Deflação, obaaa! Só que não!, por Albertino Ribeiro

Assim como a inflação alta prejudica a economia, sendo a consequência mais conhecida a redução do poder de compra dos brasileiros, a deflação também é um sintoma de que algo vai muito mal.

Deflação, obaaa! Só que não!, por Albertino Ribeiro

Segundo o IBGE, a inflação oficial, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), registrou queda de 0,04% (deflação) em setembro. É o menor valor para o mês desde 1998, quando ficou em baixa de 0,22%. No mês de agosto de 2019, a taxa tinha apresentado alta de 0,11%. Em setembro do ano passado, o IPCA cresceu 0,48%.

Vou explicar o problema da deflação utilizando uma metáfora de algo bem comum ao ser humano que é a febre. Perdoe-me, caro leitor, se eu abusar das metáforas. Digo isso porque hoje em dia o nosso presidente tem usado muito a palavra cocô para explicar as coisas do dia a dia.

A febre é um sinal de que existe algo de errado em nosso organismo. Quando o termômetro ultrapassa os 37,8 graus, é necessário tomarmos um antitérmico e repousar. Por seu turno, a temperatura do nosso corpo não deve ficar abaixo de 35 graus porque o organismo vai para outro extremo perigoso chamado hipotermia. Destarte, variações muito fora da temperatura central oferecem riscos para saúde.

Da mesma forma, assim como a inflação alta prejudica a economia, sendo a consequência mais conhecida a redução do poder de compra dos brasileiros, a deflação também é um sintoma de que algo vai muito mal.

Vou explicar a relação acima usando o conceito da curva de Phillips. Embora este conceito já tenha sido aperfeiçoado por Milton Friedman, ele é mais fácil de ser compreendido e satisfaz à finalidade deste artigo. Segundo a referida curva, existe uma relação inversa entre inflação e desemprego Quanto menor a inflação, maior será o desemprego.

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A Inflação não deixa de ser um indicador de que a economia está aquecida, pois a demanda pressiona a oferta de bens e serviços. Destarte, se por um lado os bens e serviços ficam mais baratos, por outro, é sinal que as empresas estão com dificuldades para vender seus produtos devido a baixa procura. E, como numa equação simples, sem demanda as empresas tendem a demitir aumentando o desemprego.

Dessa forma, a deflação não deveria provocar nos euforia, mas causar arrepios. Só para voltar a nossa metáfora, por coincidência, arrepios é um dos sintomas da hipotermia, tá?

O que está acontecendo? A atividade econômica brasileira continua estagnada, porém o dr. responsável pelo seu bem estar formou-se numa escola que não gosta de prescrever remédios para dar-lhe estímulo.

Segundo a escola de Chicago, a economia tem que esperar por um mecanismo de ajuste automático, isto é, quando o desemprego está alto ocorre a redução do valor da mão de obra e esta redução vai estimular os empresários a contratar. Assim, a economia irá se recuperar lentamente.

Mas até quando devemos esperar?

Isso me faz lembrar do heterodoxo dr. Keynes, aquele que gostava de prescrever bons remédios:

“No longo prazo estaremos todos mortos”.

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