Milícias são importantes para assumir o governo, mas totalmente perigosas para o manter, por Rogério Maestri

No caso brasileiro, se houver alguma tentativa ao mínimo com algum êxito de composição de uma milícia armada sob controle direto do presidente, teríamos o caso da Guarda Pretoriana Italiana na antiguidade

Milícias são importantes para assumir o governo, mas totalmente perigosas para o manter

por Rogério Maestri

Há notícias que se espalham nas redes sociais e imprensa de diversos tipos de comentários e artigos sobre a intenção do Bolsonaro criar a sua própria milícia armada para se manter no poder.

Partir esta ideia de Bolsonaro e de seus bolso-filhos é até imaginável, porém se ele pensar em fazer isto ele estará cruzando do Rubicão sem 1% da inteligência e o sentido estratégico de Júlio César e esquecendo que este cruzou este rio com seu treinado e leal exército regular romano, com generais que o cercavam com lealdade provada em combate.

Baseando o raciocínio não em hipóteses histéricas, mas sim na recuperação do passado histórico, vemos que as milícias em sistemas fascistas, as mais famosas os “Fasci di Combattimento” e as Sturmabteilung (SA) que literalmente em alemão significa “Destacamento Tempestade”, mas que são mais conhecidas impropriamente como “Tropas de Assalto”, mostram que tanto na Itália quanto na Alemanha estas milícias fascistas foram ciosamente extintas na prática logo que Mussolini e Hitler assumiram o poder.

Porque estas milícias após a tomada do poder, foram simplesmente no caso italiano colocadas sobre o controle do poderoso exército italiano da época, e dizimadas frente ao debilitado exército alemão que possuía um número pouco significativo de quadros por imposição do Tratado de Versailles de 28 junho de 1919 (há mais de um tratado com este nome, logo a data é importante).

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Mas qual era a lógica deste enquadramento não sangrento do caso italiano e completamente sangrento no caso alemão? É simples, dentro de um Estado não pode haver duas forças armadas, principalmente quando estas milícias (no caso alemão) tem tanto ou mais poder do que o exército convencional.

No caso brasileiro, se houver alguma tentativa ao mínimo com algum êxito de composição de uma milícia armada sob controle direto do presidente, teríamos o caso da Guarda Pretoriana Italiana na antiguidade, que apesar de ser um pequeno corpo de defesa dos imperadores, comparados com qualquer legião romana, eram corruptos, influenciavam a escolha dos novos césares e até mataram um. No caso brasileiro milícias armadas, originadas de organizações criminosas, com a instabilidade e velocidade nos acontecimentos que ocorrem nos dias atuais, seriam simplesmente um caos na sociedade, levando o país a uma VERDADEIRA BARBÁRIE, não estou utilizando o termo barbárie como é citado erroneamente por muitos como ou socialismo ou barbárie, estou falando em barbárie mesmo, ou seja, extorsão de quem tem dinheiro, assassinatos de opositores a guarda (que poderíamos incluir militares), ou seja, um domínio que simplesmente inviabilizaria o Brasil como uma nação.

Se houver algum almirante, general, ou brigadeiro, que não acreditar no terraplanista Olavo de Carvalho, procure se não há arsenais de fuzis antitanques e mísseis tipo sting por se encontrarem algo deste tipo, a milícia pretoriana do Cézar, já está em andamento!

Logo, se o nosso César, de QI de uma barata, cruzar o Rubicão e tentar a criação de uma milícia particular, coisa que já pode ser vislumbrada pelos fuzis encontrados no Rio de Janeiro, provavelmente poderá ter o destino de Calígola.

1 comentário

  1. Há um detalhe que é induzido por Hollywood e propagada para jogos de vídeo-game na fotografia escolhida acima. Primeiro a guarda pretoriana vestia-se mais ou menos como o exército romano, e as cores dos vestimentos eram brancas ou no máximo vermelhas, esta representação introduzida no filme O Gladiador é um dos maiores furos da história do cinema, por diversos motivos. A cor preta somente existe nos filmes, joguinhos de vídeo-game e instragram, pois não leva em conta a dificuldade de tingimento deste tipo de cor.
    Inclusive estes imensos escudos de mais de um metro de altura, como uma arma de defesa, seria o maior mico possível, pois os escudos eram feitos de madeira, e uma chapa de proteção desta altura pesaria mais de 20 ou 25 quilos, que somada com as “lorica” (armadura) mais o capacete e o gladio somaria mais de 40 a 50 quilos, que não permitiria que os soldados se deslocassem muito e muito menos lutassem.

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