Com a OAB e a ABI renovadas, a sociedade e o jornalismo se movimentam, por Laurindo Lalo Leal Filho

Como se vê a volta da ABI ao protagonismo político vai além do objetivo central de sua razão de ser que é a defesa da liberdade de informação. Ela é essencial, mas não basta

Na Paulista encontro da OAB com a ABI - foto Laurindo Lalo Leal Filho

Com a OAB e a ABI renovadas, a sociedade e o jornalismo se movimentam

por Laurindo Lalo Leal Filho

De um lado da Paulista, próximos às grades do Parque Trianon, duas fileiras de soldados do batalhão de choque da Polícia Militar, com seus indefectíveis escudos e cassetetes intimidavam, como sempre, os que ali passavam. Do outro lado, junto ao MASP um caminhão de som ampliava as vozes dos que discursavam contra o atual governo e suas barbaridades. No meio, com as pistas da avenida fechada para veículos, entre os manifestantes destacava-se um grupo de cerca de dez pessoas portando crachás da OAB. Eram integrantes da Comissão de Direitos Humanos da Seccional de São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil.

Dois mundos separados pela avenida. A repressão truculenta de um lado, a defesa da dignidade humana de outro. Movidos apenas pelo compromisso com essa proteção, advogados e advogadas estão presentes, de forma discreta e anônima, em quase todos atos de rua prontos para enfrentar, apenas com os seus crachás, a hostilidade e, muitas vezes, a violência policial.

Não foram poucas as vezes em que os integrantes da OAB acompanharam nas delegacias de polícia pessoas detidas nas manifestações. Foram essas presenças que evitaram arbítrios ainda maiores do que a própria detenção em si. É um trabalho voluntário e praticamente anônimo, mas imprescindível para garantir nas ruas o mínimo do Estado de direito que resta no país.

A OAB teve um papel político importante na luta contra a ditadura de 64, embora a tenha apoiado em seu início. Redimiu-se ao se integrar à luta pela redemocratização do país e, em consequência, tornou-se alvo de represálias. O episódio mais dramático resultou na morte da funcionária da entidade, Lydia Monteiro da Silva, em 1980, vítima de uma carta-bomba endereçada ao então presidente da OAB, Eduardo Seabra Fagundes.

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Hoje, em meio ao esgarçamento da ordem democrática a OAB, a semelhança do que aconteceu no passado inicialmente silenciou para depois, sob nova direção, retomar o caminho da luta contra o arbítrio. E novamente surgem as represálias. O presidente da República, agastado com as ações da Ordem em defesa das prerrogativas dos advogados, reagiu atacando a memória do pai do atual presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, vítima da ditadura anterior. E num ato despótico e inconstitucional, por violar o princípio da Carta que estabelece a impessoalidade dos atos públicos, determinou o rompimento de um contrato de prestação de serviços entre o escritório do presidente da Ordem e a Petrobras.

Parceira da OAB na defesa da democracia durante a ditadura de 64-84, ressurge na cena política brasileira a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), depois de anos de encolhimento e ostracismo. Mas não foi fácil. Foram necessárias três tentativas de eleição, entre abril e junho deste ano, para que o pleito se realizasse e a oposição vencesse, não só as duas chapas concorrentes, mas uma série de chicanas judiciais articuladas por grupos interessados manter a entidade alheia à situação política nacional.

Superada essa barreira a nova direção da ABI já mostrou a que veio. Logo depois da posse, o ato de filiação do jornalista Glenn Greenwald tornou-se um significativo momento político de repulsa às arbitrariedades que se espalham pelo país. Cerca de três mil pessoas, dentro e fora da sede da ABI, no Rio, acompanharam a solenidade e aplaudiram o jornalista estadunidense, responsável por revelar os desmandos da operação Lava Jato, destruidora de grande parte do patrimônio material e ético acumulado pelo Brasil.

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A homenagem da ABI a Gleen Greenwald não se resume à sua competência e coragem, mas também a uma forma de fazer jornalismo que vai além das simples aparências. As revelações do jornalista e de sua equipe através do site The Intercept Brasil tiveram sua autenticidade confirmada pelos veículos tradicionais que as reproduziram. A certeza da correção das informações deu-se através da verificação de que, entre as conversas apuradas, estavam as de jornalistas das próprias empresas com integrantes da Lava Jato, sem distorções. Se de um lado essa constatação foi positiva, de outro mostra a falta de um olhar mais crítico desses jornalistas diante das informações antes recebidas. Faltou a eles desconfiar das fontes que durante anos alimentaram, sem contestação, o noticiário político brasileiro.

Como se vê a volta da ABI ao protagonismo político vai além do objetivo central de sua razão de ser que é a defesa da liberdade de informação. Ela é essencial, mas não basta. É preciso vir acompanhada de um jornalismo competente, livre das amarras empresariais e políticas, capaz de ir à essência dos fatos como fez o The Intercept Brasil com a Lava Jato.

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1 comentário

  1. Todo mundo vai sintir ou experimentar o friozinho do Paraná, mais ñ dá um passo para fazer um protessto messiço para tirar Lula da prisão. Aqui de casa no computador luto todo dia por LULA LIVRE gostaria de ir para as ruas com uma faixa enorme gritando queremos Lula inteiro de volta, VIVO.
    Mais eu não sou ninguém, só quem poderá me ouvir é o meu cachorro, vejo editores de canais progressista falando do Lula PRESO, como se ele estivesse num jardim a volta de uma piscina, os canais progressistas no youtube com números expressivos para juntar uma boa quantidade de gente em frente ao STF, observe, por alto não fielmente, números de membros 450mil, 80mil, 133mil, 350mil , 100mil, 33mil, 96mil 331mil, 997MIL, etc., = (igual) a mais de uma milhão de pessoas, como esses lideres progressistas, não fazem um chamamento com dia e hora marcados (em sigilo) para irmos para as ruas. PRECISAMOS TIRAR LULA DAQUELA PRISÃO ANTES QUE SEJA TARDE DEMAIS.
    Na última entrevista que assisti foi na TVE Bahia, já estive como eu o vi, quando estava desempregada no governo FHC, ELE TROCOU PALAVRAS, ESQUECEU NOMES, NERVOSO, VISIVELMENTE MUITO, MUITO INDIGNADO, ele tem 74 (setenta e quatro anos de idade) anos de idade tem muita força, está entrevista não foi igual as outras, todos que estão com a cara para o povo, pras ruas, falam Lula isso, aquilo, e mais aquilo, a não ser Rui Costa Pimenta NÃO convocam o povo pras ruas para tirar Lula da prisão NEM QUE SEJA A FORÇA. É MEDO? Rui C. Pimenta está fazendo isso a meses.

    Quando a justiça falha é seletiva, a rebeldia do povo não pode ser condenada.

    ESCOLHI O SILÊNCIO! NÃO POR COVARDIA, MAS PORQUE APRENDI A CONFIAR NA JUSTIÇA.

    JUSTIÇA, NÃO EXISTE PARA O LULA, único
    Caminho é RUA.

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