Bancadas progressistas nas capitais: o risco de redução, por Emerson Sousa

O grupo de partidos progressistas pode sair bastante fragilizado dessas eleições e mesmo que consiga manter o atual número de prefeitos, porque tais administrações não terão uma sólida base de sustentação.

Bancadas progressistas nas capitais: o risco de redução

por Emerson Sousa

Como o fim das coligações proporcionais pode afetar o desempenho do bloco de partidos formados por PCdoB, PDT, PSB, PSOL, PT e REDE nas eleições municipais deste ano? Será que essa medida vai resultar em redução ou em aumento de suas bancadas?

Uma forma alternativa de responder a essas questões seria fazendo uma projeção dos resultados esperados com base na votação nominal obtida por cada uma dessas agremiações no último pleito, ocorrido em 2016.

Restringindo essa análise somente às capitais estaduais onde, presumivelmente, esse bloco possui uma performance melhor do que nas cidades interioranas, é possível idear como esse fenômeno se dará em todo o território nacional.

Há quatro anos, esse agrupamento político lançou um total de 3.305 candidatos, recebeu 4,5 milhões de votos e conseguiu eleger 187 dos seus correligionários para os parlamentos municipais das capitais estaduais.

Dessa forma, angariando 21,1% dos votos nominais, esses partidos ficaram com 23,1% das cadeiras em disputa. Muito desse adicional se deveu à vigência do estatuto das coligações proporcionais, que potencializaram suas chances eleitorais.

Sem esse dispositivo, é plausível que as suas bancadas se reduzam. Isso porque, não foram em todas as capitais que esses partidos conseguiram uma votação suficiente para superar os seus respectivos quocientes eleitorais.

O PDT e o PSB superaram essa barreira em 16 dessas localidades, ao passo em que o PT o fez em outras 14. Enquanto isso, o PCdoB e o PSOL alcançaram essa marca somente em 9 e, numa situação mais dramática, a REDE Sustentabilidade a atingiu em apenas 2.

Em média, essa sêxtupla partidária arregimentou, nas capitais brasileiras, uma votação que ficou, geralmente, em 10% acima dos quocientes eleitorais locais. Todavia, essa realidade é bastante diversa quando a condição específica de cada partido é analisada.

A REDE reteve para si votações que atingem apenas 33% dos quocientes eleitorais dessas cidades. O PCdoB arrasta votos que ficam em 79% dessa mesma medida e o PSOL, com algo próximo a 94%. Isso significa que a obtenção de ao menos uma vaga é o principal objetivo dessas agremiações.

Por outro lado, o PSB arregimenta eleitores que lhe permite superar os quocientes eleitorais das capitais em 58%, na média. Sob essa mesma perspectiva, o PDT o faz em 54% e o PT em 43%. Isso significa que, para esses, a meta é conquistar a segunda cadeira.

Logo, os três menores partidos desse bloco vão ficar extremamente dependentes dos votos de legenda e, mais ainda, do quociente partidário de seus concorrentes, as chamadas “sobras”, na esperança de emplacar algum mandato por meio da “média” de votação. Contudo, nem mesmo os três maiores estão livres de verem suas bancadas se reduzirem.

Num cenário no qual a votação nominal de 2016 se repetisse e que, por alguma combinação eleitoral, todas as suas “sobras” redundassem na captura de uma cadeira, esses seis partidos iriam garantir, ao todo, 173 mandatos, ou seja, 14 a menos do que há quatro anos.

Nesse contexto, PDT, PSB e PSOL perderiam mandatos, ao passo em que PT e REDE ganhariam e o PCdoB manteria o mesmo tamanho. Haveria aumento de bancada em Macapá (AP), Porto Velho (RO) e Maceió (AL), com 2 vereadores a mais em cada. Em compensação, Fortaleza (CE) veria o bloco perder 5 de suas 14 cadeiras.

Por outro lado, numa situação na qual as “sobras” fossem insuficientes para se conquistar mandatos, e em que esses fossem garantidos apenas pela quantidade de vezes em que o quociente eleitoral fosse superado, a votação nominal recebida em 2016 asseguraria apenas 109 cadeiras, perda de 78 mandatos.

Esse quadro teria a REDE e o PCdoB sofrendo as maiores perdas – 66% e 50%, respectivamente – com o PDT e o PSB diminuindo em algo próximo a 44%, cada. O PT estaria privado de 35% das cadeiras conquistadas a quatro anos e o PSOL, de outros 30%.

As maiores quedas seriam vistas em Fortaleza (CE), em Recife (PE) e em Natal (RN). Com a primeira registrando uma perda de 7 vagas e as outras duas de 5 cadeiras, cada. Tais prejuízos seriam menores em Manaus (AM), Macapá (AP) e Cuiabá (MT), onde as diminuições seriam de uma vaga.

Resumidamente, sob a perspectiva apresentada, na melhor das hipóteses, 21,1% dos votos nominais resultaria em 21,3% dos mandatos. Na pior, entretanto, esse mesmo volume eleitoral daria direito apenas a 13,5% das vagas em disputa.

Conforme pode se inferir, as perspectivas não são muito felizes. O grupo de partidos progressistas pode sair bastante fragilizado dessas eleições e mesmo que consiga manter o atual número de prefeitos, porque tais administrações não terão uma sólida base de sustentação.

E a não ser que haja um forte aumento de votos (nominais e/ou em legenda) em relação a 2016 ou que as “sobras” das votações dos partidos progressistas sejam superiores aos dos demais partidos, o esperado é que, nas capitais, o número de vereadores vinculados a esse bloco diminua.

Emerson Sousa, é mestre em Economia e Doutor em Administração

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