Jornal GGN – Em artigo republicado pelo Instituto Lula, a defesa do ex-presidente rebate as críticas sobre o recurso apresentado à ONU contra abusos na Lava Jato. No texto, Cristiano e Valeska Zanin apontam que Lula pode ser o primeiro brasileiro a precisar recorrer ao órgão internacional para ter seus direitos garantidos, mas que certamente não é o primeiro no mundo.
“Nos últimos dez anos, a ONU recebeu 2.756 comunicações de violação por parte de cidadãos de 94 diferentes países. A França, por exemplo, recebeu 12 condenações; a Austrália, 39.”
No caso, o Brasil será notificado, se a ONU aceitar o recurso, por conta de violações praticadas por procuradores e pelo juiz Sergio Moro, como vazamentos de delações premiadas, uso de prisões preventivas para obter delações, condução coercitiva sem real necessidade, além de falta de imparcialidade declarada.
“Moro fez 12 acusações contra o ex-presidente em documento enviado ao STF em março deste ano. No Brasil, não é feita a necessária separação entre o juiz de garantias (colhe a prova e por esta fica impregnado) e aquele que julga a causa, situação criticada nas cortes internacionais”, apontaram.
Por Cristiano Zanin Martins e Valeska Teixeira Zanin Martins
Lula mostrou que qualquer cidadão pode recorrer à ONU
Na Folha
Parece haver muito mais do que um Atlântico separando o Brasil da Europa. Em Genebra, houve absoluta clareza por parte de especialistas e representantes de organismos internacionais a respeito da violação das garantias fundamentais ocorridas no caso do ex-presidente Lula.
Eles não subestimam a importância de uma eventual condenação por parte da ONU às violações de disposições do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos.
No país, opiniões dogmáticas e apressadas foram lançadas sem o pleno conhecimento da base jurídica por nós utilizada.
Fica a impressão de que atacar é o antídoto para o desconhecimento acerca da importância do comunicado que levamos ao Comitê de Direitos Humanos (CDH) da ONU, no último dia 28/7, na defesa de Lula.
O Brasil ratificou o tratado em 1992, mas a iniciativa não permitia aos brasileiros comunicar individualmente violações ao comitê, acesso garantido em 2009, quando aprovado o Protocolo Facultativo por meio do Decreto Legislativo nº 311.
Chegou-se até a qualificar de constrangedora uma medida que o Brasil incorporou ao seu ordenamento jurídico de forma expressa. Se o país acha que não se pode recorrer à ONU, por que subescreveu um tratado internacional com essa previsão?
Nos últimos dez anos, a ONU recebeu 2.756 comunicações de violação por parte de cidadãos de 94 diferentes países. A França, por exemplo, recebeu 12 condenações; a Austrália, 39.
Um dos objetivos da atuação do CDH é o de aprimorar o sistema de proteção interna dos direitos humanos. O Brasil, no entanto, foge do debate real. É por que a iniciativa foi de Lula?
Questiona-se por que se deu agora. O Protocolo Facultativo prevê que o acesso à ONU se dará, como regra, após o esgotamento dos recursos internos, mas também admite a ação quando não houver medida eficaz para paralisar a violação ao pacto (artigo 5º), tal como se verifica no caso concreto.
Lula não praticou qualquer crime. Não há evidência real da ocorrência de um ilícito. O que existe é uma verdadeira caçada promovida por alguns agentes do Estado.
O procurador da República Deltan Dallagnol admitiu à rádio Bandeirantes, em julho, que ele e o juiz Sergio Moro são “símbolos de um time”, indicando uma confusão entre o papel de promotor e o de magistrado.
Moro fez 12 acusações contra o ex-presidente em documento enviado ao STF em março deste ano. No Brasil, não é feita a necessária separação entre o juiz de garantias (colhe a prova e por esta fica impregnado) e aquele que julga a causa, situação criticada nas cortes internacionais.
No último dia 22/7, Moro rejeitou a perda de sua imparcialidade em relação ao nosso cliente e admitiu ter cogitado decretar sua prisão temporária, sem que houvesse pedido de órgão policial ou do Ministério Público Federal, requisito fundamental para a medida extrema.
Geoffrey Robertson, um dos principais advogados de defesa dos direitos humanos no mundo, que conosco assina o comunicado à ONU, também não hesita em confirmar as violações aos direitos fundamentais de Lula.
Por isso, no comunicado apontamos terem sido violadas por Moro quatro disposições do pacto: (a) proteção contra prisão ou detenção arbitrária (art. 9º); (b) direito de ser presumido inocente e assim ser tratado até que se prove a culpa na forma da lei (art. 14); (c) proteção contra interferências arbitrárias ou ilegais na privacidade, família, no lar ou correspondência e contra ofensas ilegais à honra e à reputação (art. 17); e (d) direito a um tribunal independente e imparcial (art. 14).
Lula mostrou que qualquer cidadão que tenha, como ele, seus direitos fundamentais violados pode ir à ONU. Há um debate sério a ser feito.
CRISTIANO ZANIN MARTINS, 40, advogado, especialista em direito processual civil pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, é sócio do escritório Teixeira, Martins & Advogados
VALESKA TEIXEIRA Z. MARTINS, 41, advogada, é membro efetivo da comissão de direito aeronáutico da OAB de São Paulo e sócia do escritório Teixeira, Martins & Advogados
JEFFERSON NERY DE ALMEIDA
4 de agosto de 2016 11:35 pmEXCELENTE TEXTO
QUERO AQUI TE PARABENIZAR PELO EXCELENTE TEXTO. SRA VALESKA TEIXEIRA Z. MARTINS.
NÃO VAMOS DEIXAR QUE O ESTADO DE DIREITO SEJA USURPADO POR AQUELES QUE NÃO TEM COMPROMISSOS COM A LIBERDADE.
OBRIGADO
peregrino
5 de agosto de 2016 12:21 amGrande Lula…
sempre pensando no melhor para o Brasil
concordo plenamente que já é tempo de se aperfeiçoar muita coisa por aqui
Jus Ad Rem
5 de agosto de 2016 1:08 amNo país da impunidade, de
No país da impunidade, de repente apareceu alguém pra perseguir arbitrariamente aquele que mais investiu na Polícia Federal e inaugurou a boa prática de nomear o primeiro da lista tríplice para a PGR.
Nos dois governos do PSDB, tendo à frente da Polícia Federal um membro do partido, a PF fez aproximadamente 50 operações. Nos governos do PT, sem membro do partido dirigindo a PF, ela fez MAIS DE MIL operações!
Será que é por isso que querem acabar com Lula? Não duvido.
Marcos Antônio
5 de agosto de 2016 1:19 amO amor é contagioso..
Se existirão milhões de cunhas isso eu NÃO SEI…
Eu sei é que existem milhões de LULAS…
Essa ditadura não vai durar e eles NÃO PASSARÃO NEM PASSARINHO!
Egomet Leão
5 de agosto de 2016 1:29 amO maior mal do Brasil é a
O maior mal do Brasil é a Justiça! Disparado! sem competidor.
Mas não por causa das leis que ela tem para aplicar; apenas por causa daqueles que se arvoram em legisladores e pintam e bordam com uma independência “legal”, que não poderia jamais lhes ter sido permitida – e que aliás de fato nunca foi.
Particularmente sabe-se que nunca a ninguém foi facultado fazer leis por conta própria e pô-las em prática a seu bel-prazer- só o empedernido, o fanfarrão mental se arvora em uma espécie de “deus”, de Rei da Cocada Preta.
Já passou da hora de se fazer algo a respeito e, por conta disso, a atitude de defesa do Lula tomou um posicionamento correto e fica um punhado de prosopopeiros chorando sobre o leite derramado.
Vamos esperar pra ver no que dá.