Bolsonaro, quem diria, pode se tornar o Mefistófeles da vida do Moro, por Eduardo Ramos

Porque, se é verdade que muitas vezes pessoas ordinárias e vis morrem sem aparentemente terem "pagado por seus pecados", às vezes nos é concedido ver "Mefistófeles cobrando a conta"

Bolsonaro, quem diria, pode se tornar o Mefistófeles da vida do Moro

por Eduardo Ramos

(sobre o post do Nassif no GGN “A barganha em que Bolsonaro prometeu o mesmo cargo no STF a Moro e a Gebran”)

Os signos e símbolos representados pela obra prima de Goethe, Fausto, e seu personagem mais emblemático, Mefistófeles, me encantam desde sempre. Porque, se é verdade que muitas vezes pessoas ordinárias e vis morrem sem aparentemente terem “pagado por seus pecados”, às vezes nos é concedido ver “Mefistófeles cobrando a conta” de um modo sutil mas “não menos perverso”. Joaquim Barbosa, FHC e Rodrigo Janot, para citar três exemplos que para mim são claros: Tiveram seus auges, embriagaram-se na vaidade e no narcisismo que os holofotes da mídia geram nas pessoas fracas, de baixa autooestima e medíocres, e hoje, inteligentes que são, os três têm a mais trágica consciência que um homem público pode ter de si mesmo: que o que os espera no futuro é um tratamento rigoroso por parte da História, seus nomes, seus feitos mais significativos, fazendo parte do perene rio de ESGOTO que corre ao lado das biografias dos grandes homens. Ver FHC mendigando respeito através de falas e discursos paupérrimos não tem preço, para quem ama a justiça e a verdade, para quem acredita na sentença de Guimarães Rosa: “O que tem que ser tem muita força.”

Lendo o texto do Nassif sobre as ações cínicas, pusilânimes – muitas! – de Gebran e Moro, e sua citação a Mefistófeles e o “não se entregar a honra ao soberano”, foi impossível não fazer essa ilação: Os dois magistrados entregaram suas carreiras e suas almas ao ser nefasto por excelência… Na verdade, ALI JÁ HAVIAM ENTREGUE TAMBÉM A HONRA, isso apenas não estava nítido para todos. Como não estava nítido para os três personagens citados acima, é impressionante o que a fama, o sucesso, são capazes de fazer em termos de CEGUEIRA EXISTENCIAL na vida de alguns homens públicos.

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Resta uma questão que, particularmente, confesso minhas dúvidas: Bolsonaro foi INGÊNUO ou MAQUIAVÉLICO? Quis afinal agradar a Moro ou queimá-lo em praça pública, envergonhando de modo DEFINITIVO ao ex-juiz?

Aconteça o que acontecer, o FATO INEGÁVEL, é que Mefistófeles cobrou a fatura de ambos: Gebran e Moro, diante de qualquer pessoa minimamente conectada à realidade, minimamente ética e digna, estão SOTERRADOS, justo no ponto mais central na vida de qualquer pessoa: sua honra pessoal! VENDERAM-SE! Não importa mais a essa altura, à luz do que foi revelado, se “tinham ou não ideologias”, se “odiavam ou não a Lula e ao PT” – motivos torpes, mas passíveis de compreensão… porque alguém pode compreender um juiz que, com “medo de determinada ideologia”, ainda que de modo absolutamente reprovável, use seu cargo para massacrar um “inimigo” e blindar um aliado. É grave e vil, mas NADA PODE SE COMPARAR AO ATO DE VENDER TAIS AÇÕES EM TROCA DE UM CARGO FUTURO! – Eis a nudez que a fala de Bolsonaro trouxe à luz, para a vergonha eterna de Moro e Gebran.

Nesse aspecto, podemos concluir que Mefistófeles foi especialmente perverso. E por vias tortas, quem diria, justo!

Moro e Gebran colheram o que plantaram. A sentença de Guimarães Rosa foi validada exemplarmente na vida desses magistrados. Até a honra se foi….

2 comentários

  1. A mim parece que o deslumbramento era tanto, que Moro não percebeu que o ministério era um suborno.

    Acreditou piamente na sua própria narrativa.

    E agora Bolsonaro lhe revelou o óbvio: “você foi comprado, querido. É meu escravo agora, e tão bem escravizado que não lhe preciso pôr algemas – você não tem para onde ir, a não ser a minha senzala”.

  2. Não consigo imaginar que Bolsonaro tenha um mínimo de condições intelectuais e mentais para agir maquiavelicamente. Também acho que ingenuidade não define adequadamente seu comportamento. Ele é, nada mais, nada menos, do que um burro falante. Portanto, acho que é de burrice mesmo que se trata.

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