O lançamento de Em Busca de Kardec – um documentário de que fiz parte, por Dora Incontri

Uma viagem histórica com depoimentos e entrevistas com espíritas e não espíritas, mapeando todo o despertar das mesas girantes na Europa do século XIX, até o espiritismo contemporâneo no Brasil, com seu pluralismo.

O lançamento de Em Busca de Kardec – um documentário de que fiz parte

por Dora Incontri

Escrever, sempre escrevi, desde criança, desde adolescente. Mas ver a escrita transformada em imagem, som, viagem, cores, música… é a primeira vez e gostei muito da experiência. E o resultado estreia amanhã, quarta, dia 1º, às 20:30, no Prime Box Brasil (canal por assinatura): Em Busca de Kardec. Roteiro meu e do Karim Soumaïla; direção dele, pesquisa minha (Lighthouse produções). Ele, um cineasta francês que não tinha nenhum envolvimento com o assunto. Eu, jornalista, escritora, que estudo, pesquiso e me envolvo com espiritismo desde que nasci.

O que fizemos foi uma abordagem que entrelaça uma elaboração de luto pela perda da filha do diretor-narrador com a história de Kardec e do espiritismo, na França e no Brasil. Filmamos em Paris, Lyon, Yverdon, no adorável castelo medieval, onde Pestalozzi teve seu instituto e onde o menino Rivail (depois Kardec) estudou. Depois, rodamos em Salvador, Rio de Janeiro, Juiz de Fora e São Paulo.

A intenção foi fazer uma viagem histórica com depoimentos e entrevistas com espíritas e não espíritas – antropólogos, sociólogos, historiadores, mapeando todo o despertar das mesas girantes na Europa do século XIX, até o espiritismo contemporâneo no Brasil, com seu pluralismo.

A poesia fica por conta da narrativa de Karim, de seu luto pela filha, falecida adolescente; a pesquisa ficou por minha conta, que me movimento dentro do movimento há muitas décadas e consegui captar a colaboração e o testemunho de vozes diferentes e importantes.

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O resultado me satisfez: ficou bonito, num ritmo de documentário europeu, consistente do ponto de vista cinematográfico e, sobretudo, sem proselitismo simplório. Minha formação acadêmica não se compadece com fanatismos religiosos, embora seja espírita assumida.

Kardec aparece em sua busca por validar os fenômenos mediúnicos dentro de uma perspectiva científica, mas também falamos de pesquisas atuais por pessoas ligadas a grandes universidades brasileiras. Kardec é retratado em sua vida e obra de educador, mas também se desdobra o documentário em mostrar o espiritismo compreendido e praticado como educação por algumas famosas personalidades do passado e do presente, como Eurípedes Barsanulfo e Anália Franco. Kardec é comentado como fundador de uma filosofia – chamada de espírita – mas filósofos atuais fazem reflexões sobre suas posições espiritualistas.

Como Karim é afrodescendente (do Benin e do Caribe), nascido em Paris, suas culturas de origem dialogam bem com o espiritismo brasileiro: um espiritismo que veio da França, mas que aqui se juntou com os rituais afro-brasileiros e deu à luz a uma religião tipicamente nossa, a umbanda. O candomblé e a umbanda também aparecem na narrativa, embora en passant.

Como eu mesma faço parte de todo um movimento de espíritas kardecistas progressistas (aliás em consonância com o que era o espiritismo em seu início – François Laplantine, um dos entrevistados o define como um socialismo reencarnacionista) esse segmento também aparece representado no documentário, além do tradicional, religioso, enraizado na figura de Bezerra de Menezes e Chico Xavier.

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O mais fascinante na feitura de um documentário desses é como podemos costurar uma narrativa coerente, forte e bonita, a partir de muitas vozes diferentes e muitos lugares impactantes.

Para mim, foi uma experiência estimulante. Espero que para os que forem assistir, também seja.

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4 comentários

  1. Incluo o espiritismo na mesma categoria da astrologia, ou qualquer outra religião. Se a pessoa se sente bem, feliz e ali encontra explicações e paz, mete o pé na jaca.

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  2. Para falar de algo com fundamento no mínimo tem que estudar e conhecer, fora isso é fazer comentários rasos com base em preconceito. Este modelo raivoso é e produzir o método usado pelos extremistas fundamentalistas que vem destruindo o Brasil.

  3. Perfeito o seu comentário, Ritalo. Não se pode opinar sobre o que não se conhece.
    Uma coisa que não ficou clara para mim é se essa série será exibida todos os dias nesse mesmo horário. Alguém poderia esclarecer!?

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