20 de maio de 2026

O projeto sionista do Grande Israel, por Aldo Fornazieri

O Estado belicista de Israel não quer paz. Quer invadir, deslocar, matar, destruir. Os EUA são subservientes a esses desígnios malignos.
President Donald Trump speaks with Israeli Prime Minister Benjamin Netanyahu in the Oval Office after a joint press conference announcing the U.S. peace plan for Gaza, Monday, September 29, 2025. (Official White House Photo by Daniel Torok)

Israel e EUA iniciaram guerra contra Irã sem autorização da ONU, violando o Direito Internacional e normas constitucionais.
O governo israelense, dominado por radicais, promove o projeto expansionista do “Grande Israel” baseado em narrativas bíblicas.
Financiado pelos EUA, o militarismo israelense avança com ocupações, ataques e assentamentos em territórios palestinos e vizinhos.

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O projeto sionista do Grande Israel, por Aldo Fornazieri

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Especialistas e analistas definem a guerra de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã como uma “guerra por escolha”. Quer dizer: ela foi motivada apenas para atender objetivos políticos e geopolíticos dos dois Estados agressores. Ela não é uma guerra necessária, de autodefesa e nem mesmo uma guerra preventiva para prevenir algum risco de ameaça que o Irã pudesse representar para Israel e os Estados Unidos.

Israel e Estados Unidos decidiram fazer a guerra pela guerra. As guerras por escolha são consideradas  criminosas pelo Direito Internacional. A Carta da ONU e o Direito Internacional proíbem o uso da força contra a integridade territorial e a independência política de qualquer Estado. A guerra contra o Irã não foi autorizada pelo Conselho de Segurança da ONU e não pode buscar qualquer legitimidade no princípio da defesa própria. Trump passou por cima até mesmo do Congresso americano, pois a Constituição prevê que as guerras precisam ter sua autorização

Além de cometerem o crime de iniciarem uma guerra ilegal, os governos dos Estados Unidos e de Israel estão cometendo crimes de guerra os borbotões nos ataques contra instalações civis, contra infraestrutura, contra instalações nucleares, assassinando líderes e crianças do Irã. É preciso desenvolver uma mobilização internacional para que Trump e Netanyahu e seus respectivos comandos de guerra sejam julgados pelos crimes que vêm cometendo.

Dominado por radicais religiosos, o governo de Israel vem construindo o Estado como uma máquina de guerra para atacar vários grupos e povos na região. Esse Estado sionista já fez guerras contra o Egito, a Síria, ataca o Libano com frequência, ocupa terras dos palestinos na Cisjordânia, cometeu o genocídio e destruiu Gaza e, agora, ataca o Irã injustificadamente.

A máquina de guerra de Israel, que conta com bombas atômicas, atende aos objetivos expansionistas que usam narrativas míticas religiosas antigas para cometer crimes impunemente. Eles tomam por base uma narrativa literária mítica do Livro do Gênese 15:18-21, onde supostamente o Senhor teria dito o seguinte a Abraão: “Aos seus descentes darei esta terra, desde o ribeiro do Egisto até o grande rio, o Eufrates. A terra dos queneus, dos quenezeus, dos cadmoneus, dos hititas, dos ferezeus, dos ferains, dos amorreus, dos cananeus, dos girgazeus e dos jebuzeus” .

Não há evidências históricas e arqueológicas da existência de Abraão e nem mesmo de alguns desses povos arrolados. Como já se afirmou em outro artigo, grande parte do que está narrado no Antigo Testamento faz parte de narrativas literárias e míticas, de acontecimentos que nunca existiram, o que constitui a “história inventada de Israel Antigo”.

A historia real foi muito prosaica. De modo geral, o território de Israel Antigo era pequeno, bem menor do que os relatos bíblicos lhe atribuem. Israel Antigo nunca foi um grande reino, com poderio bem inferior aos egípcios, assírios e babilônios, com os quais mantinha alianças de subordinação. O período de maior auge, também de maior autonomia, foi no reinado de Salomão – reino antigo unificado abrangendo Israel e Judá, que se dividiram depois. Mesmo o templo de Salomão, a arqueologia o mostra, não tinha a grandeza e o esplendor descritos na Bíblia.

Da narrativa do Gênese, os radicais sionistas de extrema-direita contemporâneos construíram o projeto político e ideológico do “Grande Israel” (Eretz Yisrael Hashlema – Terra Inteira de Israel). Grande Israel que na história nunca existiu. Só existiu na fantasia das narrativas literárias e míticas dos escribas da Bíblia. Acreditar na narrativa do Gênese equivale acreditar que as deuses e deuses Atena, Hera, Posídon, Hefesto e Hermes apoiaram os gregos contra Troia e que Afrodite, Ártemis, Apolo e Ares apoiaram os troianos contra os gregos.

Recentemente, Netanyahu declarou que concorda de forma absoluta com o projeto do “Grande Israel”. O sionismo foi criado no século XIX por Theodor Erzl para combater no antissemitismo na Europa. Mas, no século XX, sofreu uma grande revisão proposta por Zeev Jabotinsky que propôs a criação de grupos armados, de um “murro de ferro” de defesa, sustentando a tese de que os árabes deveriam ser contidos pela força das armas.

O Likud, partido de Netanyahu é herdeiro desse sionismo belicista e expansionista. A imprensa costuma veicular a ideia de que Netanyahu faz guerras para se manter no poder. Essa é apenas uma verdade parcial. Ele e o Likud são aliados dos partidos de extrema-direita radicais como o Shas, o Partido Unido da Torá e Noam, patrocinadores da guerra, da rapinagem de terras na Cisjordânia, do extermínio de Palestinos.

Embora não queiram que os membros religiosos desses partidos sirvam o Exército, eles apoiam a continuidade ativa da guerra contra o Irã, até que suas capacidades sejam destruídas. Os mais alinhados com o militarismo expansionista são os partidos nacionalistas religiosos como o Otzma Yehudit de Itamar Bem-Gvir e o Sionista Religioso de Bezalel Smotrich. Defendem o estabelecimento imediato da soberania de Israel sobre a Cisjordânia.

O projeto do Grande Israel prevê abarcar partes do Egito, da Jordânia, da Síria, do Líbano, do Iraque e os Territórios Palestinos. O projeto adota a estratégia de guerra permanente, de ocupação territorial e de assentamentos nos territórios conquistados. Os líderes ocidentais e a mídia se calam acerca desse caráter belicoso e expansionista do sionismo de Israel.

Boa parte do dinheiro que financia o expansionismo sionista vem dos Estados Unidos. Esse dinheiro financia as armas que provocam ocupações, a implantação de assentamentos, assassinatos de resistentes, deslocamento de famílias e a destruição de aldeias. Dinheiro que também dota o Exército com armas sofisticadas, com tecnologia de ponta, com artefatos nucleares, com o domo de ferro. A militarização e a fascistização da sociedade israelense é crescente. Os setores democráticos perdem espaço. As vitórias dos partidos de extrema-direita são recorrentes.

O Estado belicista de Israel não quer a paz. Quer invadir, deslocar, matar e destruir. Os governos dos EUA são subservientes a esses desígnios malignos. Biden validou o genocídio em Gaza. Trump virou sócio na prática de crimes de guerra de Netanyahu.

Agora, o sionismo quer criminalizar todas as críticas e denúncias das maldades de Israel. Se esconde atrás do antissemitismo para difundir o sionismo criminoso. Muitos israelitas de hoje assumiram as maldades dos algozes de judeus no passado. Este círculo representa a perpetuação da tragédia da humanidade. Somente a paz e a coexistência pacífica de povos, etnia e religiões poderá quebrá-lo.

Aldo Fornazieri – Professor da Escola de Sociologia e Política e autor de Liderança e Poder.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para dicasdepautaggn@gmail.com. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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Aldo Fornazieri

Cientista político e professor da Fundação Escola de Sociologia e Política.

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2 Comentários
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  1. JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO

    6 de abril de 2026 7:52 am

    I(srael nunca foi e nen nunca será grande. Antes da era comum, como reino independente não passou de uma centena de anos. Assim o atual estado nazi sionista dificilmente passará de 2050.

  2. Jose de Almeida Bispo

    7 de abril de 2026 8:31 pm

    Já tem algum Rotschild, Rockfeller, ou mesmo um Safra ou Abravanel, com residência física lá? Não? Só pobre iludido com “leite e mel”? Então, logo, logo vai estar todo mundo, que lá está, espalhado de novo. A maioria, voluntariamente, a explorar suculentos mercados; ou à força, a pequena minoria que sobrar. Por motivos óbvios.

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