Bolsonaro se lambuza. Mas sem oposição ele não recua, por Gilberto Maringoni

Até aqui ele está jogando de muletas e com um braço na tipoia, mas num campo livre. Não há quase ninguém entre ele e o gol adversário.

Bolsonaro se lambuza. Mas sem oposição ele não recua

por Gilberto Maringoni

O governo Bolsonaro cometeu dois erros brutais ontem.

O primeiro deles foi na stand up coletiva do anúncio da Renda Cidadã. O segundo foi no massacre ecológico que Ricardo Salles patrocinou na Comissão de Meio Ambiente.

No caso da Renda Cidadã, um misto de ansiedade, desespero e soberba se desdobrou em duas barbaridades: meter a mão nas dívidas dos precatórios e surrupiar 5% do Fundeb.

O cambalacho nos precatórios foi sintetizado pelo onisciente mercado: ´”Pega! É calote!”. A bolsa cai, o dólar sobe e a mídia grita.

A MÃO GRANDE NO FUNDEB atinge um acordo fenomenal (499 a 7) feito na Câmara, em articulação de deputados, prefeitos e educadores. Nem por um pirulito de cloroquina os parlamentares toparão passar pano na principal votação do ano até aqui.

Ou seja, em uma só tacada, o boçal tromba com o Congresso e com a turma do dinheiro. Meio over.

Tudo para quê? Para não furar o teto de gastos, fruto de um financismo obtuso que atinge até mesmo setores da oposição. Não há rebaixamento de piso que dê conta não apenas de novos projetos, como de gastos correntes. O orçamento de 2021 é uma recessão pré-paga.

JÁ SALLES INSCREVE SEU NOME na lata de lixo da História como o campeão do meio ambiente, ou seja, aquele que busca reduzir o ambiente em que vivemos à metade.

O conjunto da obra é sabido e ressabido. A questão é: isso não basta para derrotar Bolsonaro. Até aqui ele está jogando de muletas e com um braço na tipoia, mas num campo livre. Não há quase ninguém entre ele e o gol adversário.

Vinte e quatro horas depois dos anúncios, a maior parte da oposição – há exceções! – não se manifesta com vigor sobre esses temas e nem traça uma linha de ataque, assim como subestima a luta pela manutenção dos R$ 600 do auxílio emergencial.

Leia também:  A verdade sobre as contas públicas de São Paulo, por Luiz Alberto Vieira

A conjuntura é complicada. Há ataques a Boulos e a Carol Solberg, tentando calá-los. Há as disputas municipais. A reação não é fácil.

Mas há imensos flancos sendo abertos pelo próprio governo. É preciso aproveitá-los no calor da hora.

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4 comentários

  1. O que o artigo do companheiro Maringoni não diz é fazer exatamente o que além do que tem sido feito pelas oposições que é praticamente através de ações judiciais questionando os desatinos do governo. Será que ele defende uma ação de rua massiva quando:
    1 – a esmagadora maioria das lideranças de esquerda estão no grupo de risco.
    2 – Todos os movimentos democráticos e de esquerda decidiram apoiar as recomendações da OMS de isolamento.
    3 – Em todo o mundo quem tá tomando as ruas são os fascistas brigando contra as medidas da OMS adotada pela maioria dos países, inclusive vários que não são de esquerda.
    4 – Mesmo no Chile, que vinha num crescente movimento contestatório teve que suspender em função da COVID-19.
    5 – O Companheiro tem dizer de forma clara e inequívoca: Foda-se o isolamento, vamos para as ruas! É isso? Vai indo que eu não, me inclua fora dessa. Tenho 61 anos, sou grupo de risco e só posso participar virtualmente, com abaixo assinado, compartilhamento…o governo tá cagando e andando para isso? Com certeza. O Companheiro ou mais pessoas tem outras orientações?

    Eu tô preocupado até em ir votar…mas vou, preocupado mas vou.

  2. Compamheiro Edivaldo Dias de Oliveira. Tenho 73 anos e nem penso em deixar de votar. Isso não podemos deixar de fazer , nem que seja vestido com roupa de astronauta pra nossa proteção.

    • Eu tembém Aracelis, eu tabém, preocupado mas vou. Desde que conquistei esse direito, jamais deixei de votar e não vai ser agora que vai acontecer. Aliás o meu caçula que faz 18 hoje vai ter a sua primeira vez agora, pois na passa ele ainda não tinha 16.

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