Da montanha sai um rato: falha no JN, o teste de Bolsonaro e vídeo da reunião comprometedora, por Wilson Ferreira

O teste negativo do COVID-19 do presidente e a guerra semântica de versões sobre “comprometedor” conteúdo do vídeo da reunião interministerial.

Da montanha sai um rato: falha no JN, o teste de Bolsonaro e vídeo da reunião comprometedora

por Wilson Ferreira

Quanto mais crescem os números dos mortos pela pandemia COVID-19, mais se intensifica a pauta dispersiva da guerra semiótica criptografada do consórcio Governo-Justiça-Grande Mídia. Depois da simulação de polarizações e conflitos num Governo que faz oposição a si mesmo (pro-ativamente cria a própria crise antes que ela seja criada pelos inimigos), nessa semana chegamos ao estado da arte: a “meta-simulação” – o inédito “defeito técnico” na escalada do Jornal Nacional, coincidentemente no exato momento em que os âncoras começavam a falar sobre o comprometedor vídeo da reunião interministerial. “Falha” com ótimo rendimento semiótico para o jogo criptográfico que oculta as “backdoors” da Biopolítica e Necropolítica. E o show da montanha da qual sai apenas um rato continua: o teste negativo do COVID-19 do presidente e a guerra semântica de versões sobre “comprometedor” conteúdo do vídeo da reunião interministerial.

Certamente o leitor deve lembrar das sequências de atentados na Europa (Paris, Reino Unido, França, Alemanha, Suécia) entre os anos de 2015-17. Mais especificamente, no atentado em Londres em 2017 com um atropelamento em série e invasão dos jardins do Parlamento Britânico por um homem.

Na postagem desse Cinegnose sobre esse atentado (também um “não-acontecimento”, ou false flag, como os anteriores) discutíamos o elemento do “meta-terrorismo” como mais uma estratégia para ampliar a repercussão desses pseudo-acontecimentos – a propósito, aonde foram parar os malignos terroristas do ISIS?… sumiram, assim como os black blocs, com a mudança do eixo geopolítico, agora focado na operação pandemia COVID-19.

Meta-terrorismo: é uma forma de ação autoconsciente na qual, de forma deliberada, deixavam-se lacunas e ambiguidades em eventos cobertos extensivamente pela mídia. Anomalias que deixavam dúvidas (e incendiavam a imaginação conspiratória) de que as tragédias poderiam ser cenas cenograficamente montadas. Isso foi mais evidente nos atentados de Londres e Manchester – clique aqui e aqui.

Desde os estudos feitos por Gordon Allport e Leo Postman em 1947 (leia A Psicología del Rumor, Psique, 1988), o fator ambiguidade é considerado o fator mais importante na transformação de uma informação em boato ou, na atualidade, em meme. A dúvida entre a realidade e a mentira dá ainda mais alcance à notícia, produzindo uma espiral especulativa. O relato midiaticamente ambíguo do atentado se torna mais uma arma letal.

A falha técnica logo na abertura, durante a escalada, do Jornal Nacional da Globo (no exato momento em que os âncoras William Bonner e Renata Vasconcellos começavam a falar dos conteúdos comprometedores ao presidente no vídeo de uma reunião interministerial), tocou fogo no imaginário conspiratório nas redes sociais.

 

Memes circularam com uma montagem de Carluxo ou Bolsonaro pendurados numa torre sabotando a transmissão. Também, pudera: a falha da última terça-feira foi inédita. As imagens e o som foram comprometidos, cortando trechos das falas dos jornalistas. Por isso, a transmissão da escalada foi interrompida e Renata Vasconcellos voltou afirmando que houve uma falha técnica e que, por conta dela, não seria possível exibir a escalada completa. 

Depois de aproximadamente meia hora de exibição do jornal, William Bonner explicou que a escalada é gravada todos os dias “uns dez minutos antes de entrar no ar”, mas que nesta terça-feira, excepcionalmente, houve algum problema na transmissão.

 

 

Uma falha técnica cheia de significados

Fosse num outro contexto, a suposta falha técnica passaria despercebida e entraria para os “causos” da história da TV. Porém, estamos em pleno contexto de guerra semiótica criptografada: o consórcio Política-Judiciário-Grande Mídia põe diariamente em ação uma pauta dispersiva, embaralha informações, para ocultar a principal causa da letalidade do COVID-19: a agenda político-econômica neoliberal biopolítica e necropolítica, patrocinada pelo consórcio que atende a três objetivos (“backdoors”): injeção de dinheiro público no sistema financeiro para violenta concentração de riqueza; domínio do espectro político e reengenharia social pela necropolítica – eugenia e controle populacional.

A inédita “falha técnica” do JN contém tantos elementos de ambiguidade que faz lembrar uma velha máxima: em política não existem coincidências, mas sincronismos:

(a) de todas as notícias da escalada, a falha ocorreu EXATAMENTE na notícia mais quente do dia: os depoimentos de ministros e delegados da PF e o conteúdo do vídeo da reunião que definitivamente comprometeriam o presidente;

(b) esteticamente a falha remeteu a imagerie de peças ficcionais como a série dos anos 1980 Max Hedroom, do quadro do Fantástico “Isso a Globo Não Mostra” ou dos vídeos conspiratórios do Anonymous – a estética do hackeamento de uma transmissão televisava. Para incendiar a imaginação conspiratória;

(c) a falha não foi uma “derrubada” total da transmissão: convenientemente deixa que entendamos o conteúdo que está sendo ocultado, algo como o som “piiiiii” que retira palavrões de um áudio. Parece que lacunas são propositalmente deixadas para que nossa imaginação as preencha – algo como a lei mental de “fechamento” da psicologia Gestalt.

Assim como o “meta-terrorismo” na escalada dos não-acontecimentos dos atentados na Europa, teríamos aqui uma “meta-simulação”. Para quê? Para a grande mídia ocultar o seu ativo papel na guerra criptografada desse consórcio que quer se eximir da responsabilidade da crise sócio-econômica da pandemia.

Ao participar da guerra criptografada de informações, a grande mídia simula ser oposição ferrenha ao “malvado favorito” Bolsonaro. A meta-simulação criaria a percepção da grande mídia, em particular a Globo, como vítima de alguma conspiração. Claro! Jamais o JN admitiria isso… é excessivamente “teoria conspiratória”. Mas, lembrem, guerra criptografada é uma questão de manipulação de percepções a partir de informações contraditórias e paradoxos.

Seria a Globo vítima de ataques da extrema-direita? No momento em que ela “ataca” o presidente?

 

Bolsonaro na rampa, jornalistas lá embaixo: retórica visual 

A montanha está parindo um rato

Quanto mais intensifica a escalada de mortos da pandemia (que o jornalismo no álcool em gel trata de forma genérica, sem detalhar o corte socio-econômico das vítimas), mais a pauta dispersiva se intensifica e maior é a participação da grande mídia no show.

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