Existe inflação virtuosa?, por André Motta Araújo

Um período inflacionário é uma ferramenta para um objetivo maior, o CRESCIMENTO, mas deve ter duração no tempo. Os Estados Unidos são peritos nesse processo, souberam conviver com ciclos alternados de inflação e contração

Existe inflação virtuosa?

por André Motta Araújo

Inflação e deflação são fenômenos monetários neutros, podem ser bons ou maus, conforme as circunstâncias. Por vezes um processo inflacionário é requisito para tirar um Pais da depressão. É o que o Banco do Japão tentou desesperadamente quando enfrentava um perigo muito maior que a inflação, a DEFLAÇÃO, processo de paralisia da economia que é acompanhada de desemprego, estagnação, concentração de renda, crise política e social.

A inflação tem métodos de enfrentamento bem conhecidos a partir do Plano Schacht de 1923, no qual foi baseado o Plano Real, uma cópia do plano alemão.

Mas a deflação é muito mais difícil de curar e suas consequências muito piores que a inflação. Um País pode conviver com uma inflação controlada por certo período, como o Brasil conseguiu entre 1950 e 1980, com um alto crescimento econômico e praticamente sem desemprego, novas fabricas a cada mês, um País próspero e com clima de otimismo econômico. MAS é preciso um eficiente comando da economia para guiar o processo. A perda desse controle leva à hiperinflação, que é ineficiente e anula as vantagens anteriores. Foi o que aconteceu no Brasil na segunda metade da década de 80.

Um período inflacionário é uma ferramenta para um objetivo maior, o CRESCIMENTO, mas deve ter duração no tempo. Os Estados Unidos são peritos nesse processo, souberam conviver com ciclos alternados de inflação e contração, já tiveram taxa básica de juros de 20% (Abril de 1984) para frear inflação, um DÓLAR de 1945 vale hoje 14,20 dólares, uma inflação de 1.319%, eles convivem com inflação e choques monetários, como o abandono do lastro ouro, sem traumas.

MITOS DA INFLAÇÃO

  1. A INFLAÇÃO PREJUDICA OS MAIS POBRES – Mito comumente divulgado por “economistas de mercado” e seus porta vozes na mídia econômica (especialmente Miriam Leitão) é uma INVERDADE. Os pobres são muito mais inteligentes do que esses proclamados gênios neoliberais imaginam e sabem perfeitamente se defender da inflação através de imediata aplicação de seu salário na “compra do mês” no dia em que tem dinheiro disponível, o que sobra vai para compra de material de construção, geladeira, fogão, TVs. Pobres não guardam dinheiro que desvaloriza embaixo do colchão. A imensa maioria dos operários nas décadas prosperas de 1950 a 1980 compraram seus lotes na periferia e construíram suas casas em sistema de mutirão em tempos de inflação.
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2.A INFLAÇÃO DESORGANIZA A ECONOMIA – Não há economia mais desorganizada do que a ATUAL economia brasileira que, a pretexto de colocar inflação na meta, mantém 1/3 da população economicamente ativa desempregada, subempregada, desalentada ou vivendo de bicos. Organização da economia não é apenas a do Banco Central, é muito mais a da população rumo à miséria sem nenhuma perspectiva de futuro, especialmente os jovens, é  a maxi-desorganização, aquela que não sai no Boletim FOCUS mas que significa o caos pela falta de projetos, de agenda, de plano econômico real.

3.RISCO DE INFLAÇÃO NÃO SIGNIFICA NECESSARIAMENTE INFLAÇÃO – O Banco do Japão fez de tudo para provocar inflação e não conseguiu. Injetou monumentais quantidades de dinheiro na economia produtiva comprando bônus, debentures e ações de empresas industriais japonesas, tem ações de mais de 400 companhias e a inflação não veio. Se o Banco Central brasileiro injetar R$2 trilhões da economia no espaço de 4 anos é possível que não aconteça nenhuma inflação, dada a capacidade ociosa no emprego e nos ativos produtivos já existentes, MAS é preciso correr o risco de inflação ABOLINDO essa absurda tolice de meta de inflação, que não existe no Japão. Para um país em recessão há 5 anos, a meta deve ser o CRESCIMENTO, como tem o Banco Central da China. Inflação é um dado, NÃO é um objetivo de política econômica, que deve ser  a prosperidade para toda a população.

4.ESTABILIDADE NÃO É UM FIM, É UM MEIO – Na atual recessão que já dura cinco anos, até sólidos “economistas de mercado” estão propondo que o Banco Central reduza a taxa Selic mas de suas catacumbas vem a resposta: Não vamos reduzir porque precisamos “manter a credibilidade”. MANTER PARA QUEM? Quem deve acreditar no que?

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CREDIBILIDADE NÃO É UM OBJETIVO, é uma ferramenta para se chegar a algo concreto, por exemplo, crescimento. Manter a credibilidade para os especuladores do “carry over”?  Para os que pretendem aplicar na economia produtiva não há credibilidade para investir em um clima de recessão permanente. Essa “credibilidade” de opereta é uma desculpa do Banco Central para a preguiça, não fazer nada, ficar parado.

O Banco Popular da China, que é o banco central chinês, tem pouca credibilidade para os especuladores de Nova York porque manipula o câmbio com objetivos nacionais de comércio exterior, dá rasteiras no mercado, MAS puxa o crescimento chinês com uma constância impressionante.

Uma das armas de um banco central é a capacidade de SURPRRENDER O MERCADO guardando suas cartas para manter o controle da moeda.

A previsibilidade de um banco central é defeito e não virtude, permite aos especuladores não correr riscos, o que opera contra o País.

Mas se o BC do Brasil investiu tanto na CREDIBILIDADE, qual a vantagem auferida por essa performance nos últimos cinco anos? A resposta é ZERO.

A tal CREDIBILIDADE não resultou em nada de vantagem para o Brasil. Não atraiu investimentos em capacidade produtiva ou infraestrutura, que é o que o Brasil precisa. Investimento em renda fixa ou em compra de empresas não agrega PIB novo, pode até ter efeito contrário. Quando uma multinacional compra uma empresa brasileira, o antigo dono geralmente aplica o valor da venda no exterior, o investimento entra por uma porta e sai por outra mas agora aumenta a base de capital estrangeiro no País para efeito de remessa futura de lucro, fica pior que antes, o País perde e nada ganha.

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UM BANCO CENTRAL A SERVIÇO DO ESTRANGEIRO

O Banco Central do Brasil a partir de sua captura pelo “mercado” em 1994 não produziu mais resultados para o Brasil, opera em função de Nova York.

A partir de 1994 o comando do Banco Central é preenchido por indicados pelo mercado com nomes criados no mercado e sem nenhum compromisso com o País. Os compromissos são com o mercado de onde vem e para onde voltam, não entra nenhum economista sem vinculação com o mercado.

Esse é, a meu ver, o MAIOR BLOQUEIO PARA O CRESCIMENTO DO PAÍS. Ou se muda a cultura dessa Instituição ou se a extingue, incorporando ao Banco do Brasil, de onde saiu em 1966. As funções de autoridade monetária eram até então exercidas pelo BANCO DO BRASIL através da SUMOC – Superintendência da Moeda e do Crédito, a serviço do País e não dos “mercados”, um histórico de sucesso e não um rosário de fracassos que é a tragédia do BC brasileiro.

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23 comentários

  1. Alegar que existe inflação virtuosa é tão ‘salutar’ quanto anuir à ponderação de Henry Kissinger sobre a VERDADE ” “IT IS NOT A MATTER OF WHAT IS TRUE THAT COUNTS,” https://nationalvanguard.org/2019/06/debunking-d-day-myths-an-omnibus/ “BUT A MATTER OF WHAT IS PERCEIVED TO BE TRUE”

    Mesmo sofisma, convenceu o mundo a salvar a ideologia anticristã, genocida e escravagista o comunismo https://europeansworldwide.files.wordpress.com/2019/04/poland-to-stalin-1.jpg

    A civilização cristã AINDA pode sobreviver se este livro for lido e sua mensagem for amplamente divulgada.” http://antimatrix.org/Convert/Books/Spiridovich/Secret_World_Government/Secret_World_Government_Spiridovich.htm

    A história é dirigida pelo projeto de Deus, projeto sempre voltado para a liberdade e a vida. O destino de uma sociedade depende sempre da atitude que ela toma diante deste projeto: ou terá liberdade e vida ou produzirá escravidão e morte.

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  2. Quando se deu o conflito estrutural entre o novo mundo e o feudalismo, Descartes dizia, em contraposição ao imbróglio mental criado pela escolástica, que a realidade era simples. Discutir o economicismo com as suas categorias não dá mais certo, não chega a nada. Os economistas sempre defenderam uma história contra o povo. Agora, então, essa coisa é escandalosa.
    Podemos dizer, nós também, que a realidade atual é simples: eu a resumiria numa banalidade: Farinha muita, pirão pra todos.
    Segundo Jean Ziegler, a produção mundial de alimentos é capaz de alimentar 12 bilhões de pessoas. Um amigo me dizia: “alguém tá comendo meu feijão!”
    É isso.

  3. “Uma das armas de um banco central é a capacidade de SURPRRENDER O MERCADO guardando suas cartas para manter o controle da moeda.”

    Não rola, por óbvias razões.

    O mercado usa a sua subsidiária – o Banco Central do Brasil – para cabo às suas (operações) “casadinhas” Zé com Zé: O Zé da Faria Lima/Ataúfo de Paiva combinando, via Focus, com o
    Zé “parça” do Bacen os drivers dos juros futuros do próximo mês.

    Enquanto não implodir essa tunguete à céu aberto, sob o beneplácito da CVM (para qual escritório de Direito Societário vocês imaginam que vêm e vão os diretores nomeados dessa autarquia?), não haverá o desmonte do regime de metas, o “pilar” dessa jogatina que assombra o destino econômico do país há décadas. Enquanto isso, desenvolvimento, produção e emprego continuam sendo termos abjetos a essa trupe, os mesmo que se internacionalizam posteriormente ou via Miami ou por meio dessas Brazilian Chamber of Commerce da vida em Nova Iorque.

  4. Caro André Araújo, o Brasil cresceu nos anos 50-79 não por causa da inflação, mas apesar dela. Quando há inflação, uns grupos ganham e outros perdem, por exemplo, gerar inflação pra pagar o funcionalismo, nesse caso o salário MÉDIO do pobre vai, preços sobem mais do que os reajustes, nada a ver com receber o salário e ir na quitanda comprar itens básicos. Recomendação, não escreva sobre assuntos sobre os quais não domina.

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    • O Brasil cresceu nesse periodo puxado por INVESTIMENTOS PUBLICOS, financiados por emissão de moeda, o que causou inflação. INFLAÇÃO foi efeito e não causado crescimento.

      • Errado, na sua premissa o Brasil cresceu por causa do aumento de gastos de público, o que está diretamente ligado a inflação, a inflação assim não é efeito e sim CAUSA. E vamos lembrar que inflação tem o significado de transferência de renda de um grupo para outro, em todos os países onde há inflação os assalariados em geral ficam mais pobres (o salário médio cai, pois os preços sobem mais do que o reajuste de salários. NADA A VER a ideia de que o pobre se defende da inflação comprando imediatamente a sua cesta de produtos, o salário MÉDIO REAL dele cai quando a inflação aumenta). A inflação que os Estados Unidos toleram para crescer é de no máximo 2 a 3%, NADA A VER com as taxas brasileiras históricas da época do milagre econômico. Em NENHUM país taxas históricas de inflação alta acompanharam desenvolvimento econômico sustentado (podemos observar a América Latina, em especial Argentina e Brasil). O Japão tenta perseguir uma meta informal de 1 ou 2% de inflação, mas questões demográficas e culturais dificultam. Repito, André, escreva sobre assuntos que domina, macroeconomia não é um deles.

        • Não compartilho com a ideia de que economia é uma ciencia fechada, só para iniciados. Pela sua visão só PHD em macroeconomia pode falar sobre politica economica. Economia não é ciencia exata, faz parte do vasto
          campo das ciencias humanas e é aberta para debate para toda a população que é atingida em suas vidas pela politica economica.
          A tentativa de fechar o debate sobre economia só para especialistas é velho truque que tem um carater ideologico de proteção de interesses. De qualquer modo tenho meus livros para venda no catalogo das universidades de Stanford, Georgetown e mais 14 ,
          alem de estarem há muitos anos no catalogo da Amazon e das principais livrarias brasileiras, não sou economista profissional,
          escrevo sobre historia economica como parte da historia geral.

  5. O Japão tem sistema oficial de metas de inflação e a meta atual é de 2% ao ano.

    Aliás, todos os países do BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul; bem como EUA, Japão, Canadá, Colômbia, Chile, Argentina, Uruguai, Peru, União Europeia, Reino Unido, Austrália, Coreia do Sul, etc., possuem sistema e metas de inflação.

    Sistema este, é bom recordar, que começou a ser implementado na Nova Zelândia em dezembro de 1989. Se o sistema de metas de inflação é bom ou ruim é um outro debate; mas certamente esse sistema está muito longe de ser uma novidade ou uma jabuticaba de Pindorama.

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  6. Tenho 45 anos. Espero um dia viver num país com crescimento e inflação civilizada ao mesmo tempo. Lógico que se tiver que escolher inflação alta-crescimento e inflacão baixa-recessao escolho o primero par. Mas não devemos esquecer que a inflação dos anos 50 a 90 ajudou em muito a criar a concentração de renda do pais. Vivi quando crianca a descrição das compras do mês feita num dia ( um inferno – a compra era trazida no outro dia pois o supermercado não dava conta das entregas) A construção da casa na periferia de sao paulo ( e hoje ha maus e mais bairros que crescem em torno de bairros perifericos ) obrigava minha mãe a comprar roupa pros filhos quase uma vez só por ano pois quase tudo que meu pai ganhava era sugado na construcao. Sim, o dinheiro ganho tinha que virar logo algo palpável pois não tínhamos acesso ao sistema bancário pra proteger a renda da inflação. O que isso resultou é que quase todas as famílias da periferia dessa época tem pouco dinheiro no banco para enfrentar os custos da velhice tendo uma aposentadoria corroída pelo fator previdenciário de Fhc e tendo como único patrimônio uma casa até bem acabada mas que por estar na periferia fica desvalorizada.

  7. Juro que – num momento político como o atual – lí o título/assunto deste artigo do André como as receitas de bolo no tempo da ditadura.
    Falar sobre inflação ??? Algum problema em abordar “articulação com os americanos” ??

  8. O banco central dos EUA, o Federal Reserve System tem DOIS objetivos na lei que o criou em 1913;
    ESTABILIDADE MONETARIA e PLENO EMPREGO. Conseguir SÓ manter a inflação na meta não é dificil,
    basta restringir o crédito por juros altos e com isso provocar recessão e estagnação, sem poder de compra os preços não sobem, o DIFICIL é manter a estabilidade com EMPREGO. O nosso banco central nem quer ouvir falar do segundo objetivo, o EMPREGO, isso eles não copiam do FED.

    • Mais um erro, André. O FED busca o objetivo do “pleno emprego” desde que as taxa de inflação não esteja acima de 2 a 3%.. Um BC não tem o poder de buscar o plano emprego, quem pode proporcioná-lo são instituições sólidas, educação básica de qualidade, ciência e inovação, NADA DISSO depende do BC ou do FED.

  9. O Prof. Ha-Joon Chang da Faculdade de Economia da Universidade de Cambridge, escreveu um livro de economia indispensável ao público leigo – categoria à qual pertenço – ou àquele nem tão leigo assim. Trata-se de “23 things they don’t tell you about capitalism”, que se propõe a desmistificar alguns paradigmas econômicos neoliberais, dentre eles, o caráter ideológico do livre mercado. Segundo Chang o pacote de políticas neoliberais enfatiza menor inflação, maior mobilidade de capital e maior insegurança no trabalho (eufemisticamente chamada de flexibilidade do mercado de trabalho), essencialmente porque satisfaz os interesses dos que possuem ativos financeiros. A inflação é destacada porque os juros de muitos desses ativos são nominalmente fixados, de modo que a inflação reduz o ganho real desses investimentos. A maior mobilidade de capital é promovida porque, do ponto de vista dos investidores financeiros, isso permite mover o capital para onde ele rende mais. Ou seja, o controle da inflação faz parte desse pacote de medidas econômicas neoliberais e tem por objetivo beneficiar financistas ao custo do crescimento econômico e felicidade humana.

  10. Um país tem duas escolhas para “produzir” dinheiro que é a “emissão de títulos da dívida pública”, dívida, ou a “emissão de papel moeda”. Está claro que o “desejo do mercado” é sempre a emissão de títulos públicos, para isto eles colocam os seus “economistas” no Banco Central, no Ministério da Economia etc. O objetivo é claramente fazer o país se endividar e pagar juros escorchantes, muito acima da inflação e da taxa de crescimento do pais. Como os Títulos em sua grande maioria vão ficar com os setores mais ricos da economia, temos uma enorme concentração de renda, que aumenta mais ainda, pois se cobrará uma enorme quantidade de tributos para pagar juros, com isto o Brasil cobra cada vez mais tributos e tem cada vez menos serviços para as populações necessitadas. Entre classe média e ricos temos no máximo 30 milhões de pessoas, os outros 180 milhões são pobres ou indigentes. O Governo agora quer destruir a Previdência Atual e entregar a futura para os Bancos, os que são pobres se tornarão indigentes ou semiescravos. Tudo isto pela escolha de 1994 (Plano Real) de trocar emissão de papel moeda por títulos da dívida pública. Realmente se tem menos inflação pois a economia está sempre em um processo semi-recessivo ou recessivo, o máximo que a economia faz é um “voo de galinha”, só que isto não cria empregos, não dá condições de cuidar da saúde, educação, previdência e segurança pública, empobrece o país e concentra renda. Temos hoje uma demanda reprimida de pelo menos 40%, ou seja, a indústria o comércio e os serviços estão trabalhando com 60% da sua capacidade. É o resultado da metodologia de “produzir defict fiscal” e por consequência emitir títulos da dívida “enxuga” os recursos dos mais pobres.

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