elizeth lança cerveja com o título Divina Elizeth pela cervejaria Água de Bamba, por Sônia Apolinário

Zezé Motta fala sobre Elizeth Cardoso: inspiração para espetáculos e gravações

Zuza Homem de Mello fala sobre Elizeth Cardoso, cantora com quem trabalhou e de quem é fã

CABRAL, Sergio. Elisete Cardoso

: uma vida. São Paulo: Ed. Lazuli, 2010

Vídeos:

Elizeth, Pixinguinha e Herminio

Elizeth e Louis Armstrong

Elizeth e Nat King Cole

Elizeth, Nana, Clara, Clementina e Chacrinha

O conjunto Época de Ouro em sua formação original

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