A Lavanderia e o Chile – quando os mansos herdarão a Terra?, por Dora Incontri

Numa referência ao Sermão da Montanha, essa pergunta é feita no filme A Lavanderia (disponível na Netflix), dirigido por Steven Soderbergh, com Meryl Streep, Antonio Banderas e Gary Oldman.

A Lavandaria e o Chile – quando os mansos herdarão a Terra?

por Dora Incontri

Numa referência ao Sermão da Montanha, essa pergunta é feita no filme A Lavanderia (disponível na Netflix), dirigido por Steven Soderbergh, com Meryl Streep, Antonio Banderas e Gary Oldman.

Não é um grande filme, mas narra de maneira didática o caso dos Panama Papers e como funcionam as falcatruas internacionais de empresas fantasmas, para evasão de impostos e lavagem de dinheiro. O ótimo elenco marca o filme. De qualquer modo, me provocou reflexões, justamente por uma citação à teologia da libertação e algumas falas que invocam as palavras de Jesus de que “os mansos herdarão a Terra”. Há afinal alguma perspectiva disso acontecer?

Até agora, quem tem dominado o planeta são os brutos, os gananciosos, os violentos, “os que açambarcam os bens da Terra”, no dizer do Livro dos Espíritos de Kardec – passagem, entre outras, que os espíritas conservadores passam sem ver. Os mansos, os pobres, os pacíficos, a esses que Jesus prometeu bem-aventuranças aqui no mundo mesmo e além, continuam explorados, escravizados e oprimidos.

Por que motivo, caminhamos dois passos para frente na construção de um mundo que os famintos de justiça sejam saciados, para logo em seguida, retrocedermos um, dois ou três passos para trás? E isso nos dá uma impressão de que as coisas não avançam e as estatísticas confirmam a impressão, porque os números da fome, da falta de saneamento básico, de crianças sem escola, e a manutenção das guerras e da devastação da natureza parecem confirmar que não há de fato uma melhora nas condições de justiça e bem-estar no mundo.

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Por isso mesmo, é difícil convencer alguém hoje ou mesmo convencer a nós mesmos de que há um processo de evolução e progresso na humanidade – sendo esse um dos maiores postulados do espiritismo. Pessoalmente, penso que sim, há avanços e que, mesmo com os retrocessos, algo dos avanços sempre permanece, nem que seja como nova consciência. Uma espécie de evolução com idas e vindas, mas ainda sempre algo de melhor vamos alcançando aos poucos.

Ocorre que desde o anúncio da vinda do Reino de Deus, feito por Jesus, passando pelos milenarismos medievais, pela Utopia de Thomas Morus, pelos socialismos do século XIX e XX, sempre tem havido uma ideia de chegada a algum ponto melhor, quase perfeito, do que aquele em que estamos inseridos.

Por isso, no meio de toda a sujeira e desumanidade narradas em forma de comédia leve pelo filme A Lavanderia, Meryl Streep tem um bate-papo com Deus e pergunta quando é que afinal os mansos herdarão a Terra…

De fato, não sabemos. Mas mantemos a luta e a esperança… seja por uma promessa para aqueles que aceitam Jesus como Deus (os cristãos tradicionais) ou para aqueles que o veem como um ser iluminado (como os espíritas); seja porque partilhamos de uma ideia de construção socialista ou anarquista (ou ambas) e investimos nessa luta para lá chegar.

E quando movimentos fortes como o do Chile, em que um povo injustiçado e oprimido se levanta com coragem e força, renova-se a esperança. E sobretudo, para nós, de que o Brasil também acorde. Que todos os povos acordem e que façam o Reino já. Sem violência, mas com firmeza; sem revanche, mas com justiça, porque são os mansos que herdarão a Terra e os que têm sede de justiça, que serão saciados.

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