
Quem é daquela época lembra. Semanalmente, entre 1977 e 1984, surgiam as Cartas da Mãe. De autoria do jornalista, desenhista, cartunista, cidadão brasileiro Henfil (Henrique de Souza Filho, 1944-1988), eram verdadeiras crônicas sobre a situação que o país vivia, em plena ditadura militar.
Publicadas em excelente fase da revista Istoé, as cartas eram dirigidas à dona Maria, que vivia em Belo Horizonte. Começaram quando Henfil morou por um longo período em Nova Iorque (EUA).
Ficaram famosas, não apenas por abordarem criticamente os dramas da política brasileira naqueles dias. Mas, principalmente, pelo humor mordaz do autor. Fazem parte da História do Brasil. Narram a uma parte da nossa História Contemporânea.
Ainda são atuais. Como nos comentários sobre a previdência social, por exemplo.
Trinta e três anos depois de “Cartas da Mãe” surgiu a “Carta ao Pai”. Foi escrita no último dia 21 de novembro, quando Ivan, filho de Henfil, completou 47 anos.
Pode ter sido filha única, quem sabe? Mas vale o registro, até porque servirá para resgatarmos a memória de Henfil, que jamais deve ser esquecido. Com ela, aproveitamos para resgatar alguns de seus trabalhos. Algo que Ivan vem fazendo através do Instituto Henfil.
Antigos, mas atualíssimos. Como se verifica nas charges reproduzidas abaixo, a começar pela citada por Ivan na “Carta ao Pai“. Ela se encaixam perfeitamente bem no atual momento político brasileiro, pós golpe do impeachment. Momento, que como lembra Ivan, seria prato cheio para a crítica mordaz de Henfil.

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fernandes
24 de novembro de 2017 2:49 pmEsperança
“Tão vendo uma esperança?”
Rapaz, que saudade da Grauna, do Bode Orelana, do Zeferino, do Baixinho, Cumprido!!
Grauna, o símbolo da resistência em um tempo tão sem esperança… Quanta falta faz!!!
Anésio FOLEISS Filho
24 de novembro de 2017 3:20 pmHenfil, o mago do humor
Fui um leitor assíduo de “O Pasquim”. Henfil era obrigatório, extraordinário, criações fantásticas, profícuas de crítica social numa época de baionetas mal humoradas, sarcásticas, de fino humor sobre a alma humana e suas mazelas como essência. Henfil, talento puro, extra-corajoso em pleno regime militar, o que não era fácil, aliás, de risco acentuado por enfrentar a truculência daqueles dias sombrios. A história do regime militar não pode ser contada sem o “Fradinho” enfrentando com seu humor poderoso os “milicos” raivosos e armados até os dentes.Que falta faz, Henfil!!! Imagine Temer e seus asseclas golpistas, com Moro, STF, Gilmar, Aécio, Serra, FHC… Meu Deus, que material fantástico para o Henfil que, infelizmente, não iremos ver. Aliás, essas figuras impolutas devem estar aliviadas, pois Henfil não os perdoaria, de forma alguma.
lenita
24 de novembro de 2017 6:38 pmparabens ao Marcelo !
Por nos trazer um post tão emocionante !
Obrigado ! Me fez ficar com a música do João Bosco e Aldir na cabeça, O que é bem melhor que Moros, Temers, Cunhas, etc. etc.
Um grande abraço ! E ao filho do Henfil também.