Jojo Rabbit e Live Hard 2020, por Fábio de Oliveira Ribeiro

O neoliberalismo não suaviza a violência, ele a torna invisível. Mais frequentes, os abuso são ignorados pela autoridade estatal.

Jojo Rabbit e Live Hard 2020

por Fábio de Oliveira Ribeiro

Após tomar posse Jair Bolsonaro disse que tudo era mais fácil para nossos antepassados. Com isso ele significou que no passado os colonos e seus rebentos podiam despedaçar índios na boca do canhão, invadir terras indígenas, exterminar indios, atacar quilombos e decapitar negros fugidos.

O neoliberalismo não suaviza a violência, ele a torna invisível. Mais frequentes, os abuso são ignorados pela autoridade estatal. Lentamente o presidente neoliberal transformou o Estado brasileiro numa empresa privada criminosa que administra a morte e facilita o crime ambiental.

O Judiciário faz de conta que distribui Justiça. O Ministério Público esquece de defender interesses coletivos e difusos da população. O CFM tolera a contratação de um VETERINÁRIO para atuar como médico encarregado da vacinação. A economia afundou, mas o lucro dos Bancos subiu.

Jornalistas que desafiam os negócios obscuros entre banqueiros privados e os Bancos estatais são censurados por juízes. Opositores do novo sistema econômico-político-evangélico sofrem perseguições virtuais. A politização da Bíblia já possibilita aos pastores roubar e matar com certeza de impunidade.

O céu não é um limite, mas a realidade ficou infernal. Estamos em guerra. Os gastos militares não tem teto.

Jojo Rabbit deveria ser apenas uma metáfora sobre o nascimento e a morte da personalidade totalitária. De repente o filme virou uma descrição fiel do que ocorre por trás das máscaras sorridentes e carrancudas que dominam a cena televisiva brasileira.

No mesmo dia em que jornalistas de direita sorriem ao comentar a morte de mais de 120 mil brasileiros ativistas criticam Gabriela Prioli porque ela pretende dar um curso remunerado. A ambição imoral dos defendores da ditadura neoliberal não tem medida. A necessidade de outros de auferir renda enquanto defendem a democracia é simplesmente ignorada.

Ninguém deveria acusar Gabriela Prioli de ser ambiciosa. Entre os adversários do bolsonarismo existem artistas de classe média alta, juízes e promotores que ganham salários acima do teto, advogados milionários e políticos de esquerda incapazes de largar as tetas do Estado. Porque somente ela deveria trabalhar de graça?

Não é indigno um advogado, professor ou jornalista ganhar dinheiro para difundir uma mensagem politicamente construtiva e socialmente importante. Eu não pretendo fazer o curso da Gabriela Prioli, mas tem muita gente que talvez precise dos serviços dela.

Quem não quiser ou não puder pagar o curso da mocinha sorridente e irônica que defende a democracia não deveria condenar a iniciativa dela. Além disso, é óbvio que todo o material didático que ela produzir será disponibilizado gratuitamente na internet em algum momento futuro. Quando isso ocorrer todos serão beneficiados.

Há algo mais insidioso do que a tendência infantil dos ativistas de esquerda de criticar quem defende a democracia: a aceitação passiva e irrefletida da socialização da miséria e do assalto ao patrimônio público. Os brasileiros não se importam mais com nada. Nem mesmo uma hecatombe os faria sentir algo ou expressar qualquer sentimento. Eles estão exaustos do Brasil.

Essa exaustão era uma característica da Iugoslávia após a morte de Tito. Num dia tudo estava aparentemente calmo. No dia seguinte aquele país simplesmente explodiu como o Vesúvio deixando um rastro de morte e destruição que não poupou ninguém. Quem tinha mais não perdeu menos.

Os juízes brasileiros aplicaram com rigor a legislação Colonial e Imperial escravocrata. Eles instrumentalizaram a ditadura Vargas e, depois, a Ditadura Militar. Quantos juízes apoiadam o golpe de 2016? Quantos não fizeram isso?

A insanidade dos juízes é ignorar ou repudiar a história enfadonha de crimes cometidos com ajuda Judiciário? Quem requisitou tropas e começou a Guerra de Canudos foi um juiz. Mas nenhum juiz foi capaz de interromper a degola dos sertanejos derrotados pelo Exército brasileiro.

A esposa de Luís Carlos Prestes estava grávida quando foi entregue ao III Reich para ser morta numa câmara de gás. A Justiça se recusou a reconhecer o direito dela de permanecer no Brasil.

A pena de morte era proibida pela CF/88. O golpe “com o supremo, com tudo” flexibilizou essa regra possibilitando aos juízes do Brasil transformar a pena de prisão na de execução aleatória por COVID-19. Quem será responsabilizado pela matança de prisioneiros?

Como são justos nossos juízes… O que eles fizeram para impedir a entrega de trilhões de reais aos banqueiros? Nada. Todavia, eles não são muito diferentes dos juízes norte-americanos, ingleses e europeus.

No filme “Live Free or Die Hard” ladrões sofisticados provocam um bug na Internet para roubar dinheiro da previdência. Na realidade infernal “Die Free or Live Hard 2020”, quantias inimagináveis de dinheiro público estão sendo entregues voluntariamente as empresas de Big Tech enquanto os povos ocidentais são abandonados sem emprego, renda e previdência durante a pandemia.

Os juizes sempre cobraram muito caro para impedir o Brasil de ter um verdadeiro Estado de Direito. Na Europa e nos EUA os colegas deles são incapazes de atrapalhar a agenda neoliberal definida pelo capitalismo de vigilância.

Na China e na Rússia o poder dos juízes é menor do que o dos políticos que tentam construir sociedades que garantam inclusão social, distribuição de renda e a expansão dos serviços públicos de educação e saúde. Talvez tenha chegado o momento dos brasileiros construirem seu Estado de Direito sem a ajuda dos juízes e mesmo contra os interesses mesquinhos que eles defendem.

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