As primeiras núpcias de Marina

O artigo de Ciro Gomes sobre o pacto de ódio entre Maria Silva e Eduardo Campos e um vídeo de Mino Carta na Carta Capital, onde chama a relação entre Marina e Eduardo de contubérnio, vistos neste domingo 13/10/13 fizeram me lembrar de um antigo post publicado aqui. Ele é de 22/06/2011, lá se vai mais de 2 anos, onde aposto comentários a um artigo do jornalista Fernado Barros e Silva na Folha de São Paulo. Fernando comenta o, então, eminente rompimento entre Marina e o Partido Verde – PV. Partido ao qual se filiou após abandonar o PT e pelo qual disputou as eleições de 2010.

Visto em retrospectiva, é interesante notar lá pelo fim do texto como os “Protestos de Junho” tiveram como efeito colateral o renascimento de Marina. E de como, em política, Marina cozinha relações complicadas.

Da série “recordar é viver”, diretamente do túnel do tempo:

Marinado ao caldo verde. Ou , da arte da culinária na política e no amor.

Interessante, ainda que totalmente previsível, o desfecho narrado por Fernando Barros e Silva, hoje na Folha, para a situação de Marina Silva no PV.

Destaco e comento alguns tópicos do seu texto.

“O casamento entre Marina Silva e o PV está por um triz.”

“Estaria “desgastada, aborrecida e sobretudo descrente”

Casamentos de conveniência sempre existiram, na vida real e na política, nessa principalmente. Em nenhuma das duas situações, que se espere amor, ainda que remotamente ele possa vir. O fim desses relacionamentos deve ser bem administrado, já que também responderá a uma conveniência mútua. Parece que no caso de Marina isso não está sendo bem feito.

Fim de caso com acusações é para aqueles cheios de paixão e desencanto. Paixão e desencanto podem ter existido no affair de Marina com o PT, mas não com o PV. 

“Marina e seu grupo imaginaram que poderiam oxigenar o partido, aproximando-o da mensagem da candidata que recebeu quase 20 milhões de votos.”

Só se Marina era, então, a mais ingênua dos políticos. Quem não conhecia que de verde o PV só tem o oportunismo do nome? Não conversou com Gabeira antes de se filiar?

Não, assim como Heloisa Helena em 2006, Marina, em 2010, queria vingança. Marina é mais articulada, mais discreta, menos emocional, mas o desejo de vingança estava lá. Ambas se deram mal.

Heloisa Helena sumiu dentro de um partido nanico. É uma voz radical, legítima e necessária, como o seu PSOL. Porém, como o PSOL, não é alternativa.

Marina, parecia uma alternativa. Permitiu-se, no entanto, enredar em uma história feia de discriminação de fundo religioso. Não por ação, mas por omissão. Aliás, como também se peca.

Dos seus cantados 20 milhões de votos, quantos são devido há causa verde? Quantos são devidos a campanha de demonização levada a cabo pelos bispos católicos e evangélicos durante a campanha suja de 2010.

Marina não tinha consciência disso? 

Podia ter se posicionado no 2º turno contra tudo o que foi praticado pela imprensa conservadora, pelos “pastores malafáias” e “padres luizinhos”.

O que fez?

Cometeu seu grande erro político, optou pela neutralidade e desapareceu. 

“Saindo (do PV)deve levar junto figuras como Fernando Gabeira, João Paulo Capobianco, Alfredo Sirkis e Aspásia Camargo, entre outros.

Está descartada, de qualquer forma, a criação de um novo partido da “causa ecológica”, como se cogitou.”

Podem montar um grupo de teatro e encenar a peça “Seis personagens a procura de um autor”, ou em dupla com Gabeira “Dois perdidos em uma noite suja”.

A causa ecológica tem espaço sim, o PV não a encarna. Marina e Gabeira sabem que a solução é sim um novo partido que tenha essa causa como pano de fundo, embora Penna lhes tenha “roubado” o mote. Até porque, em que partido já existente poderiam se encaixar, com suas histórias, ideologias e ambições?

Por que, então, não o fazem?

“Primeiro, porque não haveria como viabilizá-lo em tempo hábil para concorrer em 2012.”

Aí é oportunismo político, e nesse caso, o melhor é a filiação ao PSD do Kassab.

“Segundo, porque Marina já está identificada com o ambientalismo e precisa agregar outras bandeiras à sua persona política -e não se isolar entre ongueiros e os povos da floresta.”

Ao contrário, a saída para Marina é o retorno ao ambientalismo consciente, porque, após 2010, Marina ficou mesmo é associada às causas dos cristãos fundamentalistas. E porque 2014 está muito longe para ser utilizada pela imprensa conservadora como uma anti-Dilma. Isso se é que para essa mesma imprensa, Marina ainda teria utilidade para isso.

É difícil discernir, no caso dela, entre utopia, ingenuidade e messianismo.”

Não, é simples, basta dizer não a tudo isso, à idéia de vingança e ao oportunismo e abraçar a causa ecológica propositiva de soluções. Note-se que o que é simples, não necessita ser fácil.

De qualquer modo, Marina errou e terá de pagar o seu preço. E, em minha opinião, ela ainda tem cacife para bancá-lo.

O risco é que “ainda” não é “para sempre”.

 

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2206201103.htm

FERNANDO DE BARROS E SILVA

E agora, Marina? 

SÃO PAULO – O casamento entre Marina Silva e o PV está por um triz. No fim de semana, ela se reuniu em São Paulo com lideranças da ala “marineira” do partido. Deixou o encontro, segundo relatos, “disposta a sair”. Estaria “desgastada, aborrecida e sobretudo descrente” de que as coisas lá dentro possam mudar para melhor.
Há mais de uma década o PV está sob o comando de José Luiz Penna, deputado federal por São Paulo. Apesar da marca, os verdes são um partido convencional, associado ao poder em quase todos os lugares, com todos os vícios e pecados fisiológicos da política brasileira.
Marina e seu grupo imaginaram que poderiam oxigenar o partido, aproximando-o da mensagem da candidata que recebeu quase 20 milhões de votos. Trombaram de frente com a nomenclatura verde -representada por uma Executiva Nacional balofa, onde 58 membros mantêm interesses enraizados.
Há ainda quem defenda, entre os “marineiros”, que ela deve brigar dentro do PV e lá permanecer, mesmo como “dissidente”, até pelo menos as eleições municipais. Não parece ser a disposição dela própria.
Marina, de qualquer forma, é uma política de combustão lenta. Pondera muito antes de tomar decisões. Saindo, deve levar junto figuras como Fernando Gabeira, João Paulo Capobianco, Alfredo Sirkis e Aspásia Camargo, entre outros.
Está descartada, de qualquer forma, a criação de um novo partido da “causa ecológica”, como se cogitou. Primeiro, porque não haveria como viabilizá-lo em tempo hábil para concorrer em 2012. Segundo, porque Marina já está identificada com o ambientalismo e precisa agregar outras bandeiras à sua persona política -e não se isolar entre ongueiros e os povos da floresta.
Sem partido, Marina teria fôlego e instrumentos para “mobilizar a sociedade” em torno de ideias? Ou sumiria, moída pelas engrenagens da política profissional? É difícil discernir, no caso dela, entre utopia, ingenuidade e messianismo.

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