Governo Bolsonaro entra definitivamente no seu inferno astral, por Luis Nassif

Junto à população e às empresas, aumento da agonia com a crise econômica e a sanitária. Em Brasília, a guerra das instituições

Tem-se o seguinte quadro pela frente:

1. Crescimento exponencial das notificações e óbitos do coronavirus

Aqui, uma tabela simples extrapolando os dados dos últimos trinta dias para os próximos 30. Esses são estão subestimados, porque não levam em conta a subnotificação, nem o crescimento da curva. Na melhor das hipóteses, haveria dez vezes mais óbitos acumulados do que os de hoje.

2. Acirramento dos conflitos com o Supremo Tribunal Federal (STF).

O Ministro Celso de Mello deu cinco dias de prazo para o ex-Ministro Sérgio Moro entregar as provas de que afirma ter, sobre interferências de Jair Bolsonaro na Polícia Federal. Moro ficou de apresentar outras irregularidades. Corre um risco: explicar porque nunca atuou contra elas, enquanto esteve Ministro. De qualquer modo, a decisão do Ministro Alexandre Morais de impedir a posse do novo diretor-geral da PF e, depois, as críticas de Bolsonaro e a reação de instituições e membros do Poder Judiciário, colocam a relação entre os dois poderes em ponto de fervura.

3. Ameaças expressas no relacionamento com o maior parceiro comercial brasileiro, a China.

Dias atrás surgiu a informação de que a China estaria buscando diversificar a compra de soja do Brasil. Hoje em dia, a China adquire 40% da produção agrícola brasileira. A instabilidade decorre da impossibilidade de avaliar o comportamento futuro do governo Bolsonaro, em função da irracionalidade absoluta do Ministro das Relações Exteriores, das interferências ideológicas dos filhos e de vários outros ministros. As extravagâncias dos setores terraplanistas do governo têm custo alto.

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4. Dificuldades operacionais do Grupo de Trabalho.

A incapacidade operacional do governo para enfrentar a pandemia ficou claro na dificuldade invencível da área econômica em fazer chegar na ponta dinheiro para pequenas e médias empresas, da área social em fazer chegar o bônus nas mãos das populações vulneráveis e da Saúde em distribuir equipamentos para governos estaduais.

  1. Aprofundamento dramático da recessão.

Os últimos indicadores de desemprego captaram apenas um mês de pandemia, março. Os próximos indicadores mostrarão um quadro dramático de aumento de desemprego e de fechamento de estabelecimentos comerciais e industriais. A tentativa tímida de iniciar um programa anticíclico – o tal Pró-Brasil – parou na intransigência do Ministro da Economia Paulo Guedes em sancionar os investimentos necessários.

Guedes continua preso à fantasia do déficit público e da dívida pública, remando contra todos os grandes economistas mundiais que aconselham a emissão de moeda, Antes de ontem, uma entrevista da TV GGN – com os economistas André Roncaglia e Fábio Torres – estimulou um grupo de economistas a assinar uma nota conjunta em defesa da emissão monetária. Em depoimento no Senado, Guedes admitiu que emissões não são inflacionárias, no quadro atual da economia. Pareceu muito mais um jogo retórico que não resultará em ações concretas.

Tem-se aí, então, o mapa completo para agravamento da crise. Junto à população e às empresas, aumento da agonia com a crise econômica e a sanitária. Em Brasilia, a guerra das instituições. No Alvorada, um presidente sem a menor noção do que está ocorrendo, e sempre propenso a criar conflitos em cima de conflitos. No Supremo, bala na agulha de Celso de Mello para iniciar uma denúncia criminal. No Rio de Janeiro, o Ministério Público Estadual avançando com as investigações sobre as rachadinhas, e o Federal com a Operação Furna da Onça.

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O governo Bolsonaro atravessará o momento mais dramático de sua gestão tendo no comando uma pessoa atarantada, sem nenhuma visão tática ou estratégica, disposto a continuar fazendo barulho.

É hora do mercado começar a buscar operações defensivas.

 

 

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15 comentários

  1. Sobre o Guedes: TEM O TOTAL APOIO DA ORGANIZAÇÕES GLOBO. O único oráculo visto pelos aynrandistas, e que nem as correções já feitas, algumas delas há duas décadas como por exemplo Alan Greespan (fiel discípulo de Ayn Rand), entre outros fiéis, os demove da loucura.
    QUANDO O AQUÁRIO DA GLOBO mudar de nota, Guedes muda também.
    Depois de tudo arrasado.

  2. A justiça deu cinco dias para o Moro prova suas denúncias sobre interferências de Jair Bolsonaro na Polícia Federal. Moro ficou de apresentar outras irregularidades. Corre um risco: explicar porque nunca atuou contra elas, enquanto esteve Ministro.

    E se o Moro não estofar com materialidade a sua denúncia, ele ter movimentado a máquina pública leviana, de má fé. Isso vai ficar de graça?
    E a exigência da pensão? Vai se explicar? O Bolsonaro não negou a pensão. Quem não nega, afirma.
    Se o Bolsonaro prometeu, o Cabo Heleno também não negou que testemunhou o esquema, ele vai acumular mais essa impunidade?
    Tô com uma fome de rachar. Imagine que acabou de passar uma brisa, com um cheiro de pizza e suco de maracujá pra despertar a insônia. Vai acabar em pizza mas eu vou continuar com fome

  3. No inferno astral tá é quem vai morrer à míngua, ceifado pelo Corona, a quem o Bolsa de Bosta quer nos expor, em vez de combatê-lo.

  4. Saída pelo aeroporto mais próximo.
    Tudo caminha para uma saída rápida, nem política, nem judiciária, já que o processo penal não tem julgamento a revelia.
    precisamos considerar esta possibilidade, o cerco vai se fechando, no STF e no Rio de janeiro.

  5. Só cai quando a popularidade despencar à próximo de 10%. Ela já começou a cair, mas Bolsonaro ainda tem força entre os pobres precarizados que se veem como empreendendores, por conta de seu discurso de volta ao trabalho; e principalmente entre os delirantes evangélicos, que serão os últimos a abandonarem o mito.

    Mas Nassif, caindo Bolsonaro e assumindo Mourão, provavelmente haverá um governo mais racional de administração de crise que evitará muitas mortes. Mas o Brasil que sair da epidemia quase certamente será, em 2022, um caos econômico e social.

    E os fascistas prosperam no caos.

    E o movimento fascista está muito forte ainda no país. É bom ficar de olhos em Moro e nos lavajatistas e observar se vão aparecer outros líderes fascistas, estilo Datena etc. As pessoas estão muito raivosas, não confiam em nenhuma instituição e querem sangue. Um ambiente fértil para o fascismo e sua vontade de destruição pela destruição.

  6. O sujeito que ocupa a cadeira de presidente da república tem toda a aparência de tudo que é dito dele: Fascista,misógino,racista etc,etc.
    Agora,o burro,que tanto lhe imputam parece não fazer justiça…com o burro!
    Ele tem somente essa aparência mas,no fundo,é apenas um fantoche da mão invisível do mercado.O Brasil,por sua importância geopolítica precisa,para essa gente,ser aniquilado.
    O avanço da China rumo a hegemonia do planeta faz as menores penas dos falcões do norte se arrepiarem toda já que,a mão invisível do mercado tem sede e sub-sede neste país.
    O Brasil,se não conseguir sair da mão dessa gente,e não estou me referindo somente ao sujeito grotesco que ocupa a presidência da república mas sim a todos os golpistas que derrubaram um governo legitimamente eleito ,pouco ou nada terá para a sua sobrevivência em muto pouco tempo,basta lembrar que esta triste figura disse,e está fazendo isso,que era preciso destruir tudo.
    O Brasil paga por ter tido um sucesso pacífico e por não ter militares para defendê-lo. Temos somente milicos e milicos não defendem país nenhum.

  7. É possivel levantar hipótese de correlação entre o grupo do assalto de hoje em Ourinhos/SP (provavelmente o mesmo do assalto ao ouro do aeroporto), as milícias, a revogação de decretos de rastreamento de armas e munições, e o financiamento de campanha de certos partidos de pessoas de bem.

  8. Ao prezado Nassif, como comentário ao artigo do site Brasil247: “Apesar de Bolsonaro, país entra em alerta máximo: 14 Estados e DF prorrogam quarentena contra Covid-19”, apresentei o texto que segue.

    Mareu Soares
    Maravilha!!! É a revolta da FEDERAÇÃO (não se esquecer nunca que aqui é a REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL. E não mais Estados Unidos do Brasil, como o penúltimo Chanceler – a besta do Serra – não sabia da mudança), contra o poder autoritário da União. E agora? Em 25 de agosto de 1961 o governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, sozinho (inicialmente, logo depois teve o apoio do governador de Goiás, Mauro Borges/PSD), comandando a nossa Brigada Militar (nos tempos em que um governador tinha a liderança e a coragem de chefiar suas polícias), fechou todas as emissoras de rádio controlando as suas estações transmissoras com a polícia, e levou apenas uma delas – a Rádio Guaíba (da família mais tradicional e conservadora do estado, e a que tinha o mais potente transmissor) – para dentro do Palácio Piratini, criando a Rede da Legalidade. Através da comunicação instituiu a Campanha da Legalidade, com transmissão permanente pela palavra dele e de inúmeras lideranças políticas, atingindo todo o território nacional. A campanha visava à defesa da Constituição, mais uma vez desprezada pelos indivíduos fardados cuja atividade única é não aceitar uma sociedade civil, defender sua corporação e o capitalismo predador, mentindo serem nacionalistas. Com a renúncia do bêbedo Janio Quadros, alguns imbecis, comandados pelos três ministros das pastas militares, não queriam que o Vice-presidente – João Goulart – assumisse a presidência, dentro dos ditames da Lei Maior. O dissidente desta aberração foi o legalista marechal Lott, que depois de um comunicado ao povo na defesa da Constituição foi preso por outro milico imbecil. O Piratini se entricheirou para a defesa contra uma possível tentativa militar de derrubar Brizola. O quartel de Canoas (cidade ao lado de Porto Alegre) da Aeronáutica recebeu ordens para bombardear o Palácio, mas os sargentos esvaziaram os pneus dos aviões e bloquearam os dispositivos de ligação dos motores, o que impediu um morticínio, já que a Praça da Matriz, defronte ao Piratini, estava completamente lotada, principalmente com pessoal das esquerdas, membros dos Grupos de 11, e universitários. Brizola mandou a Brigada distribuir armas ao povo, que pegávamos ali perto, num prédio do estado que chamávamos de Mataborrão, pela sua forma. Com o impedimento de ação da força aérea, o perigo estava ainda com a força terrestre, nas mãos do comando do III Exército. Apesar de receber ordens de Brasília para atacar o Palácio, o comandante, general Machado Lopes, em 28 de agosto se dirige até o mesmo para comunicar a Brizola que aderia à Campanha da Legalidade. Em seguida forças do Exército tomam a base Aérea de canoas e destituem o brigadeiro que estava no comando. Era certo que o movimento se alastraria para todo o país (Jango fora eleito com o apoio de Ptb e PSD, e só o PTB tinha eleito os governadores de Amazonas, Piauí, Ceará e Rio de Janeiro; Arraes era prefeito de Recife e Mauro Borges, do PSD, governava Goiás); no Rio de Janeiro, em 1962, Brizola, que transferira seu título eleitoral para lá, foi eleito para Deputado Federal com 1/3 dos votos, o que em eleição proporcional é um desempenho inédito. Entretanto, a voracidade do poder pelo poder, fez com que Tancredo Neves (oh! família, seu!) articulasse uma negociação entre os militares e Jango, para “não derramar o sangue dos brasileiros” (sempre a mesma covardia; o Brasil é o único país do mundo que fez sua independência sem revolução, e o gordo sebento que andava com asa de frango no bolso da casaca, presentou seu filho com 8 milhões de km², “antes que outro aventureiro lançasse mão desta terra”), conseguindo uma emenda à CF, instituindo o Parlamentarismo. Mas a pergunta lá no começo foi: “E agora?”. Brizola não existe mais. Na campanha de 2018 me cansei de escrever relato semelhante, publicar em vários sites e blogs (alguns censuraram), enviar par os sites de governadores “de esquerda” do Norte e Nordeste, e nada. Ninguém assumiu as condições necessárias para liderar o povo e as forças policiais de seus estados: honestidade intelectual, liderança e coragem. O resultado está aí: todos disputando a vaga em seus partidos para concorrer em 2022; alguns tentando demonstrar uma coragem para tomar atitudes – falsa, e apoiada apenas pelo pandemônio criado pelo governo federal. Nada de efetivo para evitar o genocídio nacional (cuidam agora de medidas apenas regionais, como a criação do consórcio do NE), não querendo, por inépcia ou covardia, assumir a estratégia fundamental, que é o impeachment do vírus, a doença sociopática do fascista que assumiu o país. A Humanidade está vivendo a fase da Biopolítica, e os políticos não entenderam. Onde foi parar a intelectualidade da esquerda, mais concentrada no PT? Alijadas pelo grupo de direita ou cansada da luta? Lutar por verbas para aumentar leitos, para respiradores, para EPIs, para hospitais de campanha; fazer leis para o afastamento social (quase totalmente ignoradas), para conceder uma merreca de 600 paus para o povo aglomerado por falta de condições de moradia e subsistência (nas grandes capitais vivem mais de 15 milhões de pessoas em favelas = aí NINGUÉM CONTROLA O VÍRUS); tudo isto e o resto que se está fazendo são MECANISMOS DE DEFESA! Também, com Mandetta, Gabbardo, o Vampiro, etc, conservadores, só se poderia esperar reação. O vírus ataca, e nós nos defendemos. Nicolelis
    traçou uma estratégia diferente: vamos atacar o vírus! Mas está fazendo isto em nível regional a atacando os soldados da guerra viral. É preciso se atacar o comando da guerra. E O COMANDANTE EM CHEFE DO EXÉRCITO CORONAVIRUS CHAMA-SE JAIR MESSIAS BOLSONARO. Nicolelis vencerá algumas batalhas, chefiando os governadores ineptos, cuja única genialidade foi chamá-lo para comandar o ataque a parte da tropa viral. Mas não vencerá a guerra. Quando os partidos de oposição pararem de se preocupar com Moro, com a Globo, com Trump, com Olavo de Carvalho e com o raio que os parta, e resolverem juntar todas as forças (quando o Lula vai aderir? quando o Haddad vai se libertar? quando vão colocar o Rui Pimenta na briga? quando vão parar com as campanhas para 2020 e 2022?) para o impeachment de Bolsonaro e quadrlha, só aí a luta do corpo humano, do corpo da sociedade, do corpo do povo, contra o exército de trilhões ou quatrilhões de vírus poderá ser vitorioso, pois a Biopolítica assumirá o controle da guerra. O pior que poderá acontecer, caso não se mude a estratégia, será a união de grande parte do povo com o exército de vírus: anomia social, com selvagerias inacreditáveis em razão do desespero de uma massa popular sem controle. As esquerdas precisam se reunir, urgentemente, e decidir sobre o que será de nosso país.
    Mareu Soares

  9. O presidente do congresso nacional pode ser acusado de prevaricação em caso de flagrante desrespeito à constituição, se não aceitar um pedido de impeachment?

  10. Infelizmente o povo está sem assistência, sem informação e anda tendo que sobreviver ao vírus corona.
    O povo está sendo ignorado no momento de maior necessidade.

  11. + comentários

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