A economia no deserto, por Andre Motta Araujo

Esse grupo de pessoas não tem obras publicadas, não tem currículo de administração pública, tem exclusivamente ligações com mercado de bolsa daqui e de Nova York e nenhuma ligação e preocupações com desemprego, saúde, saneamento, educação, assistência social, pesquisa de interesse público.

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A economia no deserto

por Andre Motta Araujo

A economia brasileira conhece hoje uma situação inédita, que jamais aconteceu desde 1930. Está no comando da economia brasileira um grupo de pessoas que não tem nenhuma relação com políticas de Estado, com políticas públicas, com um projeto de País no seu sentido geopolítico. Esse grupo de pessoas não tem obras publicadas, não tem currículo de administração pública, tem exclusivamente ligações com mercado de bolsa daqui e de Nova York e nenhuma ligação e preocupações com desemprego, saúde, saneamento, educação, assistência social, pesquisa de interesse público.

Desde 1930 até 2018, quase nove décadas, havia uma visão de progresso e desenvolvimento do País no seu sentido mais amplo, uma visão de Estado e do futuro da população de todas as classes nos dirigentes da economia brasileira, muitos da economia produtiva como Horácio Lafer, Guilherme da Silveira, Sebastião Paes de Almeida, Dilson Funaro ou então homens de Estado como Walter Moreira Salles, Oswaldo Aranha, Jose Maria Whitaker, Lucas Lopes.

Essa visão de País desapareceu completamente no atual grupo de comando da política econômica, ELES TÊM UM PLANO DE MERCADO FINANCEIRO.

A RECESSÃO PRODUZIDA POR FALTA DE DINHEIRO

O Estado tem meios e instrumentos únicos, que só o Estado tem, para alavancar a economia e reduzir crises. Todos os Estados fazem uso dessa ferramenta em situações de guerra, de recessão, de crise social, um manejo que exige inteligência, capacidade operacional, experiência e só pode ser operado por cérebros de primeira ordem.

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O Brasil tem vasta capacidade de alavancar a economia porque todos os fatores de produção estão disponíveis dentro do País. Há recursos físicos, mão de obra, capacidade industrial instalada, engenharia e técnica, tudo isso protegido por reservas internacionais folgadas. Por que não fazem? Falta a capacidade intelectual, o uso desse instrumento exige homens além da cartilha.

INVESTIMENTO PRODUZ CRESCIMENTO?

O grupo dirigente da política econômica brasileira aposta que investimentos (estrangeiros de preferência) farão a economia crescer.

Hoje o Brasil deixou de ser um País atraente para investimentos de longo prazo e retorno moderado. A marca BRASIL perdeu atratividade pela notória crise política que se iniciou em 2016. A partir desse ciclo de instabilidade fecharam no Brasil 23.000 indústrias, 270.000 lojas, multinacionais se foram, algumas que aqui estavam há 100 anos estão deixando o País, como Ford e GM. Na infraestrutura os investimentos maturam a longo prazo e o retorno é baixo, só chineses e árabes têm apetite por essa faixa e ambos se consideram malvistos pelo atual governo, virão alguns, mas não em massa.

Restam aqueles que o grupo dirigente da economia gosta e conhece: fundos abutres e fundos especulativos que querem comprar ativos na bacia das almas para revender dois anos depois. Há investidor no mundo para todo tipo de risco, lembro que numa de suas desastrosas crises cambiais a Nigéria, nos anos 80, quebrou e os importadores nigerianos não conseguiam abrir cartas de crédito para importar câmaras frigoríficas do Brasil. O Pais estava no auge da exportação de manufaturados. Três dias depois da moratória declarada da Nigéria, o exportador brasileiro foi procurado por uma trading austríaca, de Viena, oferecendo assumir o risco Nigéria cobrando um sobrepreço nas câmaras frigorificas. Isso é comum em todas as moratórias, há comprador para qualquer risco.

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Hoje o Brasil desperta o apetite dos fundos de alto risco, MAS é um péssimo investidor para o Brasil, está na mesma relação de um agiota para a empresa em dificuldade, daí não virá nem emprego e nem crescimento, só bons negócios para alguns.

Achar que investidor para privatização vai gerar crescimento e emprego é uma ilusão. O todo poderoso Ministro da Economia da Argentina Domingo Cavallo (1991-1996), que privatizou até o Jardim Zoológico de Buenos Aires, um fanático neoliberal, produziu um desastre econômico e social privatizando tudo.

São operadores IDEOLÓGICOS e não maestros flexíveis de uma situação de muitas frentes. Trazem soluções simples para situações complexas, são o desastre anunciado, sempre lembrando que disparidades sociais agudas e prolongadas são a antessala das revoluções e cataclismas políticos, que sempre começam pelo desprezo dos dirigentes para a situação aflitiva de famílias sem renda por muito tempo, fermento histórico de mega crise.

Não se vê no Brasil de hoje um gesto, um programa coerente para criar renda rapidamente, isso em um País rico, com mega reservas cambiais, imensos recursos naturais e humanos, hoje temos uma subpolítica que só aumenta a miséria dos já pobres sem um plano gerador de rendas.

INFRAESTRUTURA É A SOLUÇÃO

Para dar saneamento para todo o País, o Brasil precisa investir R$600 bilhões, 8.000 obras paradas podem ser completadas com R$200 bilhões, moradias para 2.000.000 de famílias podem ser construídas com R$200 bilhões. Um plano de R$1 trilhão dividido em 40 meses são R$25 bilhões por mês, nem fará coceira na meta de inflação, uma emissão de Bônus de Infraestrutura tendo como comprador o Banco Central, se os investidores não comprarem segue a política americana onde o Federal Reserve é o maior comprador da dívida pública americana, com US$7 trilhões de títulos em sua carteira, um terço da dívida pública federal. Essa é a função de um banco central, ser o comprador final dos títulos do Tesouro, é o regulador do meio circulante. Os títulos pagos ao Tesouro com emissão de moeda, nosso Banco Central não emite dinheiro há anos, na contramão dos bancos centrais do mundo.

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Na infraestrutura se gera emprego rapidamente e desse canteiro sai a renda que movimenta a economia, isso já se sabe há 200 anos.

ANDRE MOTTA ARAUJO

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6 comentários

  1. Andy , na sua fase João Baptista, pregando no deserto!
    Bem dito, o artigo é de uma coerência ímpar, porém o lumpen votou maciçamente no capitão e espera uma salvação sebastianista para todos (fora os impuros).
    Não verão Alcácer Quibir!

  2. Discordo em parte.

    NÃO HÁ IDEOLOGIA ALGUMA por parte dessa gente, não passam de BUCANEIROS e alegremente dão as mãos a GENTE GRANDE de fora.

    A melhor leitura de seu artigo é feita em conjunto com o artigo do Nogueira Batista, também hoje no GGN.

    Nossa própria existência está em jogo, e os calhordas no comando da política econômica so querem saber se da liquidação inclusive física do país eles conseguem tirar uma boa comissão.

  3. Somos produto do sucesso de 9 décadas de mediocridade. ‘Loucura é fazer as mesmas coisas da mesma forma e esperar por resultados diferentes’. Que resultado diferente, queríamos com projeto, estrutura e legislação fascista? Voltamos à Idade Média, ao Período Medieval com o Golpe Civil Militar Fascista de 1930. Cabeça virou rabo. As Elites Intelectuais, Políticas, Financeiras desde Machado de Assis a Nilo Peçanha, desaparecem da história e cotidianos brasileiros. Com eles, também desaparecem Santos Dumont, Vital Brasil, Oswald de Andrade, Lima Barreto, Mario de Andrade, Emilio Ribas,…. Alemães, Italianos, Suíços, Franceses, Ucranianos, Russos, Japoneses que chegavam em Navios desesperados, famintos e miseráveis em busca da Nação que mais crescia no planeta até 1930, tornam-se então em Primeiro Mundo. O Brasil atolado numa Ditadura Esquerdopata Fascista torna-se em Terceiro Mundo. Alguns dizem que é Nosso período aúreo. Imaginem se não fosse?! O ‘ Mulato Inzoneiro ‘ é embranquecido como Machado ou Nilo Peçanha. Agora, a partir de 1930, tomam Coca-Cola da segregacionista e racista Atlanta / EUA. O restante da Economia e Soberania Brasileira também se tornam submissas a estes interesses, marcas e produtos estrangeiros. Assim como toda América Latina, nossa omissão, despreparo e caminhos errados em ditaduras e caudilhismos, nos tornam em quintal da América do Norte. Leonel Brizola enxerga no casamento coma irmã de João Goulart, um latifundiário e estancieiro gaúcho, a oportunidade de ascensão social e política. Os dois em ‘conjunto e ideologia socialista’ defenderão o legado do Ditador da Família, Getúlio Vargas. E o Estado Absolutista e Fascista que o Caudilho estruturou. Juntamente com as Elites que ascendem em período ditatorial : OAB/30 USP/34 UNE/38 MEC/30… E acreditamos que os resultados não foram prósperos e vitoriosos nestas 9 décadas? Queríamos resultados diferentes? LOUCURA !!!! Pobre país rico. Mas de muito fácil explicação.

  4. Eu ainda quero saber….onde está e quanto é o montante do dinheiro economizado com a PEC da morte?????? Evaporou? O que vão fazer com esse dinheiro????

    Quanto às reservas, estão burlando uma engenharia financeira, daquelas que ninguém entende, pra embolsar a bufunfa…….que jogar na economia nada, o negócio é jogar direto nos bolsos…..

    • A soltura e inocentação de Lula, será o começo da derrubada desse desgoverno de milicianos, e de seus canalhas apoiadores. Não me refiro aos incautos.

      Outros seres desprezíveis que deverão pagar caro com a conscientização de muitos que os seguem, são os falsos servos de Deus, que apoiam idéias nefastas, destruidoras, e demoníacas, que destoam daquilo que deveria ser feito com base nas “escrituras”, na palavra de Deus. Como podem, cinicamente se dizerem servos dos criador, e apoiarem a destruição de suas criações, que apoiam o ódio, a discriminação, a segregação, e idéias fascistas das mais sórdidas?. São pulhas. Quando dizem que são servos de Deus, eles o são de verdade. Só esquecem de mencionar a qual Deus estão servindo. Ou seja, esquecem de dizer que servem ao Deus do Mal. Satanás, Capiroto, Demônio, Besta fera, Besta do segundo livro, Lucifer, etc…

      Só trouxa, ou imbecil é capaz de crer que está servindo ao Deus do bem, da misericórdia, da justiça, do amor ao próximo, pensando e agindo como o fazem sem o minimo pudor.

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