Keynes visionário na Conferência de Versalhes, por Andre Motta Araujo

KEYNES não era um profeta, era apenas um cérebro luminoso lembrando da importância do pensamento econômico para o futuro dos povos.

Keynes visionário na Conferência de Versalhes

por Andre Motta Araujo

O economista do Tesouro da Índia, John Maynard Keynes, foi assessor da delegação britânica na Conferência de Versalhes, em 1919, e como testemunha presente nas deliberações que culminaram na punição econômica da Alemanha vencida. Keynes viu e previu as consequências da visão PUNITIVISTA que os Aliados vencedores quiseram impor ao Império Alemão, vencido sem ceder um milímetro de território, MAS penalizado por um garrote financeiro que plantou a semente da vingança que aconteceria, segundo Keynes, em quinze anos. Keynes foi um visionário que previu uma Alemanha vingadora da vingança que os Aliados lhe impuseram com ódio e não com o discernimento da História, com Clemenceau à frente dos vingadores impiedosos.

KEYNES VISIONÁRIO

O cérebro de primeira ordem que escreveu seu livro de estreia, AS CONSEQUÊNCIAS ECONÔMICAS DA PAZ, como aviso do que aconteceria como resultado de uma imposição inviável, as chamadas ” reparações” de Versalhes jamais seriam pagas na sua integralidade, depois de causaram a hiperinflação de 1923 e a ruína e desemprego que foram o caldo de cultura do nazismo, esse mesmo cérebro via as limitações da ciência econômica ORTODOXA, que é a avó do neoliberalismo estupido de hoje, provocador de grandes crises sociais por todo o planeta,  gerando a eleição de Trump e o BREXIT só para começar.

Keynes foi o grande ECONOMISTA DAS CIRCUNSTÂNCIAS, para cada situação uma receita e NUNCA FÓRMULAS GERAIS, nunca o mesmo remédio para situações muito diferentes, como é a lógica da ciência econômica ensinada nas universidades americanas, mal e porcamente copiada nas escolas de economia “pró-mercado” do Brasil, PUC Rio, INSPER, IBMEC e seus satélites “think tank” Casa das Garças, Instituto Mises, Millenium, abafando o debate econômico saudável no Brasil, algo que existiu com enorme vigor nas décadas de 40 a 60 e que gerou um Brasil em crescimento na maior taxa do planeta na época, as famosas controvérsas SIMONSEN versus GUDIN dos anos 40, um Brasil rico de homens pensantes e de ideias.

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O EMPOBRECIMENTO DO DEBATE ECONÔMICO NO BRASIL

Após a invasão e a tomada de poder pelos “economistas” da PUC Rio sobre a política econômica e o Banco Central em 1994, praticamente acabou o debate no Brasil com a encolhimento dos “economistas desenvolvimentistas” da Escola CEPAL na mídia e nos postos de Governo, modelo que prevaleceu MESMO nos governos do PT, com Henrique Meirelles no Banco Central. Lembrando que foi a partir de 1994 que nasceu a DÍVIDA PÚBLICA FEDERAL, que era irrelevante até o Plano Real e que hoje determina toda a política fiscal e econômica do País. Essa ERA DAS TREVAS NA ECONOMIA produziu a crise.

A Era dos ECONOMISTAS DE MERCADO NO GOVERNO a partir do Plano Real gerou os seguintes fatores, CAUSADORES DA RECESSÃO SEM FIM:

1.DÍVIDA PÚBLICA FEDERAL, hoje 80% do PIB, nasceu com a Era dos Economistas de Mercado no Governo, era praticamente zero antes de 1994.

2.DESINDUSTRIALIZAÇÃO DO BRASIL, a indústria era 26% do PIB em 1986, hoje é 9% do PIB, a “abertura” da economia, algo que a China e a Índia não fizeram.

3.USO DO CÂMBIO PARA ATINGIR A META DE INFLAÇÃO, o que abriu a importação sem critério e liquidou segmentos da indústria nacional, como autopeças.

4.CONCENTRAÇÃO BANCÁRIA, em 1990 o Brasil tinha 600 bancos, hoje 3 bancos privados e 2 bancos públicos concentram 84% das operações bancárias. Pelo PROER foram liquidados POR RAZÕES IDEOLÓGICAS bancos de grande porte perfeitamente sanáveis como BANESPA, ESTADO DO PARANA e BAMERINDUS, além de bancos históricos como BOAVISTA, da BAHIA, MINAS GERAIS, COM.E IND.DE MINAS, PROVINCIA DO R.G.DO SUL, de S. PAULO.

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5.O BANCO CENTRAL não consegue explicar por que baixando a taxa SELIC não baixam os CUSTOS REAIS do crédito, o que fere a lógica da economia de mercado que é a base de toda a POLÍTICA ECONÔMICA NEOLIBERAL que hoje mantém o Brasil na estagnação do crescimento, na maior concentração de renda do planeta e na REGRESSÃO ECONÔMICA para 180 milhões de brasileiros das classes B, C, D e E, com a liquidação do futuro de duas gerações.

KEYNES não era um profeta, era apenas um cérebro luminoso lembrando da importância do pensamento econômico para o futuro dos povos.

Como dizia Keynes, A HISTÓRIA DA HUMANIDADE É A HISTÓRIA DO PENSAMENTO ECONÔMICO E POUCO MAIS QUE ISSO.

Não há mais ideias econômicas no Brasil, apenas repetidores toscos de fórmulas fixas de um passado enterrado na crise de 2008, dos quatro grandes países China, Índia e Russia. O Brasil é o único que é governado numa linha “neoliberal dos anos 70” e o único que está estagnado.

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13 comentários

  1. Nada obstante o garrote financeiro imposto pelo Ocidente sobre a Alemanha, o Ocidente permitiu o rearmamento alemão por achar que Hitler atacaria e derrotaria a União Soviética. O problema é que o Hitler não atacou apenas a URSS, ele atacou também os países capitalistas.

    Mais do que vingança da Alemanha, tratou-se de vista grossa do Ocidente em relação ao rearmamento alemão, pois a burguesia Ocidental achava que a URSS seria derrotada pelos Nazistas. Mas a Alemanha é que foi derrotada pela URSS.

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    • O garrote financeiro sobre a Alemanha foi em 1919, o rearmamento alemão foi em 1933, momentos
      distintos da Historia e nada foi tão esquematico e tão simples, quando começou a 2ª Guerra Alemanha e URSS eram aliados e dividieram a Polonia em dois pedaços.

    • O Acordo Molotov-Ribbentrop assinado em 23 de agosto de 1939 foi VITAL para a Alemanha se sentir segura na frente leste para uma semana depois invadir a Polonia EM ACORDO DE DIVISÃO DE TERRITORIO com a Russia, acertado metro a metro PORTANTO NESSA FASE DA SEGUNDA GUERRA
      eram aliados completos, deixaram de ser com a invasão da URSS em 20 de julho de 1941.

  2. A partir da história, repetem-se os padrões. 100 anos após Versalheres, 100 anos após furia vingativa de Clemenceau, 100 apos os idealismos dos 14 Pontos , 100 anos após os idealismos “sem dente” da Liga das Nações, os mesmos sentimentos voltam à baila: pinitivismo, idealismos. A diferenta, quiçá, é que agregaram-se novos elementos como a metafisica e o ilusionismo. Terraplanistas idealistas, liberais, punitivistas , moralistas que o digam.

  3. Quando questionado sobre o “por quê” do Brasil ter “criado” uma dívida interna “tão grande”, o príncipe entreguista, o malandro FHC disse que “acabar com a inflação “tinha” um custo”.

    O Brasil só começou a produzir ferro fundido nos anos 40. Se depender dos economistas neoliberais brasileiros, em breve, o Brasil fecha toda indústria. Vamos importar “palitos de fósforo”.
    Eu ouvi um “cidadão na internet”, se dizendo economista num debate, e dizendo que “hoje são outras indústrias, a nove de julho, por ex. é uma “indústria de diplomas”… são as indústrias atuais”, continuou. Nem lembro o nome do cara. Mas ele acreditava no que dizia. Ou parecia acreditar. Eu troquei o canal com um certo enjôo.

    O BANESPA foi vendido por 7 bi. Dinheiro de pinga, como se diz por aí. Questionado sobre o valor, o mestre dos mestres Armínio Fraga disse que ” a jóia da coroa tinha que ser cara”.
    É ou não é um fanfarrão?

    A dívida é uma forma moderna de escravidão. Dos estados ( e pessoas). E de pessoas dentro de estados endividados. Os juros ao consumidor são extorsivos desde que o Brazil ainda se chamava Brasil.

    Este é o projeto político e econômico que criaram para nós. No Brasil não haverá revolução e, pelo jeito, nem manifestações como as do Equador. Este projeto foi aceito pela elite brasileira. Endossado. Implementado. A apropriação das receitas destinadas às securidade social ( a reforma) é indecente, monstruosa. Digna dos brasileiros, mesmo. Alienados que nos tornaram…

    Keynes. Acho que não tem como ser mais claro do que ele.

  4. + comentários

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