Crônica de brincando em dia e semana chatos, por Rui Daher

Há 18 anos, atos terroristas praticados contra as Torres Gêmeas, em Nova York, e o Pentágono, em Washington D.C., mataram quase três mil pessoas.

Crônica de brincando em dia e semana chatos, por Rui Daher

Dia chato pra humanidade, este. Há 18 anos, atos terroristas praticados contra as Torres Gêmeas, em Nova York, e o Pentágono, em Washington D.C., mataram quase três mil pessoas. Alguém aqui, provavelmente, escreverá sobre isso de forma melhor.

Se a minha semana já tinha começado pesada, com as declarações do Regente Insano Primeiro, seus três príncipes, e Corte, este dia ainda me faz mais triste. Lembro, perfeitamente, de onde estava. Coincidência, cedinho no escritório da Avenida Indianópolis, São Paulo, tela do computador aberta, e as imagens começam a rolar. De prima, não entendo, depois não tirei mais os olhos dela.

Claro que o País de hoje em dia me aborrece na mesma proporção. Afinal, precisamos de apenas 15 dias para, através de assassinatos, igualar o número de mortos no atentado.

Também me irrita o comportamento do povo brasileiro, diante do terror cognitivo que emudece parcelas importantes da nação diante dos tantos descalabros dos últimos oito meses.

E a mente não para de martelar: “que cazzo vocês viram ou não viram nele”? O capitão abriu tudo. Deixou claro a que viria. O outro era pior? Nananinanã. Impossível.

Hoje, felizmente, deixo por alguns dias esta capital. Sei que me sentirei melhor. Pouco importam estradas perigosas, SUVs com poderosos rapagões colando no meu rabo, pedágios extorsivos. Deixo-os passarem. Apenas penso: filho da puta, sei em quem votou.

Compensam-me as barracas de frutas à beira da estrada, duas grandes melancias ou cinco abacaxis a dez reais, certa coxinha de mandioca e carne de costela, jeitões caipiras de conversar, os funcionários da fábrica, o cheiro de matéria orgânica, os insistentes vendedores.

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Certeza que logo esquecerei querelas políticas, intelectuais, e egos inflados, escritor menor, voluntário, e independente que sou.

Percebo que já posso começar a brincar. Não com as minhas ferinas galhofas políticas ou de costumes, mas com uma paixão. O quê? Pensaram ser a Paolla Oliveira? Infelizmente, não.

É o futebol, onde comecei Palestra, encantado com Humberto e Altafini (Mazola), e desencantado com sua torcida passei para o Santos, sem nunca abandonar o Flamengo, verdadeiro time do coração. Dá-lhe Jorge Jesus.

A FIFA divulgou a lista dos 55 melhores jogadores do ano de 2019. Tem gente boa pra … cacete. https://chuteirafc.cartacapital.com.br/confira-lista-final-da-selecao-dos-melhores-jogadores-do-mundo-premio-fifa-2019/

Como não poderia deixar de ser, a maioria joga nas principais ligas europeias. Na Premier League, 21. Na La Liga (Espanha), 20 – 11 do Real Madrid, 9 do Barça. Só aí, 41, ou 75% da nata do futebol mundial.

E o “Maior Futebol do Mundo”, como narrava o saudoso Geraldo José de Almeida (1919-1976)?

Entre os 55, temos 10. Dois são goleiros. Pouco, não? Mas se o técnico e sacristão Tite quisesse escalar um time só com eles e mais algumas revelações que jogam em canchas nacionais, eu sugeriria:

Alisson (Liverpool) ou Ederson (Manchester City) – os dois são bons;

Daniel Alves (São Paulo), Thiago Silva (PSG), Alex Sandro (Juventus) e Marcelo (Real Madrid);

Casemiro (Real Madrid), Arthur (Barcelona), Neymar Jr. (PSG);

Roberto Firmino (Liverpool).

Para completar, e que não estão na lista da FIFA, Richarlyson “Pombo” (do Everton, da Inglaterra), ao lado de Firmino, e Everton Cebolinha (do Grêmio), em fulminante meio-campo, ao lado dos marcadores volantes Casemiro e Arthur, e do gênio Neymar Jr.

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Técnico? Jorge Jesus, do Flamengo.

Vixe! Depois de brincar este texto sinto-me “A insustentável leveza do ser” (Milan Kundera, Gallimard, 1979).

 

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