Bolsonaro jogando em duas frentes, governo e oposição, por Gilberto Maringoni

Qual presidente se conformaria com manchetes afirmando que sua intenção é tirar dinheiro de velhinhos, doentes e aleijados? Bolsonaro - que é tosco mas não é burro - conhece os humores populares

Bolsonaro jogando em duas frentes, governo e oposição

por Gilberto Maringoni

Com o pronunciamento desta manhã – no qual detona sua equipe econômica – Bolsonaro busca corrigir o brutal erro que cometeu há alguns dias: reduzir pela metade o auxílio emergencial de R$ 600. O montante original é o motivo principal da elevação de sua popularidade e da pequena recuperação do comércio e do setor de serviços em meio à crise da pandemia.

Guedes tentou um golpe na noite de ontem: manter caninamente o teto de gastos e investir contra a economia popular. Qual presidente se conformaria com manchetes afirmando que sua intenção é tirar dinheiro de velhinhos, doentes e aleijados? Bolsonaro – que é tosco mas não é burro – conhece os humores populares e não deseja ver sua curva nas pesquisas apontar para baixo. Em intervenção fulminante, chuta o balde e desautoriza publicamente os auxiliares.

Para além disso, faz uma jogada inteligente. Assume um lugar vago na atual conjuntura, o de oposição. Com competência, atua em duas frentes, como já fizeram Getúlio e Lula.  Apresenta-se como defensor dos interesses populares e dá um samba em quem não vê importância na defesa dos R$ 600 até o fim da pandemia. Nada hoje é mais importante do que ser atento à fome e ao desespero das pessoas.

A maioria das oposições, concentradas nas redes e na formação de chapas municipais – há exceções -, deixa passar mais esta bola quicando na área. Bolsonaro vem, chuta e daqui a pouco, se nada mudar, estará comemorando.

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Há espaço para a oposição. Muito, diante da extrema-direita. Mas é preciso querer ocupá-lo e ser sensível às pautas do povo.

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2 comentários

  1. Veta e incentiva a derrubada do veto do benefício fiscal das Igrejas.
    E ficou de enviar Projeto de Lei.
    Governo , oposição e centro na mesma tacada.

  2. Como se a oposição tivesse alguma força na manutenção do auxílio sem a benevolência do Rodrigo Maia! O auxílio vai ser sempre do Governo e Bolsonaro que se vire!

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