22 de junho de 2026

Freixo e Boulos vêm aí, por Gustavo Conde

Na política, nada nunca é definitivo - essa é uma de suas essências (e é algo bom, antes que alguém se queixe).

Freixo e Boulos vêm aí

por Gustavo Conde

A eleições no Rio e em São Paulo se tornaram um verdadeiro xadrez.

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No Rio, com Eduardo Paes sendo atacado pelo judiciário bolsonarista, abriu-se um flanco do tamanho do Maracanã.

É isso que faz Marcelo Freixo voltar ao tabuleiro – e voltar de maneira apoteótica.

Na política, nada nunca é definitivo – essa é uma de suas essências (e é algo bom, antes que alguém se queixe).

Em São Paulo, por sua vez, Boulos surpreende.

Quem imaginaria uma chapa puro-sangue do Psol angariando 13% de intenção de voto no maior colégio eleitoral do país a dois meses das eleições?

É preciso olhar para este cenário com carinho – e com inteligência, se possível.

O primeiro comentário a se fazer é: o cansaço natural que a extrema-direita vai se impondo a si mesma tem como consequência um fenômeno quase rústico de tão evidente: a esquerda cresce.

Mas não qualquer esquerda.

O Psol e sobretudo Boulos atendem a essa demanda político-cognitiva: o eleitor quer algo novo e o “algo novo” neste momento específico é o dirigente nacional do MTST.

Os eleitores exaustos da mesmice e ávidos por um pouco de ‘doçura democrática’ começam a avançar em Boulos como formigas em direção ao açucareiro.

É, por assim, dizer, irresistível.

E, detalhe: Boulos cresce “apesar” do apoio sempre oportunista, rarefeito e auto bajulatório das “elites intelectuais” antipetistas – o apoio das “elites intelectuais” a Boulos seria um ônus, caso fosse significativo.

O que interessa, tecnicamente, é o deslocamento de intenção de voto real e popular que pode ser constatado na última pesquisa de opinião realizada pelo El País.

O que fazer com isso, peguntaria o militante entusiasmado ainda traumatizado pelo golpe e confuso com a péssima qualidade da nossa produção de informação e debate?

O primeiro movimento-clichê mais estúpido, reativo, espasmódico e impulsivo é dizer: “é preciso a união das esquerdas”.

A gente ri para não debulhar em prantos.

Para ainda não falar do Rio, eu prossigo codificando a realidade eleitoral paulista assim: se o PT apoiar Boulos agora, ele mata a candidatura Boulos. O amor dos intelectuais pela chapa Boulos-Erundina acabaria instantaneamente – ainda que isso fosse irrelevante.

Mas a tolerância das elites ‘jornalísticas’ e financeiras a Boulos como o elemento anti-PT cairia por terra.

Concluir-se-ia, portanto, que a candidatura de Jilmar Tatto é importante, inclusive, para manter viva a candidatura Boulos.

Mas a julgar pela ejaculação precoce ideológica de muitos analistas progressistas e pelas complexidades embutidas em todo o cenário nacional e judicial neste momento, seria pedir demais uma decisão inteligente dos dirigentes partidários progressistas.

A ansiedade destes faz parte do problema a ser enfrentado e é um dado posto, não um vetor de resolução e deliberação.

A burocracia partidária envelheceu demais e – pasmem – infantilizou-se a mesma proporção. O fígado tem sido o elemento protagonista nessas ocasiões, sobretudo porque dirigentes enraizados se levam muito a sério e acreditam nos pressupostos patrocinados das mídias corporativas e não corporativas.

O que fazer, perguntaria uma reencarnação zombeteira de Lênin?

Eu respondo: tumultuar.

A direita está tão perdida quanto a esquerda.

É mais simples os progressistas confundi-los do que propriamente pressioná-los com racionalidade gasta.

Aliás, é isso o que a direita tem feito conosco (que acreditamos ser democráticos): nos confundido.

E com extrema competência – até por não é necessária tanta competência assim para confundir alguém.

O único ente político capaz de entender essas complexidades técnicas e encarar as artimanhas múltiplas da sociedade brasileira é ‘ele’ – não preciso dizer o nome.

Quando ‘ele’ se debruçar sobre estas duas novas complexidades eleitorais (Boulos e Freixo), teremos um parecer digno de atenção.

Fora isso, estamos em uma areia movediça minada – sic: temos tudo para vencer duas eleições nos dois maiores colégios eleitorais do país na mesma proporção em que nossos desejos reprimidos anseiam por colocar tudo a perder e a cair nos vitimismos pós eleitorais, quase um vício nas trincheiras progressistas de turno.

O sistema morre de medo do PT (do povo). Alianças prévias e coordenações devem ser feitas com extrema prudência e atenção.

Em outras palavras: eleições não se decidem mais com decisões solitárias, impressionistas ou colegiadas em curraizinhos burocráticos. É preciso ciência. Técnica. Trabalho de análise de cenários aplicada, não de achismos calcados em movimentos-manada de redes e de mídias alternativas palanqueiras.

É preciso avaliar cenários com profissionais da comunicação, não com a velharia publicitária que ainda não desmamou do conforto que é trabalhar com políticos idealistas e narcisistas.

A chance de a esquerda vencer no Rio e em São Paulo é gigantesca e quase irresistível.

Convém não desperdiçar essa chance com as discussões emboloradas de “união das esquerdas”. Quem gosta da “união das esquerdas” é a direita – porque aí fica mais fácil criminalizá-las: criminaliza-se todas juntas.

Fica o recado (se é que me entenderam).

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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5 Comentários
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  1. Nelo de Carvalho

    12 de setembro de 2020 4:58 pm

    Se entendi desse texto, estão querendo me dizer que o PT está tão diabolizado que não convém fazer aliança com nenhum partido de esquerda, senão vai queimar todo mundo?

    Não gostei muito dessa sugestão!

  2. André M.

    12 de setembro de 2020 6:23 pm

    Gustavo Conde é o colunista mais arrogante e pretensioso da história da internet. “Se é que me entenderam”, “ejaculação precoce dos analistas”… bom, o cara é linguista e tem coluna no 247. Quer dar lição de moral para quem? O GGN podia pelo menos dar espaço para gente um pouco mais educada.

  3. Renato Cruz

    12 de setembro de 2020 7:18 pm

    É uma vergonha um artigo desse nível num blog tão sério.

  4. Paulo Dantas

    12 de setembro de 2020 8:01 pm

    Freixo , não me culpe , tem um rejeição monstro no Rio , classe média e religiosos.

  5. Flavio Martins e Nascimento

    13 de setembro de 2020 9:45 am

    Tão ou mais importante que prefeitos: Vereadores.

    Tá na hora de começar a prestar atenção a quem queremos nas câmaras.

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